Falta de tornozeleiras: ponta de um grande iceberg

Reportagem publicada ontem no jornal O Globo dá conta que não há recursos para a aquisição e manutenção das tornozeleiras eletrônicas, como são chamados os dispositivos para controle de indivíduos em regime de custódia que recebem o benefício de cumprirem suas penas fora da cadeia.

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É um equipamento sofisticado, mas de custo ínfimo e o fato que o Estado brasileiro (seja Federal, Estadual ou Municipal) não ter dinheiro para obtê-lo leva a uma digressão sobre o  atual estágio da Indústria de Defesa e Segurança  do  país.

Em uma rápida análise, sobressaem desde logo o projeto dos aviões Gripen, a construção de submarinos de propulsão nuclear. Ao lado disso, temos indústrias brasileiras que se aliam a gigantes internacionais como a Saab, a DCNS, a KMW na tentativa de ingressarem na cadeia produtiva da Defesa e receberem tecnologia no chamado estado da arte.  Os números desses projetos são na casa dos bilhões de dólares, mostrando um país interessado em equipar-se para eventuais necessidades de sua política externa e na manutenção da paz de seus cidadãos tanto no quadro de um indesejado conflito externo, quanto na repressão e eventual enfrentamento ao crime organizado.

Esta impressão se desfaz quando conhecemos informações dando conta de atrasos nos cronogramas destes projetos e da penúria nas forças de segurança, que fazem milagre para administrar os parcos estoques de armamento não-letal, além de dificuldades para compra de combustíveis e material de uso.

Esta disparidade de situações dentro de um mesmo sistema do Estado traz incertezas justificadas aos empresários que atuam ou veem com bons olhos ingressarem no setor. Eles devem crer nos planos ou no dia-a-dia de dificuldades para cumprir prazos devido a atrasos e outros imprevistos que desestabilizam a qualquer plano de negócios?

Afinal, nosso País precisa se decidir a respeito de suas prioridades e em como dar conta de suas obrigações constitucionais. Vejamos que mesmo no caso dos aviões Gripen, que são uma escolha ousada de um equipamento muito sofisticado e necessário para a nossa defesa, os números são pálidos.  Para nos atermos aos países integrantes do BRICS, vemos que a Rússia possui 751 jatos de interceptação, a China 1.230 e a Índia cerca de 700 também. Enquanto isso, nós demoramos cerca de 10 anos para concluirmos a negociação dos primeiros 36 Gripen.

O Brasil deu um grande passo quando criou o Ministério da Defesa e deu consequência a Estratégia Nacional de Defesa. A partir daí ocorreu um salto qualificativo na apreciação das necessidades do Brasil neste setor e na procura por maneiras de respondê-las com eficiência e dentro da realidade da nação. Mais ainda, criaram-se mecanismos para a constituição de uma Base Industrial de Defesa capaz de trazer para dentro de nossas fronteiras recursos tecnológicos para construir um número cada vez maior de produtos e serviços necessários ao bom desempenho das Forças Armadas e Forças de Defesa.

Hoje o Brasil já tem um planejamento para melhorar substancialmente a sua Defesa. Os Escritórios de Projetos já mapearam o que necessita ser feito. E, na Segurança, também já estamos planejando melhor para fazer frente às enormes ameaças vindas principalmente do tráfico de drogas, como mostra a guerra entre quadrilhas paraguaias, argentinas e brasileiras que terminou em confronto e morte de um notório criminoso brasileiro há poucas semanas.

A hora é de reforçar a confiança dos empresários, acadêmicos, pesquisadores dedicados ao tema.  É oferecer para eles evidências de que esse esforço está no começo e o país irá cumprir o que planeja.

E para conquistar essa confiança é preciso não se ler mais sobre falta de recursos para aquisição de tornozeleiras.

 

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