ARTIGO: É A SEGURANÇA, ESTÚPIDO!

Xeque-mate

Em 1992 James Carville, marqueteiro do candidato á presidência dos Estados Unidos, Bill Clinton, afirmou que, apesar do favoritismo do presidente George Bush (pai) nas eleições daquele ano, a recessão econômica definiria o vencedor das eleições. Ele estava certo e Clinton focou sua campanha em propostas para combater a recessão. Quando perguntaram a Carville a razão porque Clinton estava revertendo as expectativas e poderia vencer as eleições (o que ocorreu, como todos sabemos), sua resposta se tornou uma das frases mais fortes da política e do marketing: “É a economia, estúpido!”.

Hoje no Brasil muitas cidades e regiões de grande potencial (Rio de Janeiro é um caso típico) não conseguem reverter a crise econômica e fugir da recessão, atraindo investimentos e garantindo a geração de empregos. Para essas cidades a resposta é muito próxima da de Carville: É A SEGURANÇA, ESTÚPIDO! Ou melhor dizendo, é a falta de segurança. Os indicadores de criminalidade, independente da presença das Forças Armadas, da Força Nacional ou da normalidade do trabalho policial, avançam em todo o país, com exceção de pequenas ilhas de segurança, normalmente cidades do interior.

Nenhuma cidade ou país consegue se desenvolver econômica e socialmente sem segurança. Ninguém quer investir, visitar ou viver em uma cidade violenta. É por isso que os governos precisam parar de ver investimentos em segurança pública simplesmente como ações de combate ao crime. É preciso enxergar que melhorar a segurança, derrubar os índices de criminalidade, retomar territórios para a população e garantir que criminosos fiquem presos é o maior investimento que se pode fazer para melhorar a economia. Mais até do que os tão decantados investimentos em infraestrutura.

Há vários exemplos que reforçam essa visão. Fiquemos com o mais emblemático: Nova Iorque. A cidade, a mais populosa dos Estados Unidos, teve 290 homicídios em 2017, segundo dados oficiais. Isso significa uma taxa 3,4 por 100 mil habitantes. Mas não foi apenas isso: desde a segunda metade da década de 1990, quando foi implantado o programa Tolerância Zero, houve redução de 68,1% nos roubos de carros, *Redução* de 65,4% nos homicídios, de 52% nos crimes em geral e, apenas para citar o impacto no turismo, um aumento de 21,7% na taxa de ocupação dos hotéis.

Para conseguir esses resultados foram adotadas algumas medidas, como o aumento na quantidade de policiais (crescimento de 35%), sendo que hoje são 53 mil apenas na cidade de 8,6 milhões de habitantes (a região metropolitana possui 19,8 milhões). A cidade possui um amplo sistema tecnológico de segurança, com base em big data, que permite saber, em tempo real, policiais estão posicionados e onde os crimes são cometidos, permitindo um combate mais efetivo. A polícia adotou a prática de acabar com mercados públicos de venda e consumo de drogas, que aqui chamamos de cracolândias, assim como de venda de produtos roubados, falsificados e de contrabando.

Em outras palavras, foram três medidas relativamente simples, que NÃO PODEM SER REPETIDAS NO RIO DE JANEIRO OU SÃO PAULO OU QUALQUER OUTRA CIDADE BRASILEIRA DOMINADA POR NARCOTRAFICANTES. Antes que venham as críticas, deixe-me deixar claro que as realidades são diferentes, a cultura é diferente, a autonomia dos governos é diferente, sem nenhuma dúvida, o compromisso dos governantes é muito diferente.

Um exemplo: demorou mais de 30 dias para chegar ao estado do Rio de Janeiro os R$ 1,2 bilhão prometidos com *pomba* e circunstância pelo presidente Michel Temer para a segurança pública. Isso porque ele prometeu que o dinheiro seria entregue em dois ou três dias. Ainda bem não prometeu repassar em um mês, ou somente chegaria após o encerramento de seu governo.

Não se faz desenvolvimento econômico sem segurança e segurança precisa de investimentos. Quando se brinca com segurança, como fazem os governantes, se entrega as cidades e o país, e o pior, as pessoas, aos criminosos.

Riley Rodrigues de Oliveira
Diretor-presidente – MC2R Inteligência Estratégica
www.mc2r.net

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