ARTIGO: Brasil não tem navios para defender sua costa

Xeque-mate

A Marinha do Brasil possui uma frota de 102 navios, distribuídos em nove Distritos Navais, seis na costa e três no interior, em áreas consideradas estratégicas. A maioria das embarcações está, até por questões históricas, no estado do Rio de Janeiro, onde se encontra a maior parte da inteligência naval brasileira. São 48 navios distribuídos por Niterói (35), Rio de Janeiro (12) e Arraial do Cabo (1). As demais embarcações da frota brasileira estão distribuídas por Salvador (8), Natal (8), Belém (11), Rio Grande / RS (5), Ladário / MS (10) e Manaus (12).

Esse número de 102 navios considera na contagem o Navio-Aeródromo São Paulo, uma vez que sua completa desmobilização possui prazo de três anos para ser concluída. Uma importante embarcação que não consta da lista é o Navio-Patrulha Maracanã, que teve sua construção interrompida devido à falência do estaleiro EISA. Também não estão incluídas as pequenas embarcações como lanchas e outros meios de porte menor (denominada de “poeira naval”).

Esse número pode parecer alto, mas a verdade é que o Brasil não possui uma frota minimamente adequada para proteger sua Zona Econômica Exclusiva, que é o território marítimo brasileiro, que hoje equivale a 40% do território continental. Atualmente o Brasil espera conseguir ampliar em mais 150 milhas náuticas, além da existente, devido à grande diversidade natural e mineral, o que inclui as reservas de petróleo do pós e pré sal.

Apesar desse cenário, o Brasil não dispõe de poder naval para defender sua costa, segundo reconhece o próprio governo. Das 11 corvetas que o país possui, quatro estão em fase de encerramento do ciclo de vida, havendo a necessidade de se acelerar o projeto da corveta Tamandaré. Assim como é essencial garantir os recursos necessários para o projeto dos submarinos convencionais e nucleares.

Em época de paz e de crise financeira do governo, é comum haver questionamentos a respeito da importância desses investimentos, porém é sempre importante lembrar que os investimentos em meios de defesa nacional, além de terem como objetivo garantir a soberania e a proteção das riquezas nacionais, são base de desenvolvimento científico, tecnológico e industrial, gerando empregos e garantindo ao país um lugar dentre as nações que seguem a evolução tecnológica industrial. O abandono do investimento em meios de defesa representa o enfraquecimento do país, não apenas militarmente, mas nos campos científico, tecnológico e industrial, tornando o Brasil dependente de tecnologias externas e mais vulnerável às flutuações da economia e humores das nações que investem nessas áreas.

Riley Rodrigues de Oliveira
Diretor-presidente – MC2R Inteligência Estratégica
www.mc2r.net
O colunista está de férias.  A coluna Xeque-Mate retorna a partir do dia 31/05

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1 Comentário

  1. 11 corvetas? Creio que você não deve ser da mídia especializada mas se coloca como grande comentarista e expert do assunto.

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