Governo Temer aumenta investimentos militares em 36%

Fonte: Folha de SP//

Os investimentos militares, que sofreram sérios cortes orçamentários no último ano da presidência de Dilma Rousseff, voltaram a crescer no ano passado. Em comparação com 2015, houve um aumento de 36% no setor de Defesa. Dados do sistema Siga Brasil, do Senado, mostram que em 2015, dos R$ 11,9 bilhões previstos para serem gastos na área apenas R$ 6,73 bilhões foram liberados, incluindo aí os chamados restos a pagar – valores referentes a anos anteriores.

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No fim de 2016, o valor subiu para R$ 9,15 bilhões –R$ 1,85 bilhão a mais do que estava previsto no Orçamento. A previsão para 2017 é ainda maior: R$ 9,7 bilhões, mas segundo o ministro Raul Jungmann (Defesa) esse número deverá sofrer algum corte. Sua pasta é o segundo ministério com maior orçamento do governo federal. As três Forças possuem programas estratégicos que demandam alto investimento. A Marinha investe no PROSUB (Programa de desenvolvimento de submarinos). Em 2015, a rubrica de fabricação de quatro modelos diesel-elétricos, os chamados submarinos convencionais, recebeu só R$ 35 milhões dos R$ 294 milhões planejados, sendo “salva” pelos restos a pagar de outros anos. Como agravante, a construção dos estaleiro e base em Itaguaí (RJ) pela Odebrecht é investigada na Lava Jato.

Defesa 2Na Força Aérea, os focos são os caças suecos Gripen e a fabricação do cargueiro KC-390, da Embraer. Este último só recebeu pouco mais de 10% do previsto em 2015 e sofreu atrasos em seu cronograma, mas em 2016 ficou com quase o dobro da verba inicial: R$ 816 milhões. Já o Exército investe no Sisfron (Programa de proteção de fronteiras) e na troca da sua frota de blindados Guarani. Os números, todos corrigidos pela inflação (IPCA), se referem apenas aos programas das três Forças. O gasto total do Ministério da Defesa em 2016 foi de R$ 87,6 bilhões, equivalentes a 1,4% do PIB (Produto Interno Bruto), número que vem se mantendo estável há duas décadas.

A maior parte do dinheiro (73,7%) vai para pessoal. A segunda maior despesa é custeio, 13,6%, enquanto investimentos somam 10,4%. O orçamento militar brasileiro, em termos nominais, é mais de 20 vezes menor do que o maior do mundo, o americano. Não chega à metade só do aumento prometido por Donald Trump para o setor nos Estados Unidos. Lá, em 2015 cerca de 25% dos US$ 600 bilhões gastos foi para pessoal e 16%, para investimentos. As operações que mantêm o país como maior potência bélica consomem mais de 40% das verbas.

Defesa

NÍVEL DE INVESTIMENTO ADEQUADO
Para o ministro Raul Jungmann, as Forças Armadas brasileiras ainda estão a “léguas” do nível adequado de investimento. E, apesar da retomada de 2016, pode haver algum corte neste ano. “O contingenciamento poderá ocorrer, está sendo discutido”, diz. “Houve uma recomposição, na qual trabalhamos, mas ainda falta muito para voltarmos ao pico do começo da década de 2010″, afirmou o ministro. Naqueles anos começaram a entrar em vigor os programas do acordo militar Brasil-França de 2009, o maior do gênero da história brasileira, que assegurou a montagem de 50 helicópteros de transporte e a instalação do programa de submarinos. “Depois, [o investimento]só caiu, levando ao risco de canibalização dos programas nas Forças”, diz.

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