EXCLUSIVO> Indústria brasileira pode suprir todas as demandas das Forças, acredita Basílio

Fonte: Indústria de Defesa & Segurança//

O secretário de Produtos (Seprod) do Ministério da Defesa, Flávio Basílio, acredita que a indústria brasileira tem condições de suprir toda a demanda das Forças Armadas. Mas, para ele, o fortalecimento da indústria nacional depende da mudança na percepção da sociedade sobre a Defesa, para que se possa garantir investimentos para desenvolver a independência tecnológica do setor. É essa mudança que o secretário define como diretriz central da sua gestão na pasta. Em entrevista exclusiva ao ID&S, Basílio aponta as ações tomadas para ampliar os investimentos do setor, que movimenta anualmente mais de R$ 200 bilhões.

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ID&S:  Quais as principais metas da SEPROD em 2017?
Flávio Basílio: Uma de nossas prioridades será, certamente, concluir a revisão do marco regulatório para o setor de defesa. Além disso, precisamos estruturar e ampliar nossa inteligência comercial, e os mecanismos institucionais da relação governo a governo na área da indústria de defesa.

ID&S: O senhor crê que é possível o Brasil suprir as suas Forças Armadas a partir da indústria nacional?
Flávio Basílio: Não tenho dúvidas disso. Atualmente, nossa Base Industrial de Defesa já reúne condições para atender boa parte das demandas das Forças Armadas, não só pela elevada capacidade industrial, mas, especialmente, pelo alto índice de inovação tecnológica dos profissionais envolvidos. Cabe destacar, no entanto, que mesmo países como os Estados Unidos, que poderiam suprir todas as necessidades de suas Forças por produtos de defesa, estão sempre buscando novas parcerias. Isso porque o setor de defesa está inserido numa cadeia globalizada, na qual a troca por produtos e conhecimento precisa ser fomentada. Sendo assim, precisamos resguardar os objetivos estratégicos do Brasil, identificar quais as tecnologias críticas que desejamos dominar e, principalmente, estabelecer parcerias estratégicas de longo-prazo para aumentar a capacidade produtiva e de inovação da nossa indústria.

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ID&S: A indústria de defesa desempenha um grande papel na inovação tecnológica, que é o principal fator de geração de riquezas das nações desenvolvidas.  Como o senhor crê que a nossa indústria possa ser estimulada a buscar inovações tecnológicas?
Flávio Basílio: Talvez, o principal vetor de desenvolvimento tecnológico e industrial no Brasil está vinculado à obtenção das Forças Armadas. Se hoje dominamos a tecnologia aeronáutica, este resultado só foi possível porque, no passado, pioneiros e desbravadores engenheiros e militares acreditaram na nossa indústria e no desenvolvimento tecnológico no Brasil. Não tenho dúvidas que do ponto de vista financeiro de curto-prazo, esta foi a decisão mais arriscada e mais cara. No entanto, permitiu um enorme salto tecnológico no Brasil ao ponto de sermos o terceiro maior produtor de aviões de todo o mundo. Precisamos manter a coragem e a determinação desses pioneiros. A nossa indústria é constantemente desafiada a desenvolver soluções para as nossas Forças Armadas, razão pela qual o Brasil conta com elevado nível de Inovação Tecnológica. Aqui, o conhecimento e os benefícios gerado na indústria de defesa não se limitam ao meio militar, mas transbordam para outras áreas com benefícios para toda a sociedade brasileira.

ID&S: Quais medidas de incentivo deverão ser implementadas ao longo de 2017 no sentido de apoiar a Indústria de Defesa?
Flávio Basílio:
Um dos principais desafios da SEPROD para o próximo ano será inserir e dar voz ativa à indústria de defesa no setor de comércio exterior. É essencial a nossa participação na Câmara de Comércio Exterior (CAMEX) da Presidência da República, para que o segmento possa contar com tratamento justo e simétrico em relação a outros setores da atividade produtiva. Também estamos avaliando a inserção dos produtos de defesa como beneficiários dos créditos concedidos pelos Fundos Constitucionais de Desenvolvimento, estamos estruturando linha de crédito específica para países interessados em adquirir nossos produtos de defesa e buscando aperfeiçoar os mecanismos institucionais de seguro e garantia de exportações.

 

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