Diretrizes da SEPROD para 2017

Fonte: ID&S//

Podemos dizer que o governo tem feito grande esforço para assegurar a manutenção dos projetos estratégicos prioritários, garantindo recursos na lei orçamentária para que esses empreendimentos possam lograr êxito, e, principalmente, para que possam atender as expectativas de aumento de capacidade produtiva e operacional do Brasil. No entanto, considerando a realidade fiscal que vivemos, precisamos avançar e inovar.

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Primeiramente, a política para a indústria de defesa precisa ser uma política de Estado e percebida pela sociedade como essencial não apenas para assegurar a soberania nacional, mas também para garantir a independência tecnológica. Está mudança de percepção é diretriz central do nosso trabalho. Dentro deste contexto, as obtenções das Forças Armadas precisam ser um instrumento efetivo de política industrial. No entanto, o vetor doméstico não será suficiente para permitir a operação lucrativa da indústria brasileira. Por essa razão, é fundamental que voltemos os nossos esforços para a abertura do mercado externo, buscando novas parcerias e retomando as relações com nações amigas e tradicionais para que possamos facilitar o acesso das empresas brasileiras nas cadeias globais de valores.

Precisamos ampliar nossos esforços para aumentar as nossas exportações, buscando espaços ainda não alcançados pelo Brasil no mercado internacional, com inteligência comercial e com o desenvolvimento de mecanismos mais robustos, capazes de ampliar o acesso do Brasil nas cadeias globais de valor. Como parte da estratégia para dar o devido andamento às ações mencionadas, estamos desenvolvendo a instituição da Inteligência Comercial.

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Outro aspecto importante da nossa orientação é dotar a nossa base de defesa de efetiva capacidade tecnológica. Precisamos definir as nossas prioridades e, principalmente, colocar em prática uma efetiva política de obtenção, em que as necessidades e as capacidades de respostas das Forças Armadas possam ser traduzidas em requisitos operacionais. Na nossa visão, este alinhamento é essencial para que possamos ter uma efetiva política industrial, em que a base industrial e tecnológica de defesa possa ser dotada de previsibilidade de demanda e, principalmente, de senso de prioridade e de urgência.

Além disso, estamos apoiando nossas empresas com a participação em diversas feiras internacionais, estabelecendo diálogos bilaterais para a indústria de defesa, e retomando parcerias estratégicas tradicionais. Recentemente, realizamos o diálogo de defesa com os Estados Unidos, que abriu possibilidades para o reconhecimento mútuo de certificações. Desta forma, os produtos brasileiros exportados para o mercado americano poderiam ser certificados por laboratórios brasileiros, evitando todas as barreiras da burocracia internacional.

Também estamos buscando aumentar as parcerias comerciais e estratégicas com outros países. O Brasil é um importante player global e precisa ser visto desta forma no mercado internacional. Nessas relações, queremos aumentar o tamanho do mercado paras as empresas brasileiras e abrir janelas de oportunidades para o desenvolvimento conjunto e para a transferência de tecnologia. Ao invés de simplesmente adquirir produtos de defesa, queremos buscar parceiros estratégicos. Como exemplo, citamos a relação Brasil e França no desenvolvimento do submarino nucelar e a relação Brasil e Suécia no desenvolvimento do Gripen.

Sabendo que neste mercado, nenhum país detém toda a tecnologia, a busca pela cooperação é vital para que as empresas possam operar com escalas industriais lucrativas e para que possamos saber quais os reais parceiros no desenvolvimento da indústria brasileira de defesa.

Por Flávio Basílio
secretário de Produtos de Defesa do Ministério da Defesa

 

 

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