FAB quer mais R$ 600 milhões no Orçamento para compra de KC-390 em 2018

Representantes da Aeronáutica defenderam, em audiência pública da Comissão Mista de Orçamento (CMO), um aumento de R$ 600 milhões nos recursos previstos para o ano que vem para desenvolvimento e aquisição do cargueiro KC-390, um projeto da Embraer em parceria com empresas de outros três países. O avião foi projetado para substituir os modelos Hércules C-130 e abrir o mercado internacional para o Brasil no setor.

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O Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) para 2018 foi enviado pelo governo ao Congresso em agosto, com previsão de R$ 740 milhões para o projeto, considerado estratégico pelas Forças Armadas. A Aeronáutica sustenta, porém, a necessidade total de R$ 1,4 bilhão no ano que vem para que a Aeronáutica adquira dois modelos até julho, prazo final para a obtenção da certificação (licença) da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

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CRONOGRAMA DE CERTIFICAÇÃO DO KC-390
Se o cronograma não for cumprido, o prejuízo pode chegar a R$ 70 milhões, apenas na parte de desenvolvimento, de acordo com o brigadeiro Márcio Bruno Bonotto, presidente da Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (Copac). Sem contar mais de R$ 1 bilhão em prejuízos causados pelos dois anos de atraso já contabilizados, segundo ele. “É preciso a aquisição de dois aviões para terminar o processo de certificação, sem contar os dois protótipos que já passaram por testes. Isso é fundamental para que o Brasil aproveite a janela aberta no mercado internacional atualmente e lance o modelo para exportação antes de concorrentes como a China, Índia e Rússia”, disse.

Segundo ele, 94% do desenvolvimento da aeronave já foram concluídos, mas a aquisição dos aviões pela Aeronáutica é fundamental para que os modelos possam ser vendidos no mercado. “Sem a aquisição pelo próprio país que produz a aeronave, ninguém compra”, disse o brigadeiro. “Não podemos morrer na praia”, concluiu. O cronograma de desenvolvimento do cargueiro já atrasou dois anos em função de contingenciamentos orçamentários que começaram em 2012. O orçamento deste ano, por exemplo, previa R$ 1,1 bilhão, mas apenas R$ 700 milhões foram liberados.

Faz parte do projeto a aquisição de 28 aeronaves pela Aeronáutica até 2025, mas, de acordo com o responsável pelo programa, estudos indicam que há potencial para 600 aeronaves do gênero no mercado internacional. “Se o Brasil exportar metade, ou seja, 300 aviões, pode obter mais de 20 bilhões de dólares nos próximos 20 anos”, disse.

ORÇAMENTO DA DEFESA
O governo vai enviar ao Congresso outra proposta orçamentária para 2018, depois de ter alterado a meta de déficit primário de R$ 129 bilhões para R$ 159 bilhões. O deputado Edio Lopes (PR-RR), relator setorial da área de Defesa e Justiça do orçamento, defendeu o projeto do KC-390. “Eu visitei a linha de montagem do KC-390 e saí de lá deslumbrado com o que vi, com o grau de tecnologia e desenvolvimento dessa aeronave”, disse. Ele disse que vai fazer o possível para assegurar os recursos necessários para que o avião obtenha a certificação da Anac até julho.

O deputado Celso Pansera (PMDB-RJ), ex-ministro da Ciência e Tecnologia, defendeu que, se for o caso, a meta de déficit fiscal seja ampliada para garantir investimentos estratégicos para o Brasil, como o KC-390, o submarino nuclear e o Programa de Sistemas Espaciais (Pese), de pequenos satélites de baixa altitude. “Assim como o KC-390, que é uma janela de oportunidade fundamental para inserir o Brasil em uma indústria de alta tecnologia, podemos abocanhar outros mercados”, disse. Outra possibilidade de aumentar os recursos orçamentários do projeto é por meio de emendas dos próprios parlamentares. O prazo para apresentação de emendas termina amanhã (20), e cada parlamentar pode apresentar emendar no valor de até R$ 14,8 milhões.

EMBRAER KC-390
O KC-390 é o maior avião militar já produzido no Brasil e é apresentado pela Aeronáutica como o melhor do mundo no segmento. É capaz de transportar 23 toneladas de carga e atingir a velocidade máxima de cruzeiro de 860 km/h. Ele foi projetado para usos múltiplos, como transporte logístico militar, lançamento de cargas e paraquedistas, executar reabastecimento em voo de jatos e helicópteros, conduzir operações de busca e resgate aeromédico, bem como prestar apoio a missões humanitárias.

Fonte: Câmara dos Deputados

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