Espírito Santo: a culpa da polícia e a culpa do Estado

Foi um erro e uma ilegalidade a decisão da Polícia Militar do Espírito Santo de abandonar o trabalho devido a pendências salariais. Por qualquer parâmetro que se analise, não há como desculpar a retirada do policiamento das ruas, que redundou em mais de uma centena de mortos. Mais do que um erro, foi uma infração grave à Lei, uma vez que as forças policiais não podem fazer greve.  E não há exceção legal prevista para esta proibição.

.: Leia também: Quanto maior a violência, menor é o salário da PM

Mulheres e familiares de policiais impedem a saída de PMsIsto dito, é necessário que se examine o outro lado da questão, qual seja a desatenção da administração capixaba com as forças de segurança do Estado. Cabem ao Estado principalmente a garantia de Saúde, Educação e Segurança à população.  São essas as atividades que devem ocupar a maior parte da atenção dos governantes e que, por sua própria natureza, não são privatizáveis, principalmente a Segurança.

Pode-se privatizar – e  já é privada em grande parte – a proteção. Pessoas de grande patrimônio ou autoridades públicas que devido às suas funções correm riscos de vida contratam privadamente ou recebem do Estado, aparatos de proteção com guarda-costas, viaturas blindadas, e outras ferramentas.  Porém, a segurança que permite um cidadão sair de casa sem medo de ser assaltado é atribuição específica e exclusiva do Estado que, para isso, deve manter uma força policial motivada, bem apetrechada e liderada no sentido de garantir a paz social.

TR_Secretario_ES_Foto_Tania_Rego_00310022017-850x566E, convenhamos, o Estado do Espírito Santo, não cumpriu a sua parte. Talvez porque soubesse que a Polícia é proibida de fazer greve, deu preferência a outras demandas e deixou os policiais sem correção de seu piso salarial, sem modernização de seus equipamentos, sem condições de cumprirem bem os seus deveres. O Estado do Espírito Santo, ao agir dessa forma, não considerou importante equipar e motivar as forças policiais encarregadas de garantir os direitos de ir e vir e o de propriedade para nos atermos aos mais óbvios.

Portanto, se os policiais grevistas merecem ser julgados nas instâncias administrativas e judiciais, se é um absurdo esse movimento de mulheres de PMs, não se deve também deixar passar a omissão do Estado do Espírito Santo (e que se multiplica país afora) quanto a uma atividade primordialmente sua: garantir uma boa polícia para que os cidadãos possam viver em paz.

José Carlos Mattos
Editor do site ID&S

VEJA TAMBÉM EM

53245_6

Leave A Reply