ARTIGO: RÚSSIA tenta invadir banco de dados do Ministério da Defesa

Xeque-mate

Em junho de 2017 um graduado oficial, que ocupa um cargo estratégico no Ministério da Defesa, informou, durante uma reunião com representantes de diversos setores das Forças Armadas, da Base da Indústria de Defesa (BID) e de segmentos empresariais, que a Pasta identificou uma tentativa de invasão a seus sistemas cibernéticos. De acordo com o relato, o rastreamento da tentativa concluiu que esta teve origem na Rússia.

Pelas informações, o alvo da tentativa de invasão foi o sistema de catalogação de produtos e empresas de defesa, onde estão registradas todas as informações, inclusive padrões técnicos, de produtos estratégicos de defesa, com os quais o Brasil (a BID) participa de concorrências internacionais do setor de defesa restritas a empresas que possuem registro no Sistema de Catalogação da Organização do Tratado do Atlântico Norte, a OTAN.

É importante ressaltar que o sistema de catalogação brasileiro (Sismicat) adota conceitos, normas e procedimentos compatíveis com o sistema de catalogação da OTAN, que reúne 62 países (mais de 60% do PIB Global), 34 milhões de Itens, 2.8 milhões de Fabricantes/Fornecedores Cadastrados e 28 milhões de utilizadores registrados. Por essa razão, a catalogação de produtos é considerada um fator estratégico para as empresas fornecedoras para as Forças Armadas e para os países, abrindo as portas para um dos maiores e mais competitivos mercados internacionais, que em 2017 movimentou US$ 1,671 trilhões e que em 2018 deverá movimentar US$ 1,670 trilhões.

Em relação aos itens catalogados, supõe-se ser essa a informação desejada, uma vez que por seus códigos levam a registros detalhados das especificações técnicas e referências dos fabricantes. O Brasil possui catalogados cerca de 2.720 empresas e 61.583 itens, além de possuir um grande pacote de projetos estratégicos em atividade e em fase de implantação nos próximos anos.

A tentativa de invasão, embora bloqueada e identificada, mostra a necessidade de maiores investimentos não apenas na proteção dos servidores e sistemas cibernéticos de defesa e segurança nacional no Brasil. Entre 2013 e 2015, foi revelado, através de documentos divulgados pelo site Wikileaks, que a Agência Nacional de Segurança (NSA) dos Estados Unidos grampeou telefones da então presidente Dilma Rousseff (incluindo do avião presidencial) e de outros ministros, diplomatas e assessores. Anteriormente já havia sido revelado que a própria NSA havia espionado e roubado dados sigilosos da Petrobras sobre a camada Pré-sal.

Em nenhum dos casos foi informado quais medidas concretas foram adotadas pelo governo brasileiro para melhorar a segurança cibernética e proteger dados sigilosos do Brasil, essenciais para a competitividade econômica global e para a segurança nacional.

Riley Rodrigues de Oliveira
Diretor-presidente – MC2R Inteligência Estratégica
www.mc2r.net

 

 

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