ENTREVISTA> Jogos Olímpicos ‘salvaram’ o ano para a indústria de Defesa, diz Abimde

Fonte: Indústria de Defesa & Segurança//

Os Jogos Olímpicos 2016 salvaram o ano para a indústria de Defesa brasileira, segundo o presidente da Abimde (Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança), Frederico Aguiar. Em entrevista ao ID&S, Aguiar avalia o desempenho da indústria em 2016 e faz uma projeção para este ano. O setor de Defesa brasileiro movimenta cerca de R$ 200 bilhões anualmente e responde por 4% do PIB brasileiro. De acordo com Aguiar, “50 empresas associadas à ABIMDE são responsáveis por quase 90% das exportações do setor e hoje exportamos 85 produtos para 109 países”. Confira a entrevista.

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ID&S: Qual a análise que o senhor faz do desempenho das empresas brasileiras do ano de 2016, diante da instabilidade econômica, mudança de governo, imprevisão política? 2016 foi um ano perdido para as empresas brasileiras do setor de defesa e segurança?
Frederico Aguiar:
Como o ano foi marcado pelos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, as empresas nacionais no setor de defesa registraram um bom desempenho. Muitas de nossas associadas forneceram produtos e serviços às Forças Armadas e ao governo federal, garantindo a realização de um evento do porte da Olimpíada com muita segurança. Além disso, nosso setor já vinha se preocupando com a instabilidade econômica e política e começou a investir mais intensamente no mercado externo. Essa busca por novos mercados foi intensificada em 2016, com a participação em feiras internacionais e mesmo oferecendo soluções para outras áreas, como segurança pública. Com essas medidas, as empresas brasileiras conseguiram reduzir os riscos relacionados ao cenário político e econômico e garantir a manutenção e empregos e investimentos em novos produtos e serviços.

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ID&S: Durante a BID Brasil de 2016, o senhor falou da necessidade do Ministério da Defesa atuar de forma mais ativa na promoção comercial das empresas brasileiras. O senhor já percebe alguma mudança neste sentido? Qual deveria ser a postura das autoridades brasileiras para fortalecer a indústria nacional?
6e395e82115e5a37a8d284bb6f421b13Frederico Aguiar:
Defendo essa posição do Governo Federal, por meio do Ministério da Defesa, do Ministério das Relações Exteriores e da Apex-Brasil. Quanto mais o nosso governo chancelar a capacidade produtiva e de inovação de nossa indústria, mais condições teremos de ampliar nosso mercado externo. A indústria de defesa é estratégica para o país. Essa é uma visão mundial e precisamos, cada vez mais, mostrar ao mundo que o Brasil valoriza sua própria indústria. Isso faz toda diferença no momento em que o empresário senta com um representante de governo estrangeiro ou mesmo um empresário internacional.

Dito isso, acredito que começamos a ver um engajamento maior do Governo Federal tanto na promoção de nossa indústria, com encontros bilaterais e busca de parcerias estratégicas, como ao identificar em propor políticas públicas que possam beneficiar o setor e, consequentemente, contribuir para a economia, o desenvolvimento tecnológico e social do país.

ID&S:. O senhor poderia nos indicar as feiras comerciais que as empresas brasileiras estiveram presentes neste ano e o volume de negócios gerados a partir delas?
Frederico Aguiar:
Em 2016, participamos de oito eventos internacionais, entre os quais, FIDAE, LAAD Security, Eurosatory, Eurovanal, DSA, além de promovermos a 4ª Mostra BID Brasil. Todos os eventos foram bem produtivos, com a realização de contatos comerciais importantes para nossas associadas. É uma indústria que hoje emprega 150.000 trabalhadores, com um salário médio de R$ 4.100,00 contra uma média nacional de R$ 1.943,00. No que tange multiplicadores econômicos, para cara R$ 1,00 investido no Setor de Defesa, o impacto direto é de ampliação da produção final da economia de R$ 1,86. Ao se considerar o impacto indireto e os efeitos induzidos, o multiplicador sobe para R$ 2,33. Para cada R$ 1,00 investido no Setor de Defesa, o governo arrecada R$ 0,55 em impostos, valor também acima da média nacional.

 

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