FAB forma militares para Guerra Eletrônica

Fonte: FAB//

A Ala 10, unidade da Força Aérea Brasileira (FAB) localizada em Natal (RN), formou 71 militares, incluindo dois da Marinha e dois do Exército, no Curso Doutrinário de Guerra Eletrônica (CDGE), realizado pelo Grupo de Instrução Tática e Especializada (GITE). O curso teve duração de dez semanas, sendo que a última fase da capacitação, relativa às aulas presenciais, iniciou no dia 15 de maio e foi encerrada na sexta-feira (23/06).

.: Leia também: NOVO ATAQUE CIBERNÉTICO afeta grandes empresas de Rússia e Ucrânia

Ao longo de seis semanas, os alunos participaram de instruções teóricas sobre a evolução da guerra eletrônica, conceitos básicos de radar, medidas de ataque e proteção eletrônica, guiamento de mísseis, entre outras. Segundo o encarregado do Laboratório de Guerra Eletrônica do GITE, Sargento Especialista em Eletrônica Cláudio José da Silva, os alunos aprenderam o conceito doutrinário da Guerra Eletrônica, habilitando-os a utilizar os recursos de forma mais efetiva. “A utilização de cada equipamento em conjunto com os conceitos e táticas de Guerra Eletrônica possibilita, também, uma maior proteção a possíveis ataques inimigos”, explica.

Nas instruções ministradas no laboratório de guerra eletrônica, os alunos puderam testar todo o conteúdo teórico adquirido em sala de aula. “O estudo teórico sobre ondas e detecções é bastante lúdico e com o laboratório o aluno consegue ver um radar operando e as diferentes técnicas, como elas atuam na detecção dos elementos do combate e os diferentes recursos possíveis”, explica um dos instrutores do CDGE, o Capitão Aviador Rodolfo Norio Toma.

O CDGE possibilita também o intercâmbio de conhecimento entre as Forças Armadas e com as diversas formas de guerra eletrônica utilizadas. O Primeiro-Sargento Emerson do Nascimento Ferreira, do Exército Brasileiro, atua no 1º Batalhão de Guerra Eletrônica em Brasília e para ele o curso possibilitou conhecer melhor a utilização da guerra eletrônica no ambiente de radar. “No Exército, a guerra eletrônica é mais voltada para a área de comunicações, então o curso é interessante para adquirir conhecimento específico no uso de radares, que é a maior ênfase da Força Aérea”, explicou o aluno.

GUERRA ELETRÔNICA
Inicialmente chamado de “Curso de Combate Eletrônico”, a primeira edição foi realizada em 1996 no GITE. Após quatro reformulações, o Curso Doutrinário de Guerra Eletrônica ganhou o formato atual em 2011, compilando o conhecimento inicial necessário para a atuação na área.

Com o objetivo de capacitar militares e civis do Comando da Aeronáutica e das demais Forças Armadas a identificarem os principais equipamentos e sistemas que interagem com o ambiente eletromagnético, o CDGE também torna os alunos aptos a propor soluções em face às ameaças identificadas no cenário de guerra eletrônica, tornando possível o cumprimento das missões atribuídas em suas organizações militares. “Não existe hoje, em combates de alto nível modernos, qualquer plataforma que não tenha algum artifício de guerra eletrônica”, afirmou o Capitão Aviador Rodolfo Norio Toma, instrutor do CDGE.

O comandante do GITE, Tenente-Coronel Aviador Paulo Roberto Cursino dos Santos, considera o CDGE um curso de importância estratégica para a elevação operacional do Comando de Preparo da Força Aérea, já que pode ser o primeiro degrau para a especialização dos militares que atuam com guerra eletrônica. “Esses profissionais necessitavam ter uma elevação de nível antes de entrar nos cursos de mestrado e doutorado do ITA, por causa da complexidade e dificuldade que apresentam. Através dessa necessidade, e também da necessidade de operar sistemas de guerra eletrônica nas diversas unidades operacionais da FAB, é que esse curso foi criado aqui no GITE”, explicou o comandante.

Enquanto curso doutrinário, o CDGE habilita os alunos a operarem os equipamentos de guerra eletrônica, a entenderem o seu uso e sua potencialidade, tornando-os elos do Sistema de Guerra Eletrônica da Força Aérea. No caso dos oficiais, oferece o embasamento necessário para iniciar uma especialização, como o mestrado em Guerra Eletrônica, oferecido pelo ITA, por meio do PPGAO. Além disso, os egressos do CDGE tornam-se aptos a chefiar seções de guerra eletrônica, além de dar instruções sobre o assunto para seus pares, nos setores em que atuam.

A interface entre o GITE e o ITA tem se mostrado cada vez mais produtiva por causa do CDGE. Prova disso é que, este ano, cerca de 10% dos alunos concluintes do Curso Doutrinário de Guerra Eletrônica já estão matriculados em cursos de especialização e mestrado no ITA e a modernização do processo de ensino-aprendizagem é pauta do processo de reestruturação do Comando da Aeronáutica.

De acordo com o Comandante do GITE, já existem grupos de trabalho para analisar como deve ser esse relacionamento entre o COMPREP, por meio do GITE, e o ITA e como serão os novos caminhos e desafios que o CDGE enfrentará frente a essa transformação. “A velocidade das tecnologias e a hiperconectividade, estão dando um novo rumo aos processos envolvidos na gestão do ensino e na gestão do conhecimento. Para a gente é importante tentar entender como o ensino operacional é trabalhado nas diversas Forças Aéreas pelo mundo, de forma racional e econômica, maximizando e potencializando a capacidade do ser humano com a sua competência. Com isso, esperamos novidades para os próximos anos, relacionadas ao elevado uso da tecnologia na produção do conhecimento, melhoria da interface professor-aluno pelo meio virtual, entre outros”, finalizou o Tenente-Coronel Cursino.

VEJA TAMBÉM EM

53245_6

Leave A Reply