BRIGADEIRO ROSSATO defende projetos de Defesa na Câmara

Fonte: Câmara//

O comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), tenente-brigadeiro Nivaldo Luiz Rossato, disse nesta quarta-feira (17) aos deputados da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional que é necessário manter um fluxo de recursos para o setor para que os projetos estratégicos do país não parem. Ele citou como exemplos desde a manutenção de 170 pistas de pouso na região Amazônica até o desenvolvimento do cargueiro KC-390 da Embraer. “Nós não temos ameaças no Brasil. Costumamos dizer que não temos ameaças. Porém, tenho certeza, as ameaças à nossa soberania, elas existem. Mas elas não vão falar, não vão dar aviso prévio. Elas vão aparecer de uma hora para outra. Temos que estar preparados”, afirmou.

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Rossato disse ainda que a Argentina está gastando 12 vezes mais que o Brasil em projetos espaciais. Ele afirmou que o lançamento do primeiro satélite brasileiro no início do mês não esgota as necessidades do País. Segundo o comandante, existem planos para o lançamento de outro satélite semelhante e de microssatélites para comunicações e geração de imagens. A Câmara dos Deputados quer ouvir os Comandantes das Forças Armadas para avaliar os projetos estratégicos, os programas de cooperação internacional do Brasil na área de Defesa e os planos para o desenvolvimento tecnológico de cada Força. Veja alguns dos pontos discutidos durante a audiência.

CENTRO DE LANÇAMENTO DE ALCÂNTARA (CLA)

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De localização privilegiada para o lançamento de artefatos aeroespaciais, o “Centro de Lançamento de Alcântara poderá ser usado para qualquer país que tenha interesse em fazer acordo com o Brasil”, garantiu o Oficial-General. O comandante da FAB explicou, porém, que é favorável à comercialização da Base de Alcântara, no Maranhão, para o lançamento de satélites de qualquer país. “A salvaguarda é indispensável. Porque nenhum país vai colocar os seus equipamentos aqui sem que tenha a garantia da salvaguarda desses equipamentos”, afirmou o tenente-brigadeiro. “Então [a base de]Alcântara é um centro muito bem estruturado e é a melhor localização que existe no mundo para lançamento de satélites. Ele reduz expressivamente o gasto de combustível com aumento da carga útil do satélite. Então Alcântara está pronta há mais de 20 anos e ele precisa ser utilizada.”

COMPRA DO GRIPEN

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Nivaldo Luiz Rossato também foi questionado se a decisão de comprar 36 caças de uma empresa sueca em 2015 teria sido política. O ex-presidente Lula é réu em uma ação do Ministério Público que apura a possibilidade de ele ter favorecido a empresa junto à ex-presidente Dilma Rousseff. Rossato afirmou que, entre as três opções da lista final, a escolha da ex-presidente foi a mesma da FAB. Ele disse que existe uma equipe de engenheiros brasileiros na Suécia por causa do acordo de transferência de tecnologia que foi feito e que o avião era o de melhor custo-benefício. 60% do avião terão fabricação nacional.

KC-390
“A aviação é indispensável e cara. Com o projeto estratégico da aeronave de transporte e reabastecedora KC-390 já foi gasto R$ 4 bilhões. A entrega de 28 aeronaves começa em 2018”, afirma o Tenente-Brigadeiro Rossato. A concepção e desenvolvimento do projeto do cargueiro é 100% nacional. “A importância do KC-390 se explica não só pela capacidade de exportação e geração de riquezas, mas a criação de 8.500 empregos”.

SETOR ESPACIAL
Aos parlamentares presentes, o Tenente-Brigadeiro Rossato lembrou o sucesso do lançamento do primeiro satélite brasileiro, o SGDC (Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas), no dia 4 de maio. O satélite já está em órbita, em fase de testes. O Comandante da Aeronáutica anunciou que os requisitos para um segundo SGDC já estão sendo levantados. Ele analisou a valorização do setor aeroespacial em países vizinhos. “A Argentina investe 1,2% do PIB no setor aeroespacial, enquanto o Brasil investe 0,1%”, comparou. A Comissão Aeronáutica do Brasil na Europa está conduzindo a licitação para contratação de serviços de satélite, que poderão ser usados por diversos órgãos públicos, como o Ministério da Defesa e o Ministério do Meio Ambiente.

ARTILHARIA ANTIAÉREA
Como projetos futuros à espera de recursos, o comandante da FAB citou um sistema de artilharia antiaérea e o desenvolvimento de aviões não tripulados.

PRIVATIZAÇÃO DO CONTROLE AÉREO
img20170517129434378336No controle de tráfego aéreo, a FAB emprega cerca de 12 mil profissionais. O Comandante anunciou a Parceria Público-Privada (PPP) que está em andamento para gerência das redes de telecomunicações do Comando da Aeronáutica. “Haverá um contrato único para substituição de 68 existentes, economia de 25% dos valores que são gastos hoje, além do acompanhamento de inovações tecnológicas”, detalhou os benefícios que a PPP trará para a FAB. A previsão de contratação é no final de 2017.

DEFESA AÉREA 
Tenente-Brigadeiro Rossato afirmou que para fiscalizar 17 mil quilômetros de fronteira é preciso aeronaves mais modernas. “Temos A1-AMX e F5 com mais de 40 anos de atividade, aeronaves de alcance restrito”, explicou. Por isso, a FAB tem grande expectativa com a chegada dos caças suecos, o Gripen NG. “Compramos 36 Gripen, escolha que ficou em discussão por quase 20 anos. Absorção de tecnologia, desenvolvimento da indústria nacional, além de grande capacidade dissuasória são os destaques dessa aquisição para o País”, enfatizou.

INTEGRAÇÃO DO BRASIL
Metade da frota de aeronaves da FAB é para transporte. “Isso não é comum nas outras Forças Aéreas, mas sim no Brasil, devido as suas características”, afirmou o Comandante, ao explicar o trabalho da FAB na região Norte do País, em apoio ao Exército Brasileiro, que emprega cerca de 26 mil militares na região amazônica. Além disso, a FAB atua na construção de pistas de pouso para facilitar o tráfego aéreo numa região carente de rodovias. A realização é da Comissão de Aeroportos da Região Amazônica (COMARA). O Comandante destacou que para manter todo esse trabalho em pleno funcionamento é preciso recursos. “O contingenciamento atrapalha muito. Se não houver recursos garantidos para manutenção do que foi construído, o número de pistas vai diminuir, até ficar igual ao da década de 1950”, alertou.

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