As lições que os atletas militares deixaram

A Olimpíada foi um sucesso.  Venceu o Zica, a onda de assaltos, a revolta da população que iria atrapalhar as provas organizando protestos e outras possibilidades aterradoras levantadas por quem precisa vender jornal (ou click) e por pessoas interessadas em ver o circo pegar fogo pelas mais diferentes razões.

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Para o site Indústria de Defesa & Segurança estas Olimpíadas trouxeram um aumento imprevisto na audiência. Isto porque nós desde o início das competições priorizamos as vitórias conquistadas por atletas vinculados ao programa de incentivo ao esporte do Ministério da Defesa. E como a imprensa demorou alguns dias para realçar o fato de que a maioria de nossos medalhistas eram beneficiários deste projeto, e tinham até o posto de sargentos, nós nos transformamos em fonte de informação para quem buscava saber mais ou entender melhor o projeto.

Muito se falou e escreveu sobre o projeto.  Para alguns ele pareceu favorecer um ressurgimento do militarismo. Em dias de decepção com os políticos, muitos temeram que a “mensagem” de um sucesso olímpico ligado a um projeto militar pudesse reavivar os sentimentos que levaram ao movimento de 1964. É uma hipótese mal alinhavada, pois só quem já é militarista por princípio irá crer que um bem executado projeto de apoio ao esporte seja mais do que é. Ora, as Olimpíadas no Rio de Janeiro foram um êxito graças a um mega esforço que implementou obras viárias gigantescas, relocação de bairros, modernização dos transportes públicos, tudo feito por administrações públicas sem qualquer interferência militar. Aos militares coube o planejamento e implementação de uma norma de segurança mais estrita durante os jogos e isso também foi exitoso. Ponto. O projeto de apoio aos atletas antecedeu as Olimpíadas e, cremos, permanecerá. Qualquer outra consideração é ver “pelo em casca de ovo”, como diz a sabedoria popular. Há um ponto, no entanto, que merece a atenção de todos: o processo de seleção utilizado para a escolha dos atletas beneficiados.  Foram escolhidos baseados no mérito.

O fato de que esses atletas têm origem social diversa e que foram escolhidos com base em seus méritos e não em razão de cotas ou outras formas de assistencialismo confundiu a muita gente.  O projeto abriga uma menina humilde como Rafaela Santos, e uma menina de alta classe média (rica pela classificação do IBGE) como Martina Grael.  As duas se mostraram escolhas corretas, e conseguiram duas medalhas de ouro para o time brasileiro. Esse projeto torna difícil a “venda” do pobrismo, esse viés tão caro aos que enxergam virtudes na miséria, ou, pior ainda, usam de demagogia para iludir as mentes mais simples com uma visão na qual os pobres são a fonte das virtudes e os mais aquinhoados são culpados da pobreza existir e devem pedir eternas desculpas por seu progresso material.

O que esse projeto simples mostrou é que há pessoas que respondem bem ao receberem um apoio e a outros que pelos mais diferentes motivos não correspondem ao investimento que recebem.  E o berço não é um fator de escolha quando se seleciona a quem apoiar em um programa de excelência.  Existem os que rendem bem, os que têm concentração, força de vontade e talento e os que não conseguem externar essas virtudes sem as quais a medalha não chega, seja ela olímpica, ou seja uma bolsa de estudo, ou um primeiro investimento para um projeto comercial ou a acadêmico.

José Carlos Mattos
Editor do site Indústria de Defesa & Segurança

 

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