FORÇAS ARMADAS são tratadas como polícia no Brasil, diz The Economist

Fonte: Indústria de Defesa & Segurança//

Em um artigo denso e completo, a revista inglesa The Economist desta semana afirma que o Exército Brasileiro (EB) está adotando uma “mentalidade policial”, referindo-se as operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), em que os militares corriqueiramente têm sido empregados. Segundo a publicação, parte dessa postura deve-se ao fato do Brasil estar inserido em uma zona de paz cercado por países pouco militarizados. A última vez que o País sofreu alguma ameaça externa foi em 1711, quando o Rio de Janeiro foi atacado por corsários franceses. Isso justificaria, em parte, a mentalidade das autoridades brasileiras que veem, nas Forças Armadas, agentes de segurança pública e não da defesa da soberania nacional.  

.: Leia também: JUNGMANN: ‘Há uso excessivo das Forças Armadas na segurança pública’

A crítica ao emprego excessivo das Forças Armadas em operações de GLO fez parte do discurso recente do ministro da Defesa, Raul Jungmann, e do Comandante do EB, Gen. Eduardo Villas Bôas, em audiência no Congresso na semana passada. Villas Bôas foi categórico ao dizer que os militares não gostam de atuar nesse tipo de operação. E Jungmann, por sua vez, declarou que há um exagero nessas convocações de militares.

.: Leia também: VILLAS BÔAS: ‘Não gostamos de participar das GLO’

“Os estrategistas brasileiros dizem que a escassez de adversários militares não justifica espreitar a defesa. As gangues criminosas que operam nas áreas fronteiriças podem sobrecarregar a polícia civil e, no futuro, o Brasil espera dissuadir os estrangeiros com seus próprios recursos”. “No entanto, novas ameaças exigem novas respostas. E o próprio alto-comandante do Exército diz que sua forma atual – pesada em pessoal pouco qualificado, com escassez de equipamentos e cada vez mais desviada para o policiamento de rotina – é inadequada para os objetivos declarados pelo governo”, escreve a reportagem.

TR_Vitoria_Foto_Tania_Rego_13022017016-850x566

De acordo com o texto, parte do treinamento dos soldados já está focada para esse tipo de operação. Em Campinas, por exemplo, os militares são submetidos a treinamentos com armas não-letais, que comumente são empregadas em ações policiais nas cidades brasileiras. “Durante o ano passado, os soldados passaram quase 100 dias a patrulhar as ruas da cidade – o dobro do número dos nove anos anteriores combinados. A maioria dos brasileiros parece imperturbável por essa tendência. Ao contrário dos políticos e policiais, os militares são vistos como honestos, competentes e gentis. Apesar da sombra da ditadura, os rankings de confiança das instituições geralmente colocam o exército no topo”.

O Exército, no entanto, almeja uma posição diferente, que pode ser comprovada pelos novos documentos da Defesa. “As Forças Armadas do Brasil de tempos passados são pobres para combater as ameaças do amanhã. Para defender os intrusos na vasta floresta tropical ou na ‘Amazônia Azul’, como as águas territoriais ricas em petróleo do país são conhecidas, o Brasil precisará de uma força flexível de reação rápida, capaz de intervir em qualquer lugar, em qualquer momento. Isso requer equipamentos modernos e pequenas equipes de pessoal móvel e qualificado. No entanto, dois terços das forças terrestres trabalham em contratos que os limitam a oito anos de serviço, impedindo sua profissionalização. Três quartos do orçamento da defesa vão para a folha de pagamento e as pensões, deixando apenas uma fita para kit e manutenção. Nos Estados Unidos, a proporção é inversa”, finaliza. 

 

VEJA TAMBÉM EM

53245_6

Leave A Reply