BID: ‘Há tabu para exportar produtos de defesa’, diz secretária de comércio exterior

O setor de defesa é estratégico para a balança comercial do País. Esta foi a ideia defendida pela Secretária-Executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex), Marcela Carvalho. Segundo ela, é preciso conscientizar os órgãos que integram o Conselho de Ministros da Camex, fórum máximo de deliberação do órgão, de que o setor de defesa é importante em termos de exportação. “Acredito que ainda há muito tabu com relação à exportação de produtos de defesa, especialmente armamentos”, avalia.

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Marcela citou os dados de 2016 organizados pela Associação Brasileira de Produtos de Defesa (Abimde), a partir do volume de exportação de suas 220 associadas. Segundo eles, o Brasil exportou US$ 2,4 bilhões, ou seja, 0,3% do valor total de U$185 bilhões de exportações da balança comercial brasileira. Entre os produtos estão aviões militares, como o A-29 Super Tucano, armamentos e sistemas. Mas, segundo dados da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), o segmento foi responsável pela geração de 3,7% do PIB. Marcela destacou que o setor emprega mão de obra altamente qualificada e com salários maiores. Isso faz com o que o efeito de renda desse setor seja maior em relação aos demais.

De acordo com a secretária, o setor tem potencial para crescer, sendo necessário adequar o apoio do governo às necessidades do setor, que são muito específicas. “Precisamos melhorar a promoção da exportação comercial, os mecanismos de financiamento, integrar os adidos que estão na ponta”, disse. A secretária ressaltou ainda a necessidade de criar inscrições dentro da classificação NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) dos produtos de defesa, para se ter uma visualização fidedigna de quais itens são mais exportados. A informação ajudará na formulação de políticas públicas adequadas à promoção comercial e de inteligência de mercado.

Um grupo de trabalho reúne-se desde julho para formalizar a entrada do Ministério da Defesa no Conselho de Ministros da Camex, órgão colegiado do governo responsável por tomar decisões sobre comercio exterior, como alteração de tarifas e medidas antidumping. Até agora foram feitos diagnóstico para saber o que o setor dispõe e o que precisa. A proposta é atuar em quatro eixos: financiamento e garantia de exportações; inteligência comercial; offset ofertante; e realização de contenciosos.

Fonte: FAB

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