AMAZONLOG por seu comandante

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Pelos acontecimentos mais recentes apresentados no cenário mundial, é de se esperar um aumento nos fatores de instabilidade, como a disputa pelos escassos recursos naturais e a migração não controlada. A estes fatores, estão também associados às catástrofes naturais (furacões, terremotos, enchentes, secas, tornados, entre outras), além das chamadas “novas ameaças” como o terrorismo, o narcotráfico, o crime organizado, a proliferação de armas de destruição massiva, os ciberataques e o tema do meio ambiente, que afetam e seguirão afetando a situação de segurança e defesa em um futuro próximo.

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Na América Latina, este atual fenômeno de instabilidade é evidente e preocupante porque impacta diretamente na segurança pública e no bem estar das sociedades. Estes dois últimos aspectos são fundamentais para o desenvolvimento social e econômico de um país e requer de políticas públicas eficientes. Um melhor controle das fronteiras nacionais, por exemplo, afetará as ações decorrentes nos centros urbanos e as possíveis intenções veladas.

Neste contexto, a Panamazônia se apresenta como uma área de fundamental relevância e preocupação. Essa região, todavia, se considera hostil, distante e, muitas vezes, de escassa integração, sendo, portanto, pouco conhecida por uma grande parte da população dos países que a possuem. A extensão territorial, a falta de estrutura e as peculiaridades da selva, impõem obstáculos às ações das diversas instituições dos Estados, contribuindo para uma dificuldade de controle e ação, gerando consequências locais imediatas, e que reverberam para os grandes centros urbanos e econômicos de seus países.

Os terremotos no Haiti e Chile, as frequentes situações de enchentes e secas na Amazônia (norte do Peru, Estado do Acre e Amazonas), a migração de haitianos em direção aos países da América do Sul (em especial Brasil, Colômbia e Peru), a desmobilização das Forças Revolucionárias da Colômbia (FARC), e, mais recentemente, a onda migratória de venezuelanos para o Brasil, são exemplos de situações de instabilidade que podem gerar consequências negativas caso não haja um planejamento e medidas de controle adequadas.

O Exército Brasileiro (EB) está preparando, para o período de 6 a 13 de novembro, o AMAZONLOG17, Exercício de Logística Multinacional, com o objetivo de promover ações humanitárias que respondam, de forma rápida, a adversidades causadas por acidentes e por suas consequências no âmbito da América do Sul. O Exercício será conduzido pelo Comando Logístico (COLOG), Órgão de Direção Setorial do EB situado em Brasília, e distingue-se por ser um evento no qual diversos países, atuando de forma conjunta, farão o desdobramento de uma Base que coordenará todas as ações logísticas necessárias para uma resposta efetiva em caso de catástrofes.

O cenário tático escolhido para o AMAZONLOG17 foi a cidade de Tabatinga, localizada no Estado do Amazonas e que integra a tríplice fronteira junto com Letícia, na Colômbia, e Santa Rosa, no Peru. O local será um laboratório onde serão testadas e desenvolvidas soluções logísticas coletivas que se adequem às características da região amazônica, conhecida pelas altas temperaturas, chuvas constantes, dificuldade de acesso, vegetação densa e outras especificidades da área em questão, que apresenta situações de contrabando da fauna e da flora, tráfico de drogas, isolamento, dentre outras.

O AMAZONLOG 2017 basear-se-á nas seguintes premissas:

  • Exercício de Adestramento Militar no Terreno, com foco nos desafios regionais típicos;
  • Oportunidade de descobrir, testar e desenvolver soluções conjuntas de logística e avaliar a interoperabilidade de equipamentos, sistemas e procedimentos entre os países aliados, enfrentando ameaças comuns;
  • Capacitar os países do hemisfério a operarem Unidades Logísticas Militares Integradas;
  • Proporcionar que Companhias da Indústria de Defesa participem do Exercício e exponham Produtos Militares de emprego dual;
  • Ações Integradas no Terreno, desenvolvidas pelas tropas de cada País e respectivas Agências de Aplicação da Lei em seus territórios, sob suas leis internas;
  • Planejamento Operacional de Adestramento do Exercício desenvolvido pelo Comando Conjunto baseado em Tabatinga, dentro de um cenário hipotético e de acordo com as características da região; e
  • Apoio Logístico de uma Base Logística Multinacional Interagências, sediada em Tabatinga, cujos recursos apoiariam toda a Área do Exercício.

Entre os países participantes, o Peru e a Colômbia confirmaram presença com apoio logístico e com 68 e 143 militares, respectivamente. Os Estados Unidos participarão com especialistas e observadores. Alemanha, Argentina, Canadá, Chile, China, Equador, Espanha, França, Israel, Itália, Japão, México, Reino Unido e Rússia enviarão observadores.

O trabalho em conjunto com as Forças Armadas dos diversos países participantes demandou a presença das agências reguladoras e de órgãos de segurança pública, como: Departamento de Polícia Federal, INFRAERO, IBAMA, Secretaria da Receita Federal, Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, Departamento de Imigração e Assuntos Jurídicos do MRE, FUNAI, ANVISA, FUNASA, VIGIAGRO e Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade (ICMBio), já que a preservação do meio ambiente é uma das prioridades.

Complementando o Exercício, algumas empresas demonstrarão seus produtos, em exposição ou em utilização operacional, principalmente aquelas que trabalham na linha de preservação ambiental e de suas consequências. Até hoje, 35 já confirmaram presença em Tabatinga, agregando conhecimento e tecnologia.

Ou seja, além da ajuda humanitária, que pretende oferecer soluções e apoio para civis e militares em regiões remotas, desassistidas e com pouca infraestrutura, serão realizadas, durante o Exercício, Ações Cívico-Sociais (ACISOS), com prestação de serviços médicos e odontológicos à população local.

Antes do Exercício em novembro, haverá um Simpósio de Logística Humanitária (SILOGEM), de 26 a 28 de setembro, com o debate de temas ligados à região Amazônica e apresentação de estudos e discussões também nessa linha. Na mesma data, e de forma paralela, haverá uma exposição de Material de Emprego Dual. Mais de 55 empresas já realizaram inscrição para o evento.

Assim como a cidade de Tabatinga, sede do AMAZONLOG17, a cidade de Manaus terá um papel importante de apoio às diversas atividades, consequência da grande infraestrutura que a capital do Estado do Amazonas oferece. Lá, o Comando Militar da Amazônia (CMA) e outras organizações militares da Guarnição contribuirão com suporte a equipamentos e tropas, com os meios disponíveis e o conhecimento de militares experientes em operações na área de selva.

Todas as ações já tomadas e as que estão em processo para que o AMAZONLOG17 aconteça possuem amparo legal nas políticas, estratégias e acordos de cooperação internacionais dos quais os participantes são signatários.

Juntos, de forma conjunta e combinada, os países amigos terão a oportunidade de testar os sistemas logísticos em Tabatinga, a fim de desenvolver técnicas adequadas que superem os desafios de uma região tão peculiar como a amazônica.

Espera-se que este Exercício Logístico Multinacional vire modelo para ser utilizado em situações de catástrofes naturais, ou outras intercorrências, como fluxos migratórios e de refugiados, em que seja necessário fornecer ajuda humanitária à população residente e/ou deslocada, bem como aos civis e militares que estejam trabalhando na região afetada.

Para o Brasil, será uma oportunidade de testar a nova logística militar terrestre dentro dos Objetivos Estratégicos do EB, agregando conhecimentos, integrando táticas e ações, trocando informações, conhecendo tecnologias, estreitando laços com a sociedade acadêmica e levando serviços àquela região de fronteira tão importante para Brasil, Colômbia e Peru.

General Theophilo Gaspar,
Comandante Logístico do Exército Brasileiro

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