BRASIL inaugura telescópio russo para monitorar lixo espacial

Fonte: AEB//

O Brasil inaugurou um telescópio russo, instalado no Observatório Pico dos Dias, na semana passada. O equipamento vai garantir o rastreamento e monitoramento do lixo espacial que representa hoje um dos maiores riscos às operações espaciais no mundo. O termo de cooperação entre o Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA) e a Agência Espacial Federal Russa (Roscosmos), intermediado pela AEB consolidou o projeto que teve início em 7 de abril de 2016. Durante a cerimônia de inauguração, o diretor da Roscosmos, Igor Komarov, anunciou a instalação de mais duas estações de monitoramento no país.

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Primeiro telescópio da Roscosmos no hemisfério sul, o equipamento foi capaz de detectar cerca de 200 detritos espaciais numa única imagem. “Existe uma preocupação em proteger os satélites da Rússia e do mundo inteiro dos detritos espaciais e, com isso, garantir que os serviços dos satélites não sejam comprometidos. Tudo que utilizamos no dia a dia corre risco de interrupção caso um satélite em órbita seja danificado”, explica o diretor do LNA, Bruno Castilho. De acordo com o presidente da AEB, José Raimundo, a necessidade de a Rússia instalar o primeiro telescópio no Brasil criou uma ocasião favorável para o Brasil evoluir nas pesquisas acadêmicas na área espacial, principalmente no momento em que outras duas estações terrenas devem ser instaladas em território nacional.

Com o novo equipamento, um investimento de R$ 10 milhões feito pela Roscosmos, o LNA poderá detectar e mapear detritos na órbita do planeta, fragmentos de foguetes e pedaços de satélites que vagam pelo espaço, para criar uma base de dados com a localização e a trajetória dos objetos que apresentam risco de colisão com satélites artificiais ativos ou, no caso de objetos maiores, com o planeta Terra depois de entrar na atmosfera. A base de dados, que ficará sob responsabilidade da agência russa, vai orientar a adoção de medidas para evitar eventuais colisões. “O LNA vai ter cópia de todas as imagens, que poderão ser usadas para pesquisas em astronomia, supernovas, estrelas variáveis e asteroides. Todos os astrônomos brasileiros poderão utilizar os dados, desde que apresente um projeto de pesquisa solicitando as imagens para determinado fim“, afirma Castilho.

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USO DO ESPAÇO
“A Rússia já tinha um acordo desde 1997 com a AEB/MCTIC para uso pacífico do espaço, na área de satélites, e como eles precisavam de um telescópio no hemisfério Sul procuraram primeiro o Brasil”, ressaltou o diretor do LNA, Bruno Castilho. Em fase de testes o telescópio detectou cerca de 200 detritos espaciais em apenas uma imagem. “Existe uma preocupação em proteger os satélites e, com isso, garantir que os serviços não sejam comprometidos. Tudo que utilizamos no dia a dia corre risco de interrupção caso um satélite em órbita seja danificado”, afirma Castilho. Segundo o diretor da Research and Production Corporation “Precision Systems and Instruments”, Yuri Roy, o telescópio é da mais alta tecnologia russa, com equipamentos inovadores e complexos, capazes de detectar objetos entre 12 e 50cm a uma altura de 120 a 50 mil quilômetros, sendo possível localizar até 800 itens em uma noite. Além disso, como o sistema é automatizado, precisa-se de pouca mão de obra. A lista de alvos a serem analisados é preparada na Rússia e enviada por e-mail aos operadores brasileiros, que então fazem as observações solicitadas.

Yuri Roy informa ainda que a implementação do Panoramic Electro Optical System (Pan-Eos) no Brasil permitirá a formação e o desenvolvimento de recursos humanos altamente qualificados em uma área de grande importância para a segurança das atividades espaciais, além de contribuir com a segurança do Programa Espacial Brasileiro. O sistema também será responsável pela criação de uma base de dados referente à localização e às orbitas de objetos que poderão causar colisão com satélites artificiais. As imagens geradas pelo equipamento também vão contribuir com a pesquisa brasileira, favorecendo estudos sobre asteroides, cometas e estrelas. Todos os dados e fotos ficarão disponíveis para a comunidade científica. Os interessados em ter acesso a esse material para fins científicos precisarão fazer uma requisição ao LNA. “Vamos ter acesso a uma grande quantidade de dados sem custos para o país”, disse Castilho.

POR QUE O BRASIL? 
Em novembro de 2016, uma equipe russa desembarcou no Brasil e se juntou a pesquisadores brasileiros para dar início à instalação do telescópio na cúpula de seis metros de diâmetro no Observatório do Pico dos Dias. O que a Roscosmos quer é fotografar “essa parte do céu” para ampliar o mapeamento da órbita terrestre e o monitoramento do lixo espacial. A agência possui um telescópio semelhante na Rússia que acompanha a movimentação dos objetos “na parte norte” da órbita terrestre. “A Rússia queria um instrumento desses no hemisfério sul. Para a escolha do Brasil e do Observatório do Pico dos Dias foram considerados vários fatores que vão desde a localização, passando pela infraestrutura do LNA e dos nossos laboratórios. A inauguração desse telescópio é fruto de um convênio de cooperação científica dentro do acordo dos Brics, assinado em 2016″, esclarece o diretor do LNA.

Desde a assinatura do acordo de cooperação científica até a inauguração do telescópio, o projeto cumpriu todas as etapas do seu cronograma dentro do prazo estipulado de um ano. “Foi tudo exatamente dentro do cronograma. Os equipamentos chegaram em outubro, os profissionais russos responsáveis pela instalação e orientação da equipe brasileira em novembro e, em fevereiro, a montagem foi concluída. Em um ano desde a assinatura do projeto, o equipamento foi consolidado e entra em operação funcionando perfeitamente.” A Fundação de Apoio à Pesquisa de Itajubá (Fupai) vai gerenciar os recursos de operação e manutenção do equipamento e os custos da equipe. No dia 5 de abril, um engenheiro russo desembarca no Brasil para treinar os técnicos brasileiros que vão comandar o telescópio. “Estamos abrindo uma porta de colaboração com a Rússia, que tem enorme tradição na astronomia. Esse acordo é uma abertura para novos acordos futuros. O prazo inicial de operação do telescópio é de seis anos, renovável até quando o projeto de mapeamento dos detritos for importante”, diz Castilho.

A instalação do telescópio faz parte do projeto da Agência Espacial Russa intitulado Panoramic Electro-Opical System for Space Debris Detection (PanEOS) que prevê a construção e operação de uma rede de instalações desse tipo de telescópio na Rússia e em vários outros pontos do planeta. A África do Sul, também dos Brics, é um dos países do hemisfério sul onde a Roscosmos pretende instalar outro exemplar desse telescópio.

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