BRASIL é um gigante que se esforça para tornar anão

Xeque-mate

Considerando a estrutura das forças militares o Brasil é considerado a 17ª potência militar global, em uma lista de 133 países, segundo o Global Fire Power Index. Sua estrutura conhecida é composta por 697 aeronaves, 469 tanques, 1.7907 veículos de combate armados, 112 peças de artilharia de autopropulsão, 563 peças de artilharia rebocada, 180 lançadores de foguetes, 110 ativos navais, como 9 fragatas, 4 corvetas, 5 submarinos, 34 navios patrulha e 6 navios calça minas. A força militar é formada por 334.500 militares na ativa, 1.652.500 na reserva, 3,4 milhões atingindo a idade do serviço obrigatório, 84 milhões prontos para servir e um total de 107 milhões de pessoas consideradas mão de obra disponível para casos de esforço de guerra.

.: Leia também: BRASIL desce duas posições no ranking das maiores potências militares do mundo

Mas esses números são enganadores: em 2017 o governo empenhou no Ministério da Defesa R$ 93.12 bilhões (US$ 29,41 bilhões), dos quais apenas RS$ 8.52 bilhões para investimentos (9,15%). O valor empenhado teve um aumento de 9% em relação a 2016, quando os investimentos ficaram em 8,22% do empenho total. Apesar desse crescimento, tanto no valor empenhado quanto no investimento, o Brasil mantém os recursos destinados a defesa e segurança nacional muito abaixo das economias grandes e médias. Inclusive, de diversos países latino americanos.

Em 2017, o Brasil empenhou para defesa e segurança nacional apenas 1,41% do Produto Interno Bruto (PIB), bem abaixo do piso de 2% que há décadas vem sendo pedido pelo próprio Ministério da Defesa. Proporcionalmente o Brasil é apenas o 73º país em recursos direcionados para defesa, em uma lista de 150 países, de acordo com o The Military Balance 2018, do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, um dos mais importantes think tanks globais de pesquisa sobre política e conflitos militares.

A situação do Brasil não é boa nem quando comparada com a América Latina, região onde é a principal economia e possui a maior força militar. O Brasil aparece apenas na oitava posição entre 28 países, com empenhos em defesa e segurança nacional em relação ao PIB inferior a Colômbia (3,25%), Trinidad e Tobago (2,93%), Antigua e Barbuda (1,76%), Equador (1,59%), Guiana (1,57%), Chile (1,49%)e Bolívia (1,44%). Esses dados, apenas da América Latina, joga por terra o argumento comum de que países que investem mais em Defesa são aqueles em condições de conflito.

Destinar recursos para Defesa e Segurança não significa aumentar o poder militar, simplesmente. O Brasil possui 16.866 km de fronteiras terrestres e 7.367 km de fronteiras marítimas, além de 4.093 aeroportos, aeródromos e pistas de pouso oficiais (atrás apenas dos Estados Unidos). Dessas pistas, apenas os principais aeroportos possuem alguma estrutura de segurança e fiscalização de cargas. Muitas são usadas para o tráfico de drogas e armas. As fronteiras ditas terrestres são constituídas principalmente por rios (50%), serras (25%) e lagos (5%), das quais apenas 4% estão protegidas. Sem um Exército forte e bem equipado, assim como a Força Aérea, o Brasil não consegue garantir a mínima segurança às fronteiras terrestres e aéreas.

O território marítimo brasileiro, a zona econômica exclusiva (ZEE) do Brasil, possui 3,6 milhões de km² – equivalente à superfície da floresta Amazônica, área que poderá ser ampliada para 4,4 milhões de km² em face da reivindicação brasileira perante a Comissão de Limites das Nações Unidas. Caso a reivindicação seja aceita, o Brasil irá prolongar sua plataforma continental em 900 mil quilômetros quadrados de solo e subsolo marinhos, que o país poderá explorar.

Conhecido como Amazônia Azul, o território marítimo brasileiro possui valor incalculável para as ciências, especialmente em relação à biodiversidade e mineralogia. Além disso, possui um enorme valor comercial, pela presença de grandes reservas de metais e pedras preciosas (como ouro e diamantes, por exemplo). Sem uma marinha de guerra forte, o Brasil fica exposto à pilhagem, além de atos de pirataria, cada vez mais comuns, e o uso dos 7 491 quilômetros de extensão do litoral para atividades ilícitas, como contrabando de drogas, armas, biocontrabando e outros.

Além disso, investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação no âmbito da Base da Indústria de Defesa (BID) gera produtos que possuem centenas de usos civis, pela alta tecnologia empregada no desenvolvimento.

Ao contrário do que acontece em todos os países mais desenvolvidos científica e economicamente que o Brasil, Defesa e Segurança Nacional são pautas permanentes e de grande interesse político e público. Está sempre no centro dos debates, especialmente nas eleições presidenciais. No Brasil esse é um ponto que jamais aparece nas discussões políticas nacionais, exceto como uma nota de rodapé.

As forças Armadas estão sendo desmoralizadas ao serem tratadas como forças auxiliares das polícias. Nada contra a intervenção no Rio de Janeiro, pelo contrário, apesar das críticas à forma como foi feita. Mas desde 1992, na Cimeira, as Forças Armadas não ficaram um ano, em média, sem que tivessem de assumir funções de polícia no Rio de Janeiro. Sem que tivessem ou tenham orçamento para cumprir as medidas de Garantia da Lei e da Ordem ou mesmo a intervenção.

É hora de o governo respeitar as Forças Armadas, garantindo os recursos para sua manutenção e seu crescimento adequado ao patamar mínimo compatível com as necessidades do Brasil. Para começar, é hora da imprensa e da população colocar de forma visível na mesa de debates das eleições o tema Defesa e Segurança Nacional, com toda a sua importância para o desenvolvimento científico, tecnológico e econômico do Brasil.

Riley Rodrigues de Oliveira
Diretor-presidente – MC2R Inteligência Estratégica
www.mc2r.net

VEJA TAMBÉM EM

53245_6

 

Leave A Reply