ARTIGO: Novo membro do Alto Comando da FAB segue para o MD

Promovido ao mais alto posto da carreira, o Tenente-Brigadeiro do Ar Carlos de Almeida Baptista Júnior passou neste 26 de março, a vice-chefia do Estado-Maior da Aeronáutica ao Major-Brigadeiro do Ar Heraldo Luiz Rodrigues.

Após pouco mais de dois anos no cargo, sendo responsável pelo desenvolvimento e revisão de planos, análise de soluções e linhas de ação a serem submetidas ao alto comando, produção e aperfeiçoamento de métodos de comando e controle, e a essencial tarefa de “previsão” das capacidades futuras necessárias à Força Aérea Brasileira no bom cumprimento de sua missão, o Tenente-Brigadeiro Baptista Júnior assume a Chefia de Operações Conjuntas (CHOC) do Ministério da Defesa (MD).

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A Chefia de Operações Conjuntas (CHOC) é o órgão interno do Ministério da Defesa que presta assessoria ao Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas – EMCFA, por meio da coordenação de diretrizes de planejamento, execução e acompanhamento de temas voltados ao preparo e emprego conjunto das Forças Armadas, inclusive em operações de paz.

Por intermédio da CHOC, efetivos da Marinha, do Exército e da Aeronáutica atuam de forma integrada em operações militares de grande porte, na junção de esforços em torno de estratégias e objetivos, orientados pela Doutrina de Operações Conjuntas.

Passagem de Chefia do VICEMAER

Palavras de Despedida

 

Embora algumas organizações de planejamento militar tenham existido em épocas anteriores à Revolução Francesa, os estados-maiores gerais, em nível de força armada, têm suas origens nos exércitos francês e prussiano, no período das Guerras Napoleônicas, tendo se consolidado como estruturas imprescindíveis ao sucesso da atividade militar.

Segundo o escritor Walter Millis, a Era Napoleônica claramente mostrou que os novos conflitos armados, fruto da criação dos exércitos de massa e dos impactos da revolução industrial, elevariam a complexidade das guerras a níveis tais que apenas as experiências dos comandantes militares, assessorados por um reduzido grupo de oficiais conselheiros, como ocorria até então, não seria mais do que um passaporte para suas derrotas. 

Interpretando tais imperativos, visionários como o general francês Louis Berthier e os alemães Gerhard Scharnhorst e August Gneisenau implantaram em seus exércitos as primeiras estruturas típicas de um estado-maior, para as quais foram selecionados e treinados seus melhores oficiais. 

Tais estados-maiores, como ocorre até os dias atuais, passaram a desenvolver e revisar os planos de campanha, analisar com profundidade as diversas soluções ou linhas de ação a serem submetidas aos comandantes, desenvolver métodos de comando e controle e prever as capacidades futuras necessárias. 

Validando as decisões francesa e alemã, o século XIX testemunhou a implantação dos estados-maiores na quase totalidade das forças armadas nacionais, nos diversos níveis de organização, além de ampararem, no caso alemão, o desenvolvimento de uma terrível e eficaz arma de guerra, capaz de desafiar o mundo por duas vezes, em cerca de trinta anos. 

Senhoras e Senhores, 

Foi com muito orgulho e crença na importância do Estado-Maior da Aeronáutica que assumi, há pouco mais de dois anos, a função de seu Vice-Chefe. Ombreando com homens e mulheres de elevado comprometimento com a Força, coordenar as atividades aqui desenvolvidas – única tarefa do VICEMAER prevista em seu Regulamento de Organização – não me assustou, mas representou um grande desafio. 

As tarefas rotineiras ou esporádicas foram cumpridas, em grande parte, pelas subchefias, a partir de uma bem estabelecida regra de negócios, pela qual os limites de autoridade e responsabilidade foram firmados. 

Entendendo tais limites e as diferenças individuais, busquei não centralizar desnecessariamente; respeitei os diferentes modos de um mesmo problema ser resolvido e tentei me manter atualizado sobre os inúmeros assuntos que fluem no EMAER, no nível que julguei necessário. 

Não me desafiei na tecnicidade de cada assunto que fluiu por nossos corredores, nem me entreguei à teia que o SIGADAER pode representar à prioridade que os oficiais generais devem dar às atividades conceituais (das ideias e conceitos abstratos) e humanas (das relações interpessoais). 

E foi exatamente desses conceitos que espero ter deixado algum ensinamento àqueles que comigo mais de perto conviveram, e que relembro uma última vez: 

  • O primeiro, baseado na palavra japonesa kaizen, sugere nossa melhoria contínua – hoje melhor do que ontem; amanhã melhor do que hoje;
  • O segundo, para nos lembrar que este mundo em constante evolução não aceitará as velhas respostas para os novos problemas – portanto “pensem fora da caixa”, e
  • Em terceiro lugar, mas possivelmente o mais importante, “olhem para toda a floresta”. Se cada Órgão de Direção Setorial tem o direito e talvez a obrigação de “olhar a sua árvore”, o EMAER não cumprirá suas atribuições, a menos que consiga vislumbrar todo o cenário e analisar as interrelações das ideias e decisões setoriais, para que consiga propor ao Comandante da Aeronáutica as melhores opções para que a Força Aérea Brasileira cumpra sua missão. É por isso que o EMAER é o único Órgão de Direção Geral do Comando da Aeronáutica.

Na troca de conhecimentos e experiências com todo o efetivo do EMAER, certamente levo comigo muito mais do que aqui deixo. Além da amizade pessoal de cada um de seus integrantes, levo as experiências profissionais, as ideias ponderadas, a visão holística que apenas diferentes pontos de vista conseguem formar. A convivência com cada um de vocês me fez melhor, motivo pelo qual agradeço individualmente pela oportunidade do convívio, esperando que minhas limitações pessoais possam ser entendidas e desculpadas. Não consegui, mas tentei acertar sempre. Meu muito obrigado especial a cada um dos subchefes deste período, com os quais tive uma relação bastante estreita, sempre respeitosa e fraterna.

Além do efetivo do EMAER, cumpro com prazer o dever de agradecer àqueles que tornaram esta missão possível e agradável.

Ao Comandante da Aeronáutica, Tenente Brigadeiro Nivaldo Luiz Rossato, pela minha indicação para tão desafiadora tarefa, certamente fruto da confiança e amizade mútua que desenvolvemos pelos últimos trinta anos.

Muito obrigado por me permitir assessorá-lo segundo minhas próprias convicções e experiências.

Agradeço, também de forma muito especial, aos tenentes-brigadeiros Hélio Paes de Barros Junior e Raul Botelho, meus dois Chefes do EMAER neste período, pela amizade pessoal para comigo e minha família, pela confiança em meu trabalho e minhas atitudes e, principalmente, pela autonomia e independência que me proporcionaram nesta função.

Graças aos senhores, pude exercer na totalidade a autoridade que as estrelas que carrego no ombro me autorizam.

Como Órgão de Direção Geral, o EMAER relaciona-se interna e externamente à Força Aérea, relações estas que me proporcionaram fazer novos amigos, fortalecer antigas relações pessoais e me deixar algumas dívidas de gratidão.

Ao General de Exército Ramos e ao General de Divisão Márcio, ex e atual Vice-Chefe do Estado-Maior do Exército; aos Vice-Almirantes Edervaldo e Silva Rodrigues, ex e atual Vice-Chefe do Estado-Maior da Armada, pela amizade que superou as limitações, pela compreensão dos nossos esforços e pelo entendimento de que nossas forças armadas, apesar das diferenças existentes, devem sempre buscar o consenso respeitoso, sem o quê estaremos enfraquecidos.

 Ao Ministério da Defesa, para onde flui uma quantidade substancial dos expedientes da Vice-Chefia, com um agradecimento especial ao Vice-Almirante Leandro, Chefe de gabinete do EMCFA, com quem tive o privilégio de compartilhar inúmeros problemas, muitos deles bastante complexos, mas todos resolvidos, em muito graças à maneira serena e polida com que Vossa Excelência se relaciona.

 Ao Chefe do Gabinete do Comandante da Aeronáutica, Major Brigadeiro Damasceno, amigo pessoal de todas as horas, pela postura sempre pró-ativa e facilitadora, tanto nos processos de tramitação interna ao COMAER, quanto na intermediação dos assuntos que envolviam o VICEMAER e outros órgãos da administração pública.

 Peço permissão para agradecer aos ODS, por intermédio de seus Vices e Chefes de Estado-Maior. Com os senhores, nas atividades diárias ou nas reuniões do Conselho de Vice-Chefes, tive uma relação respeitosa, profissional e de grande amizade. Nesta “relação de Vices” pulsa muito do sangue de nossa Força Aérea. Muito obrigado.

Desempenhar esta importante função me exigiu muito mais do que os conhecimentos, as habilidades e atitudes que aprendi ao longo da vida.

Foi necessário que eu, ao final de cada jornada, conseguisse recarregar minhas energias, refletir sobre os erros e acertos e estar pronto para o dia seguinte. E isso foi muito facilitado por ter no meu lar, após cada dia, uma parceira de tantos anos a me receber com amor e compreensão: minha mulher, Cristiane, a quem renovo meu amor, por me ajudar a ser feliz.

Ao Major Brigadeiro Heraldo, amigo pessoal de tantas décadas e oficial general respeitado por seus atributos pessoais e profissionais, deixo meus mais sinceros votos de que o novo desafio seja de muitas felicidades e realizações, para você e sua família. O Estado-Maior da Aeronáutica está muito feliz com sua chegada. Conte sempre comigo.

Finalmente, e ao agradecer a cada um dos presentes por abrilhantarem esta solenidade, gostaria de me colocar à disposição de todos na minha nova função, no Ministério da Defesa, aproveitando para ratificar minha completa motivação para os novos desafios como Chefe de Operações Conjuntas do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas.

Que os benefícios vislumbrados por Berthier, Scharnhorst e Gneisenau, há mais de 200 anos, aperfeiçoados por ensinamentos de processos contemporâneos – como, por exemplo, o Goldwater-Nichols Act – possam servir de estímulo ao aprimoramento e empoderamento do nosso Ministério da Defesa, como órgão central de um sistema de defesa nacional, sem o quê a busca pela necessária interoperabilidade de nossas forças armadas jamais será atingida.

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