Homicídios, roubo de cargas e de automóveis cresceram no primeiro mês de intervenção federal no Rio de Janeiro

Xeque-mate

Quando publiquei a coluna de 16 de março (Intervenção federal no Rio completa um mês sem dizer a que veio) recebi muitas críticas de quem considerava que um mês é pouco para se obter os primeiros resultados. Uma das críticas mais fortes dizia que eu apresentava minha opinião, sem oferecer dados. A crítica fazia sentido pelo ponto de vista de seu autor, mas não estava alinhada com o que eu estava dizendo no momento.

Como disse, naquele momento não estava abordando ocorrências criminais, mas falando sobre estratégias, planos de ação, demonstrações claras de que haveriam mudanças na segurança pública. É importante lembrar que falamos de um mês do decreto de intervenção, mas as Forças Armadas já estavam no Rio de Janeiro desde julho de 2017, através da medida de Garantia da Lei e da Ordem. Mais que isso, em uma próxima coluna mostrarei a razão da minha afirmação de que DE NADA ADIANTA A PRESENÇA DAS FORÇAS ARMADAS NO RIO DE JANEIRO, QUANDO O TEMA É REPRESSÃO À CRIMINALIDADE.

Mas em respeito às críticas recebidas, vamos a alguns dados importantes: no período de 16 de fevereiro a 16 de março, primeiro mês da intervenção federal, a presença oficial do Exército com o responsável pela gestão da segurança pública no estado e por se fazer presente em ações intermitentes (que sempre critiquei pela ineficácia) não teve qualquer efeito sobre os indicadores de criminalidade. Observando os registros da cidade do Rio de Janeiro, onde de fato ocorre a intervenção, com algumas ações isoladas em outras cidades, o número de homicídios, roubos de carros e roubos de cargas aumentaram em relação ao mesmo período de 2017.

O roubo de veículos registrou um crescimento de 19,7%, passando de 1.632 em 2017 para 1.954. O número de roubo de cargas, que desde julho de 2017 vem sendo a principal explicação para a presença das Forças Armadas, passou de 281 casos para 317, um crescimento de 12,8%. O número de homicídios passou de 111 em 2017 para 113 esse ano, um crescimento de 1,8%.

Qual a tradução desses números? Enquanto o interventor não anuncia um plano concreto de ação, não obtém do presidente Michel Temer o apoio prometido, descobre que a sucateada estrutura da Secretaria de Segurança Pública não permite milagres sem muito dinheiro (que não vai ter) e que os criminosos ignoram completamente que, agora, quem manda é o Exército. Narcotraficantes e milicianos mostram claramente que quem manda são eles. O Rio pertence ao crime e ponto.

Para não dizer que nada melhorou, o indicador de homicídios decorrentes de oposição à intervenção policial, os chamados autos de resistência, passaram de 49 em 2017 para 27 esse ano, uma queda de 44,9%. Se olharmos para o período imediatamente anterior, de 15 de janeiro a 15 de fevereiro, a queda foi de 47,1%. A tradução desse número é que a polícia está entrando em menos confrontos armados com os bandidos.

Como mostramos na coluna do dia 16 de março, em um mês, a intervenção federal não disse a que veio, pois além de não ter feito nada de concreto para aumentar a segurança, ainda permitiu que o crime crescesse. Posso estar enganado, mas acho que o resultado esperado era exatamente o contrário.

Riley Rodrigues de Oliveira
Diretor-presidente – MC2R Inteligência Estratégica
www.mc2r.net

 

 

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