ENTREVISTA> Comandante da Marinha fala sobre estratégias para defesa da Amazônia Azul

Fonte: Indústria de Defesa & Segurança//

O comandante da Marinha, Almirante Eduardo Bacellar, acredita que a defesa da Amazônia Azul passa pelo reaparelhamento da Força Naval. Em entrevista exclusiva ao ID&S, o comandante fala dos projetos estratégicos que vão permitir a Marinha do Brasil defender o litoral do País.

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ID&S: O Brasil desenvolveu a imagem da  “Amazônia Azul” que encampa as riquezas naturais marítimas do país.  A Marinha está preparada para defender a “Amazônia Azul”?
Almirante Eduardo Bacellar: Na “Amazônia Azul”, nossas fronteiras são linhas imaginárias sobre o mar. Elas não existem fisicamente e o que as define é a existência de navios patrulhando-as ou realizando ações de presença. A proteção desse rico patrimônio é uma tarefa complexa, pois, conforme mencionado, são cerca de 4,5 milhões de km² de área a ser monitorada. Nesse contexto, a Marinha desenvolve atividades de Inspeção Naval, Patrulha Naval e Ações de Presença, com o propósito de salvaguardar os interesses brasileiros.

Obviamente, qualquer modelo de vigilância para a “Amazônia Azul” passa, necessariamente, pelo adequado aparelhamento da MB.

Em 2009, foi elaborado o Plano de Articulação e Equipamento da Marinha do Brasil (PAEMB) que, em consonância com a Estratégia Nacional de Defesa (END), expressa objetivos de curto, médio e longo prazos, de modo a reconfigurar a Força, sob a égide do trinômio monitoramento/controle, mobilidade e presença. Esse plano contempla todas as ações requeridas para dotar a MB de organizações militares; meios navais, aeronavais e de fuzileiros navais; armamento e munição; e efetivos de pessoal necessários à consecução de suas diversas atribuições. Nesse sentido, a Força está desenvolvendo diversos projetos estratégicos e programas que lhe permitirão dispor dos meios capazes de garantir a indispensável segurança da “Amazônia Azul”.

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PROSUB

ID&S: Qual a expectativa da Marinha para o desenvolvimento do PROSUB neste ano? O senhor acha que o projeto passará por novos atrasos devido ao orçamento?
Almirante Eduardo Bacellar: Nos dois últimos anos, a Marinha não teve a integralidade do seu Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) atendida, fazendo com que o ritmo das obras de construção do Estaleiro de Manutenção e da Base Naval, em Itaguaí fosse reduzido. Para não causar impacto no processo de construção dos submarinos convencionais (S-BR), foi atribuída prioridade ao Estaleiro de Construção e ao Ship Lift (Elevador de navios), de modo que sua prontificação esteja adequada ao objetivo de lançamento ao mar do primeiro S-BR, o S. Riachuelo, em 2018.

O Estaleiro de Construção e o Elevador de Navios estarão operacionais em meados de 2017. Estão em construção, também, o prédio de ativação de baterias do Estaleiro de Manutenção e o prédio dos simuladores do Centro de Instrução e Adestramento.

A construção simultânea dos quatro S-BR está em andamento e encontra-se nos seguintes estágios:

- S-BR1 (Submarino Riachuelo) – Dentro do processo construtivo previsto foram finalizadas todas as seções do casco resistente, na NUCLEP e transferidas para a Unidade de Fabricação de Estruturas Metálicas (UFEM), sediada na Itaguaí Construções Navais (ICN), empresa de propósito específico, criada para a construção dos submarinos. As etapas subsequentes consistem na fabricação das estruturas não resistentes, suportes e tubulações até a transferência das seções para o ESC, local responsável pelo acabamento, testes e lançamento ao mar.

- S-BR2 – A fabricação das seções do casco resistente na NUCLEP está em fase final, com previsão de entrega das últimas à ICN ainda este ano. De forma similar ao primeiro SBR,  a fabricação das estruturas não resistentes já está em curso.

- S-BR3 - Foi iniciada a fabricação do casco resistente em janeiro de 2015, e as primeiras subseções já são montadas na NUCLEP.

- S-BR4 - A construção teve início em fevereiro deste ano, com o corte da primeira chapa que deu origem as primeiras cavernas da estrutura do casco resistente.

O submarino com propulsão nuclear (SN-BR), objeto precípuo deste complexo programa de desenvolvimento, teve fase de concepção e exequibilidade completada em meados de 2013. Na sequência, o projeto básico, deverá ser concluído em janeiro de 2017. Ainda neste ano, é previsto um período entre fases, onde são tomadas ações de preparação para o detalhamento e a construção. Há uma previsão inicial de que a seção de qualificação do SN-BR se inicie em 2018, com o lançamento do submarino previsto para 2027. No entanto, além dos obstáculos tecnológicos que podem surgir, a Marinha vem se adequando à situação econômica do País e o cronograma passa constantemente por criteriosa análise de forma a se adequar ao orçamento disponível e refletir as perspectivas futuras da economia. Para este ano, baseado no orçamento encaminhado pelo Governo Federal ao Congresso Nacional, a nossa expectativa de recebimento dos recursos na ordem de R$ 2,04 bilhões será adequada ao cumprimento do cronograma em curso.

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