ENERGIA NUCLEAR> Reator multipropósito é prioridade da Aben em 2017

Fonte: Agência Brasil//

A conclusão do Reator Multipropósito Brasileiro, que vai permitir o domínio da propulsão nuclear,  é uma das prioridades da nova gestão da Associação Brasileira de Energia Nuclear (Aben) no próximo ano. A informação foi dada pela presidente da Aben, Olga Simbalista, que tomou posse no dia 6 deste mês. O Reator Multipropósito Brasileiro está na fase de projeto detalhado, com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.

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O reator, cujas obras devem começar em 2017, vai garantir ao Brasil o domínio do ciclo nuclear. Com um orçamento que beira os R$ 900 milhões, o equipamento tem a finalidade de diminuir a dependência externa no que diz respeito a insumos utilizados nos procedimentos de pesquisa com radiofármacos. Além da aplicação na medicina, o fluxo de nêutrons de alta intensidade advindo do funcionamento do novo reator multipropósito servirá para o teste de combustíveis e outros materiais utilizados na produção de energia e de propulsão, na tentativa de oferecer maior segurança eficiência para projetos como o complexo nuclear de Angra e o submarino nuclear brasileiro do PROSUB da Marinha do Brasil.

“O reator tem um papel não só estratégico, mas permite que o país deixe de importar vários radiofármacos da Argentina e do Canadá”, explica Olga. O Brasil já produz alguns radiofármacos, mas essa produção é limitada.

CONCENTRADO DE URÂNIO

A produção de concentrado de urânio deverá ocorrer no início de 2017, na Província Uranífera de Lagoa Real, que se estende pelos municípios baianos de Caetité e de Lagoa Real. “Eles vão começar a explorar a Anomalia 9, que é uma mina a céu aberto, e vão voltar a produzir concentrado de urânio aqui no Brasil”. A licença de instalação da lavra a céu aberto de minério de urânio foi concedida à empresa Indústrias Nucleares do Brasil (INB) no ano passado, pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

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ipenmb01A presidente da Aben lembrou que o Brasil tem a sexta maior reserva de urânio do mundo. Advertiu que essa prospecção abrange menos de um terço do território nacional. “A gente tem indícios de que o nicho onde há enorme quantidade de urânio é na Amazônia, mas as atividades de prospecção pararam desde os anos de 1980”. A mina de Lagoa Real Anomalia 3 alimentou os reatores das usinas Angra 1 e 2, mas se esgotou, disse Olga.

Havia um projeto da INB de construir uma mina subterrânea abaixo da Anomalia 3, mas devido a problemas de licenciamento, a estatal resolveu investir na Anomalia 9, que deve entrar em produção nos próximos meses. Com a queda de produção da Anomalia 3, a INB teve necessidade de importar concentrado de urânio. O início das atividades da nova mina é “muito importante para que a gente volte a ter a cadeia produtiva aqui no país”, disse a presidente da Aben.

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ANGRA 3

Outro esforço será pela retomada de Angra 3. A holding Eletrobras está procurando parceiro estratégico para o projeto. A China, Rússia e França se mostram interessadas em participar da obra e um desses países poderá ficar responsável pela conclusão da usina, estimou. Para Olga, a questão mais complexa seria a garantia para a continuidade da obra.

INAC

A Aben vai se dedicar também, no próximo ano, à realização da International Nuclear Atlantic Conference (Inac), maior evento do setor na América Latina. Promovido a cada dois anos, o Inac ocorrerá entre os dias 22 e 27 de outubro de 2017, em Belo Horizonte, tendo como tema central  Energia Nuclear para Projetos Nacionais.

 

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