CUT-SP teme que acordo com Boeing leve ao fim da Embraer

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A CUT- SP teme que a parceria Boeing-Embraer leve a extinção da empresa brasileira. “Do ponto de vista da soberania, a gente pode perder a principal empresa brasileira. E a gente pode ter o mesmo fim que teve a McDonnell Douglas, que só ficou com o símbolo dela. A Boeing incorporou e só ficou o símbolo. Acabou a empresa. O mesmo pode acontecer com a Embraer”, disse o secretário geral da CUT-SP, João Cayres. A McDonnell Douglas foi uma fabricante de aviões norte-americana comprada pela Boeing em 1996. Desde então, todos os aviões comerciais anteriormente em produção pela McDonnell Douglas pararam de ser produzidos para evitar concorrência contra a Boeing.  

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“Eu acho um equívoco, porque ela poderia desenvolver, assim como os americanos desenvolvem, muita tecnologia. A Boeing não é estatal, mas tem muitos investimentos estatais e com esses investimentos ela desenvolve toda uma cadeia de suprimentos, uma cadeia tecnológica e uma indústria e o complexo militar. Então é uma coisa que o Brasil vai perder se realmente se concretizar(a venda). E aí gera outro problema. A Embraer, por ser uma empresa privada, já tem plantas nos Estados Unidos, terceirizou varias operações no México. A gente já tem problema. Se a Boeing de fato comprar, para ela fechar as operações aqui não vai demorar”, avaliou Cayres.  

Outra preocupação do sindicato, que dá suporte aos funcionários da Embraer em Gavião Peixoto, é o efeito da parceria Boeing-Embraer sobre o desenvolvimentos dos caças Gripen, da Saab. “Não sei como vai ficar, por exemplo, esse acordo com os suecos. É uma preocupação muito grande porque pode destruir toda uma aliança estratégica que foi feita com a Suécia”, disse.

“No caso da Embraer, a gente já tem problema hoje porque a gente não detém 100% da tecnologia. Até para vender os Super Tucanos a gente precisa de autorização dos Estados Unidos porque a gente não domina todo o processo. Agora, imagina se a Boeing comprar”, analisou.

Para Cayres, o Brasil deveria dar suporte a Embraer para desenvolver tecnologia nacional. De acordo com o sindicalista, a CUT-SP vai se reunir com os funcionários da unidade de Gavião Peixoto na próxima semana para discutir possíveis medidas para a garantia dos direitos dos trabalhadores da região. “Era um setor que, em princípio, a Boeing não iria mexer, mas estamos vendo notícias de que existe um interesse no setor militar”. 

Fonte: Indústria de Defesa & Segurança

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