EVENTO > Especialistas propõem criação de órgão para coordenar base logística de defesa

Fonte: Ministério da Defesa//

A necessidade de se atribuir a um ente estatal a responsabilidade pela governança da Base Logística de Defesa foi um dos assuntos levantados pelos palestrantes da  II Jornada de Estudos Estratégicos, no último dia 12, em Brasília. O objetivo é propor que esta instituição seja responsável por coordenar as atribuições estabelecidas pela Estratégia Nacional de Defesa (END), que atualmente estão distribuídas por diversos ministérios e as Forças Armadas.

Segundo o coronel José Augusto Simões Amaro, do Departamento de Produtos de Defesa (DEPROD),  é fundamental pensar a Base de Indústria e Defesa (BID) de forma estratégica e com mais fluidez diante da sua grandeza, pois ela faz parte do contexto de desenvolvimento econômico do Brasil.

“Com relação ao Plano Nacional de Indústria e Defesa (PNID), por exemplo, o Ministério da Defesa tenta criar um mecanismo para coordenar a produção sistêmica da competitividade das indústrias e marcos regulatórios” complementou Simões. “As políticas existem, mas a questão da coordenação é bastante difícil. A análise de um produto de exportação, por exemplo, não pode ficar parada”, afirmou Simões.

A Jornada de Estudos Estratégicos, mediada pelo Diretor de Produtos de Defesa (DEPROD), brigadeiro José Augusto Crepaldi Affonso, foi realizada no Comando Militar do Planalto e faz parte de um conjunto de ações que visa a reformulação da END, que acontece de quatro em quatro anos. Esta revisão está prevista na Lei Complementar n°136, de 25 de agosto de 2010. De acordo com o professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Eduardo Brick, a aptidão militar está diretamente ligada a investimentos industriais e logística.

“Ter capacidade militar não significa quantidade de meios e instalações e, sim, efetividade e proficiência em combate. A Base Logística de Defesa (BLD) é responsabilidade do Estado e, nesse caso, temos um problema de governança”, afirmou Brick.

De acordo com o acadêmico, é necessário priorizar a eficiência dos investimentos em Defesa.

“Um órgão de sustentação para coordenar e demandar é fundamental e permite a eficácia de qualquer sistema. Precisamos fortalecer e fomentar pesquisas e investimentos em engenheiros e cientistas”, concluiu Brick.

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (Abimde), Sami Youssef Hassuani afirmou que a Indústria de Defesa é uma das que mais tem capacidade em crescer.

“A cada R$ 10 milhões gastos no PNID, são gerados 25 mil empregos. Estamos no caminho, só precisamos de mais engajamento da alta gestão. A indústria de Defesa não pode esperar 10 anos”, afirmou Hassuani.

Em outra etapa de apresentações, com o tema “Compatibilização dos esforços do Estado brasileiro com as necessidades da Defesa Nacional”, o representante do Ministério das Comunicações, Pedro Cordeiro, destacou a situação atual do Projeto do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC). O equipamento trata das comunicações militares, no caso, a Banda X , com coberturas regional, nacional e teatro – em situações específicas.

“A Banda X será controlada pelo Ministério da Defesa, quando o Projeto for aprovado. Tudo para dar mais independência”, explicou Cordeiro.

Estiveram presentes, entre outros, o Chefe de Assuntos Estratégicos (CAE), general Gerson Menandro Garcia de Freitas; o subchefe de Comando e Controle, almirante (FN) Jonatas Magalhães Porto; o subchefe de Política e Estratégia (SCPE), brigadeiro Jair Gomes da Costa Santos; o subchefe de Inteligência Estratégica (SCIE), almirante Sergio Ricardo Segovia Barbosa; além de outras autoridades civis e militares.