DEFESA articula mais recursos para o Programa Espacial Brasileiro

Em audiência no Senado, representantes do Ministério da Defesa (MD) defenderam a destinação de mais recursos para o desenvolvimento do Programa Espacial Brasileiro. Segundo o chefe de Assuntos Estratégicos do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas do Ministério da Defesa, Tenente-Brigadeiro do Ar Alvani Adão da Silva, a falta de concursos regulares e a pouca previsão orçamentária para o setor são os principais entraves enfrentados. Enquanto o orçamento anual dos Estados Unidos destina US$ 40 bilhões para seu programa espacial, o Brasil destina apenas US$ 100 milhões. Já a Argentina investe mais de US$ 1 bilhão.

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O programa compreende pesquisa e desenvolvimento das tecnologias de veículos lançadores, de produção de satélites e da exploração espacial em geral no Brasil. De acordo com o Brigadeiro, o programa espacial já alcançou uma competência significativa, mas ainda está aquém do que seria necessário para o país. O militar defendeu também a importância estratégica do Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, para o programa espacial. E afirmou que a defesa sempre foi estímulo para o avanço tecnológico e para o desenvolvimento econômico. “É muito difícil pensar em soberania sem pensar em autonomia tecnológica no campo da defesa”, declarou.

AGÊNCIA ESPACIAL BRASILEIRA
O presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), José Raimundo Braga Coelho, disse que a missão da entidade é extremamente complexa, pois envolve a defesa do governo e da sociedade. A agência é a responsável pelo programa espacial brasileiro desde 1994. Ele defendeu o uso comercial da Base de Alcântara, com o lançamento de um satélite mais moderno, capaz de atender a demandas empresariais. Coelho ainda sugeriu mudanças na governança do setor, com uma agência mais leve e ágil, a exemplo do que é a Nasa, nos Estados Unidos, e outras agências europeias. “O desenvolvimento tecnológico é um pilar muito importante para o desenvolvimento econômico, para o bem-estar da Nação e para a sua defesa”, ressaltou.

Para o diretor de Assuntos de Defesa e Segurança da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Joanisval Brito Gonçalves, é impossível dissociar o desenvolvimento tecnológico da defesa nacional, pois “não é possível defender um país com paus e pedras”. Gonçalves disse que foram os programas espaciais que permitiram o desenvolvimento de itens usados no dia a dia — como o velcro, o pincel atômico e o micro-ondas ou ainda celulares e aplicativos de localização.

Gonçalves apontou ainda a Base de Alcântara como um projeto estratégico e de localização privilegiada — o que daria à base um diferencial competitivo — mas observou que o centro está “subutilizado”. Ele também defendeu uma governança mais moderna e mais investimentos em planejamento, para que o programa espacial brasileiro seja mais eficiente. “Precisamos de reflexão estratégica, precisamos pensar em um projeto de Brasil. Não dá para tocar um programa espacial com contingência e sem vontade política”, argumentou.

Fonte: Senado

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