Estado Islâmico recruta terroristas no ‘coração do Caribe’

Fonte: La Nación//

tobago-englishmans-bay-thinkstock-480872046-830-474Localizada no coração do Caribe, Trinidad e Tobago é a nova fonte de combatentes e fundos para o Estado Islâmico, divulgou o site argentino La Nación. Segundo a publicação, trata-se de uma tentativa da organização terrorista encontrar alternativas ao fluxo de dinheiro e recrutas proveniente da Síria e do Iraque. Cerca de 125 combatentes teriam viajados de Trinidad e Tobago para a Turquia e de lá para áreas controladas pelo EI nos últimos quatro anos, tornando o País de 1,3 milhões de habitantes na principal fonte per capita de recrutas do EI no hemisfério ocidental.

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O Estado Islâmico divulgou uma série de vídeos que mostram combatentes barbudos com um sotaque tipicamente trinitense portando fuzis e convocando compatriotas a se unirem a eles. As autoridades do País caribenho lançaram uma intensa campanha de vigilância do movimento islâmico na região, além de uma legislação para combater o envio de dinheiro e combatentes para o exterior, fixando punições para quem enviar fundos ao EI. “Sempre houve a preocupação com o dinheiro que sai de Trinidad e Tobago e poderia ser envolvido em atividades terroristas”, disse o ministro de Segurança Nacional, Edmund Dillon. “Há uma minoria na comunidade muçulmana, que se compromete a desenvolver tais ações”.

Autoridades norte-americanas expressaram preocupação com o número de combatentes e dinheiro que saem de Trinidad e Tobago. “Eles (Trinidad) não são os únicos preocupados com este novo fenômeno da radicalização”, disse o almirante Kurt Tidd, que está no comando das operações do Departamento de Defesa para América do Sul e Caribe. “Você tem que entender que condições podem predispor um indivíduo a entrar em um processo de radicalização para tomar medidas preventivas antes de embarcar em um caminho que produz resultados trágicos, como temos visto em lugares como Paris, Bruxelas, Berlim, Orlando e San Bernardino”. Tidd elogiou o país por aprovar a lei antiterrorismo e cooperar com os Estados Unidos e outros países.

OPOSIÇÃO MULÇUMANA
Alguns líderes muçulmanos se opõem aos esforços e acusam o governo de não oferecer uma vida melhor para os jovens em sua maioria negros e pobres que são atraídos para EI. Trinidad e Tobago, uma nação petrolífera ao largo da costa da Venezuela, tem uma grande mistura de culturas, a maioria delas, originárias da Índia e da África. Sua minoria muçulmana é composta de descendentes de índios e negros conversos e têm dezenas de mesquitas. Uma das correntes radicalizadas é o Jamaat al Muslimeen responsável por uma tentativa de golpe em 1990, considerado o único levante islâmico no Hemisfério Ocidental.

“Acho que a culpa é do governo, o atual e dos passado”, disse Yasin Abu Bakr, líder do Jamaat al Muslimeen, que tem, pelo menos, dois membros que viajaram para a Síria. “Por que os jovens de lugares como Trinidad e Tobago, terra do calypso e bandas de percussão, Carnaval e alegria, chutney e tudo o mais … Por que deixam suas famílias e vão para um local onde a morte é quase certa? Por que eles fazem isso? Essa é a grande pergunta que o Estado deve responder “.

Umar Abdullah, diretor da Frente Islâmica do sul de Trinidad, disse que, pessoalmente, tenta convencer os seus membros para não lutarem na Síria. Ele disse que conhece vários jovens que são combatentes EI, mas não deu detalhes. “Sinto-me responsável em certa medida, porque alguns desses irmãos foram para a Síria para lutar”, disse Abdullah. “Eu sinto que eu poderia ter feito mais, eu poderia ter convencido de que não deveriam”. Ao mesmo tempo, Abdullah disse que os recrutas do EI são defensores legítimos dos muçulmanos na Síria e no Iraque, e comparados com os soldados ocidentais que participam em ações militares no Oriente Médio. Ele argumentou ainda que se recusa a chamá-los de terroristas e, em vez, considera como “combatentes da liberdade”.

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