Entenda o papel da ODEBRECHT no PROSUB

*Atualizado às 15h15 do dia 19 de abril

Fonte: Indústria de Defesa & Segurança//

A divulgação da delação premiada de executivos da Odebrecht atingiu o maior dos Programas Estratégicos das Forças Armadas na atualidade, o PROSUB (Programa de Desenvolvimento de Submarinos). Desenvolvido pela Marinha do Brasil, o PROSUB tem o objetivo de produzir quatro submarinos convencionais do modelo francês “Scorpène” e um de propulsão nuclear. Para isso, a Marinha conta com um acordo de transferência de tecnologia com o estaleiro francês DCNS.

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A administração e implementação dos contratos do PROSUB ficaram a cargo do consórcio Baía de Sepetiba (CBS), formado pela DCNS (Empresa Estatal francesa de Projeto e Construção Naval) e pela construtora Odebrecht. A cargo da Odebrecht ficou a construção do Estaleiro e da Base Naval em Itaguaí (RJ). De acordo com a Marinha, a escolha da Odebrecht foi feita pela própria DCNS e não contou com a interferência da Força Naval. “A Odebrecht foi indicada pela França. Nosso contrato é com a França. A construção teria que ser feita por uma grande empresa com experiência para isso, então poderia ser qualquer uma grande (construtora)”, explicou o coordenador geral do PROSUB, Almirante Max Hirschfeld em entrevista coletiva por ocasião da LAAD Defense & Security.

PAPEL DA ODEBRECHT NO PROSUB
tunel_0A estrutura construída pela Odebrecht em Itaguaí conta com a UFEM (Unidade de Fabricação de Estruturas Metálicas), dois estaleiros (um de construção e outro de manutenção de submarinos), a base naval da Marinha com um Centro de Adestramento de Tripulações, e um Complexo Radiológico. O projeto gigantesco previu ainda a construção de um túnel por onde as seções dos submarinos são levadas da UFEM até os estaleiros e o reforço das estradas da região para suportarem o peso delas. A Odebrecht já recebeu mais de R$ 6 bilhões pelas obras.

DELAÇÃO
Segundo
informações divulgadas pela Rede Globo, os delatores da Odebrecht disseram que houve o repasse de valores para o lobista José Amaro Ramos, que ficaria responsável por distribuir o dinheiro entre os demais participantes do esquema. “Quando da assinatura do nosso consórcio, fui a uma reunião em Paris pra assinatura. E um dos executivos da DCNS, na presença do doutor José Amaro Ramos disse: ‘está tudo tranquilo, está tudo bem, mas eu preciso que o senhor faça um contrato e comece a pagar alguns recursos ao José Amaro Ramos. Essa era a condição para que essa parceria evolua”, relatou o ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura Benedicto Júnior. “A verdade é que eu fiz pagamentos de quase 40 milhões de euros para esse agente”.

O ex-executivo Luiz Eduardo Soares, que trabalhava no departamento que contabilizava os pagamentos ilegais da Odebrecht, disse que parte do dinheiro repassado ao lobista José Amaro Ramos era destinada a um militar aposentado de alta patente na Marinha, identificado no termo de colaboração como Almirante Braga, que repassava o valor a outros ex-Almirantes da Força.

MARINHA ESCLARECE INFORMAÇÕES
Ouvido pelo Jornal Nacional, o coordenador geral do PROSUB, Almirante Max Hirschfled, disse que não existe nenhum Almirante Braga nem na ativa nem na reserva. Em seu depoimento, Luiz Eduardo Soares afirmou que não houve repasses a oficiais da Marinha. A informação também foi confirmada por Benedicto Júnior. “Não houve benefício por parte da Marinha, que a Marinha estava totalmente isenta”, diz o documento da delação. Procuradas, a DCNS e Odebrecht não responderam ao nosso contato até a publicação desta reportagem.

 

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