BID: Pernambuco e Goias querem criar Polo de Defesa

O Ministério da Defesa (MD) tem um plano de descentralização da indústria com a criação de um novo polo fora do eixo Sul-Sudeste. A medida é estratégica. Em caso de entrada em algum conflito armado, o Brasil não ficaria tão vulnerável com a indústria espalhada em diversas partes do território. Correspondendo a 4% do Produto Interno Bruto (PIB), a Base Industrial de Defesa (BID) está despertando a atenção das federações das indústrias que veem no projeto uma forma de atrair novos investimentos e alavancar as economias tão fragilizadas dos estados. Pernambuco e Goias despontaram como protagonistas nessa disputa e lutam, palmo a palmo, por empresas e apoio das autoridades do MD. Os dois estados criaram recentemente um Comdefesa (Comitê da Indústria de Defesa), ligado às suas federações, para articular as negociações com os investidores do setor.

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Pernambuco, berço político de Raul Jungmann, tem como vantagem o apoio do titular do MD. É ele que parece ser o maior articulador do projeto de tornar o estado um polo da indústria de defesa. Presente no lançamento do Comdefesa da FIEPE, Jungmann tem se envolvido diretamente nas negociações com empresas como a árabe Caracal International e a suíça Ruag para a instalação no estado.

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Para o presidente do Comdefesa, José Antônio Simon, o estado poderia despontar no desenvolvimento de novas tecnologias de defesa, já que possui o Porto Digital. Segundo ele, Pernambuco liga o Nordeste em diversos setores e, por isso, seria o local ideal na região para o desenvolvimento do setor. Ele reconhece que a indústria de defesa é uma questão ainda insipiente para a organização e que ainda estão na fase de estudo para compreender como agregar valor à cadeia produtiva do estado.

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De acordo com ele, o objetivo inicial é suprir com insumos já produzidos pelas empresas do estado às demandas do MD. “A ideia é fomentar esse mercado que passa despercebido pelo empresariado”. Ainda segundo Simon, o setor de defesa é visto como uma boa alternativa para atrair novos negócios em meio ao cenário de crise.

Goias, por outro lado, está mais adiantado na sua estrutura. O Comdefesa da FIEGO trabalha para atrair empresas de defesa para Anápolis, município que será a casa dos novos caças da Força Aérea Brasileira (FAB), o Gripen NG. Segundo o presidente do Comdefesa da FIEGO, Anastacios Apostolos Dagios, o Comitê já conta com o apoio do governo de Goias e da Abimde (Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa) e já em março fará um seminário com as indústrias ligadas à associação para mostrar as potencialidades da região.

Dágios garante que possui alianças importantes dentro do MD, que enxergam a vantagem da presença do polo de defesa próximo a capital do País. Para ele, no atual cenário econômico, o Brasil não conseguiria criar dois novos polos de defesa e, por isso, considera Pernambuco como um concorrente de peso, já que este é apoiado diretamente por Jungmann. A opinião não é a mesma do presidente do Comdefesa da FIEPE, que não acredita que haja concorrência entre os dois estados, já que as Forças Armadas possuem núcleos em todo o País.

Concorrendo ou não, os estados permanecem na busca por alavancar suas economias a partir do setor de defesa. De 10 a 23 de março, uma comitiva do MD vai levar empresários e representantes dos Comdefesas a cinco países para tratar de negócios: Argélia, Índia, Grécia, Vietnã e Chile. Vale ficar atento às negociações.

Por Christiane Sales – Indústria de Defesa & Segurança 

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