EMBRAER: Parceria com a Boeing é vantajosa sob aspecto comercial e militar, diz Henrique Rzezinski

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Uma parceria entre Embraer e Boeing traria vantagens comerciais, militar, geopolítica e tecnológica para o Brasil. Esta é a visão do ex-vice-presidente da Embraer Henrique Rzezinski. Em entrevista ao site Indústria de Defesa & Segurança, Rzezinski, explica os efeitos de um possível acordo entre as duas empresas.

PARCERIA EMBRAER E BOEING
Isso é uma coisa que dentro da Embraer era discutida. Eu, particularmente, tinha uma predileção por uma aliança com a Boeing. Eu colocaria três posições pelas quais eu acho que é absolutamente positivo esse movimento, dimensão comercial, de defesa e de geopolítica estratégica.

VANTAGENS COMERCIAIS
Pela dimensão comercial, faz todo sentido uma associação com a Boeing, principalmente agora que a Airbus e a Bombardier estão juntas. A Boeing tem o máximo interesse – assim como a Airbus – de disputar o mercado dos wide bodies, onde está concentrada toda pesquisa tecnológica e a grande disputa entre os dois gigantes. Os aviões do porte da Embraer estão integrados no que a gente chama de cash cow. É onde a operação comercial é mais significativa. Hoje, os wide bodies são menos rentáveis que os aviões 737 e seus sucessores. E esse segmento, tanto na Embraer como na Bombardier, é muito mais produtivo, muito mais economicamente viável que uma estrutura pesada como a da Boeing e da Airbus. Então a Boeing tem o máximo interesse de concentrar toda a sua atuação no wide bodies e ter uma parceria no segmento inferior porque a Embraer tem vantagens competitivas grandes. Eu diria que, para a Boeing, a Embraer tem vantagens competitivas muito maiores do que a Bombardier tem para a Airbus. Isso faz que do lado da Boeing haja um interesse grande numa aliança. Não sei ainda a forma que poderia se buscar nessa aliança. Mas certamente não seria uma venda, na minha opinião. Pelo menos era isso que nós vislumbrávamos (em 2009). Não acho que faça sentido uma venda. Acho que faz sentido uma aliança comercial. Tem que ser uma aliança muito bem estruturada e que dê aos dois uma vantagem competitiva enorme.

ACESSO A TECNOLOGIA
O interesse da Embraer é basicamente o acesso a tecnologia. Porque a tecnologia é desenvolvida em dois fronts: militar e dos wide bodies. Para que a Embraer continue no estado da arte é fundamental ela ter acesso privilegiado a tecnologia. Então para a Embraer é muito importante esta aliança sob o ponto de vista tecnológico.

PONTO DE VISTA MILITAR
Sob o ponto de vista militar, aí é que faz mais sentido ainda. Ao contrário da Airbus, a Boeing tem uma divisão de defesa extremamente desenvolvida e é uma das principais empresas de fabricação de aviões militares. Para a Embraer faz todo sentido ter acesso privilegiado a esta tecnologia e estabelecer uma relação muito próxima com a Boeing. Na minha opinião, fazia mais sentido a fabricação dos caças com a Boeing do que com a sueca (Saab) por estas razões.

VISÃO GEOPOLÍTICA
Até hoje o Brasil tem tido uma posição – não sei se o termo que eu vou usar é o mais adequado – muito provinciana em estabelecer um tratado hemisférico na área de defesa. O Brasil é o único país na América Latina que pela existência da Embraer tem condições de estabelecer um plano de soberania em defesa. Isso, sob o ponto de vista da agenda bilateral Brasil-EUA, dá ao Brasil uma posição muito mais protagônica que ele tem ainda em relação ao resto do hemisfério, inclusive em relação ao México. Então faz todo sentido, começar negociar na agenda bilateral dos dois países uma visão de defesa hemisférica. Uma coisa que faça com que o Brasil passe ter um protagonismo de defesa hemisférica, que hoje é meramente americano. Interessa aos Estados Unidos muito porque não é só nessa área que eles gostariam de estabelecer uma relação estratégica com o Brasil, na área de energia também. Então você tem alguns setores vitais onde uma aliança entre Brasil e Estados Unidos, obviamente com total soberania do Brasil, interessa e, obviamente, esta questão com a Boeing se insere nesse interesse.

FUTURO DA AVIAÇÃO BRASILEIRA
Para mim, essa questão é fundamental para o futuro do Brasil na aviação. A Embraer tem uma das coisas mais importantes para estabelecer essa aliança, que é a massa crítica de cérebros. Porque você não pode querer estar no estado da arte em um setor tão avançado tecnologicamente como o setor de defesa sem que você tenha cabeças suficientes para trabalhar em conjunto e absorver essa tecnologia. Eu abriria uma quarta dimensão que é o desenvolvimento tecnológico. E a gente sabe que o desenvolvimento da área de aviação não se restringe somente a ela. Os avanços tecnológicos da aviação têm aplicações em outras áreas. Então por todos esses motivos a gente tem que estar muito bem preparado para essa negociação. E acho que o que precipitou isso foi que a Bombardier saiu na frente com o acordo com a Airbus. 

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