CIA espionava Engesa

Fonte: ID&S //

A agência de Inteligência Americana, CIA, divulgou centenas de documentos até então considerados secretos. Trata-se de aproximadamente 930 mil documentos ( longos relatórios, telegramas, análises regulares e cabos diplomáticos), totalizando mais de 12 milhões de páginas. Sobre o Brasil, há pelo menos 11 mil estudos elaborados entre 1940 e 1990. Parte deles refere-se à antiga Engesa, fábrica de blindados brasileira que teve seu auge na década de 1980. Todos os arquivos estão disponíveis no site da agência para consulta e o sistema permite ainda a busca por palavras-chave.

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SOBRE A ENGESA
A Inteligência americana acompanhou de perto a indústria de defesa brasileira. Um documento de 1987 é intitulado como “Brasil e alta tecnologia: fonte para o bloco soviético”. Nele, os agentes americanos apontam o Brasil como um potencial fornecedor para o bloco opositor dos Estados Unidos durante a Guerra Fria.

Outro relatório de agosto de 1978 relata a “primeira identificação da fábrica de blindados da Engesa” em São José dos Campos (SP) e descreve detalhes da planta. Há ainda um documento de julho de 1984 que exibe um painel geral da exportação de equipamentos de defesa pelo Brasil. “A concentração de vendas para o Oriente Médio – o Iraque e a Líbia absorvem mais da metade das exportações de armas brasileiras – fazem com que o Brasil fique extremamente vulnerável se ocorrer um corte brusco de demanda na região”, diz o documento, que também demonstra a preocupação dos analistas com vendas brasileiras para “países hostis aos EUA”.

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Um dos documentos também faz uma análise sobre a criação da Órbita Sistemas Aeroespaciais S.A., uma sociedade entre a Embraer e Engesa. Assim como a Engesa, a Órbita fechou as portas na década de 1990. A fabricante de mísseis é descrita com cuidado pelos agentes americanos.

“Acreditamos que o forte desejo da Engesa de diversificar sua operação também ajudou a criar a nova empresa (Órbita). Os executivos da Engesa provavelmente esperam que o foco da Órbita em míssil e tecnologia vai complementar a linha de produção da Engesa e fornecer entrada a um novo mercado entre o Brasil e consumidores do terceiro mundo. De fato, funcionários da Órbita acompanharam representantes da Engesa e da Embraer em viagens internacionais. General Piva, por exemplo, viajou para os Emirados Árabes, Iraque e Líbia em 1987 para discutir projetos da Órbita”.

SERVIÇO
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1 Comentário

  1. A Engesa é um dos melhores capítulos da história da Indústria de Defesa brasileira. Ainda está para ser escrita a sua história e há muito que aprender tanto nos seus acertos quanto nos seus enganos.

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