EDITORIAL: As lições do ARA San Juan para o Brasil

O acidente com o submarino argentino San Juan levanta temas de interesse na Indústria de Defesa na Argentina, mas também aqui no Brasil.

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Segundo o documento oficial do governo argentino “El Estado del Estado Arentino 2015” (http://www.sigen.gob.ar/pdfs/el_estado_del_estado.pdf), em 2015, quando este submarino foi renovado, o Ministério da Defesa argentino estava com o menor orçamento de sua história, se comparado ao tamanho da economia do país. Esse fator a incapacitava para cumprir suas missões e funções.

Revela ainda, o documento, que, nesse ano de 2015, a Força Aérea não contava com aviões para operar, assim como a Marinha não dispunha de barcas, e faltava ao Exército condição de atuar em todo o território do país.  As dívidas do Ministério da Defesa argentino a seus fornecedores chagavam a 4 bilhões de pesos.  70% do orçamento militar era destinado ao pagamento de salários e aposentadorias.

Com esse contingenciamento enorme, a manutenção dos equipamentos foi sacrificada e, também, o treinamento dos militares reduzido a uma expressão mínima. Exemplo do documento argentino dá conta que um barco da Marinha, com um programa de treinamento que previa 30 dias de manobras militares ao ano, somente cumpria seis.

Essa realidade não é muito diferente no Brasil e nos países do nosso continente.  Aqui, também, as nossas Forças Armadas são sempre lembradas na hora do governo decidir os  cortes orçamentários, aqui, também, elas fazem milagres de manutenção para se manterem operacionais.  Aqui, também, nossos militares recebem treinamento inadequado para o seu desempenho.

Ainda há esperança que o San Juan se salve e seus tripulantes voltem ao convívio de suas famílias e colegas.  É inegável, no entanto, que esse acidente mesmo chegando ao final feliz desejado por todos, é um alarme suficiente para o Brasil tomar as medidas que impedem equipamentos obsoletos, com má manutenção e operados por pessoas insuficientemente treinadas provocarem tragédias desnecessárias.

É fundamental que o Estado brasileiro priorize sua Defesa, não apenas na retórica dos discursos, mas efetivamente dotando o setor com os recursos necessários.

José Carlos Mattos - Editor  ID&S

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