Amazônia é ponto de referência para desenvolver a Base Industrial de Defesa brasileira

Vez por outra volta ao noticiário a ideia de internacionalizar a Amazônia.  O fato de existir uma região tão rica em recursos naturais e ainda pouco populosa dá asas à imaginação de pessoas bem e mal intencionadas com planos de todos os formatos e justificativas para internacionalizar a região.  Acrescente-se aí o fato da Amazônia estar sob administração de países em desenvolvimento, e há gente que não se conforma dela não estar sendo cuidada por uma ou várias das grandes potências.

O assunto é largo e muito maior que um curto texto editorial de um site. No entanto, cabem aqui algumas reflexões de interesse imediato para a Indústria de Defesa e Segurança brasileira.

Quando se formula a defesa de um território, é lógico que as áreas mais cobiçadas internacionalmente devam ser a maior preocupação.  No Brasil, até algumas décadas atrás, era fronteira Sul que despertava maiores preocupações, resultado ainda das feridas dos confrontos ocorridos durante o processo de colonização da América do Sul.  Em nossa história, o nosso maior conflito na região Norte foi a guerra do Acre, episódio heróico, mas no qual o interesse  brasileiro foi defendido por uma tropa local e onde o Estado participou apenas para dar uma solução diplomática ao conflito.

Hoje, o Sul brasileiro está pacificado, e a nossa proteção de fronteiras tem que estar centrada na Região Norte.  Dessa forma, as nossas Forças Armadas devem estar aptas para intervenções nesta área, tanto de caráter dissuasório, como eventualmente em um engajamento.

A guerra na Selva pressupõe o uso de equipamentos adaptados a um habitat muitas vezes inóspito, onde calor, umidade, lama, pragas, baixa visibilidade, terreno agressivo formam condições que exigem dos homens e dos apetrechos preparo especiais.

Este é um campo onde Forças Armadas e BID podem colaborar estreitamente no desenvolvimento de equipamentos de modo a permitir ao Brasil suprimento autônomo de armas e demais itens necessários à defesa da Amazônia.

Programas de pesquisa apoiados por nossos órgãos de fomento, envolvimento de nossas universidades militares e civis, colaboração entre as Forças Armadas e as Indústrias podem formar um ambiente onde surjam soluções e equipamentos capazes de auxiliar as nossas Forças no combate na selva; e, eventualmente, até serem itens de exportação.

Veículos de transporte adaptados para condições amazônicas, barcos para navegação fluvial, uniformes adequados ao clima da floresta, aviões de vigilância são alguns exemplos óbvios das  necessidades que a BID poderia desenvolver.  Dessa forma estaríamos autônomos e em condições de atuar sem depender exclusivamente de  equipamentos de outros países, muitos dos quais podem estar com interesses distintos dos nossos caso um conflito ou ameaça de conflito se configure na região.

Como ilustração ao artigo aí está um mapa para internacionalização de uma faixa da Amazônia que ilustra um plano apresentado pelo Presidente da Colômbia com essa finalidade.  É mais um plano, muitos outros virão. A Amazônia com certeza é uma área que a humanidade deve cuidar.  E esta  é uma tarefa para a qual o Brasil tem que se mostrar capaz.  Afinal, se a floresta está aí hoje, se a região abriga populações indígenas vivendo em liberdade, é porque o Brasil tem mostrado esta sensibilidade. Outras regiões naturais igualmente preciosas para a humanidade já foram dizimadas pelos interesses econômicos dos mais diversos países, alguns dos quais hoje em dia se mostram “preocupados” com a preservação da Amazônia.

 

VEJA TAMBÉM EM

53245_6

 

Leave A Reply