INDONÉSIA vai pagar Su-35 com commodities

Fonte: Plano Brasil//

Duas semanas depois de o ministro da Defesa indonésio, Ryamizard Ryacudu, ter anunciado a opção da sua Força Aérea (TNI-AU) pelos caças multifunção russos Su-35 Flanker-E, a Administração de Jacarta confirmou, nesta sexta-feira (04.08), que um acordo de governo a governo lhe permitirá pagar 11 aeronaves desse modelo – de preço unitário em torno dos 83 milhões de dólares – com commodities e produtos industrializados. De acordo com o ministro indonésio da Indústria e Comércio, Enggartiasto Lukita, em troca dos aviões a Rússia receberá, entre outras mercadorias, café, óleo vegetal e chá.

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Os detalhes do acerto estão sendo discutidos entre a PT Perusahaan Perdagangan, agência oficial de comércio da Indonésia, e a estatal russa Rostec. Por meio de um comunicado à imprensa, a Rostec anunciou que o memorando de entendimento (MoU) firmado entre as partes sobre o assunto está “empenhado em assegurar a implementação de um adequado programa de couter-trade no âmbito das obrigações contratuais. Ao mesmo tempo, o lado russo mantém o direito de escolher produtos e produtores parceiros comerciais na Indonésia”.

Escambooleovegetal

Em 2016, a balança comercial dos dois países registrou um superávit a favor da Indonésia da ordem de 411 milhões de dólares. O jornal Jakarta Post avançou sobre os motivos que levaram Moscou a fornecer os interceptadores Sukhoi sem receber em moeda forte. De acordo com a publicação o MoU é, “em parte”, impulsionado pelo desejo de Moscou de ampliar seu pool de fornecedores de commodities, em uma conjuntura de sanções comerciais estabelecida pelos Estados Unidos e pela União Europeia, em função do apoio da Rússia aos separatistas da Ucrânia – o mesmo bloqueio que privou a Marinha russa de receber porta-helicópteros de assalto anfíbio da classe francesa Mistral.

Mas não está claro se o acordo de compensação irá abarcar o valor total da operação comercial – estimado em pouco mais de 900 milhões de dólares – ou apenas uma parte dele. Com a aquisição dos Flankers, a Aviação Militar indonésia desativará, de imediato, os seus antiquados caças F-5E Tiger II, que nunca foram submetidos a um programa de modernização amplo. O ministro Ryacudu informou que, além de pagar uma parte importante do custo das aeronaves com mercadorias, a encomenda envolve ainda itens de coprodução e transferência de tecnologia que vão beneficiar a indústria aeroespacial de seu país.

EXPERIÊNCIA BRASILEIRA
O Brasil também já pagou jatos de caça com mercadorias. Aconteceu na primeira metade dos anos de 1950, quando a Aeronáutica brasileira decidiu evoluir dos pesados caças P-47D Thunderbolt, a pistão, para o “avião a jato”. Naquela época, o F-84E Thunderjet, da empresa americana Republic, saía por 300.000 dólares cada um, e o afamado North American F-86F Sabre por 450.000 – no caso de os Estados Unidos autorizarem suas fábricas de jatos a venderem esses aparelhos à América do Sul, naturalmente.

A Força Aérea Brasileira calculava que precisaria gastar uns 15 milhões de dólares para equipar um ou dois esquadrões com aeronaves modernas, e o valor estava completamente fora do alcance dos cofres brasileiros. A solução veio da Inglaterra: 60 jatos Gloster Meteor, nas versões F-8 (de combate aéreo) e TF-7 (de treinamento). O F-8 teve seu preço estipulado em 42.810 libras esterlinas, e o modelo de instrução em 40.310 libras. O pagamento foi feito com 15.000 toneladas de algodão, avaliadas em 4 milhões de libras esterlinas – uma fortuna à época – no âmbito de um pacote que envolvia ainda sobressalentes, documentação técnica, treinamento do pessoal, e o transporte das aeronaves com o respectivo seguro. Os fardos de algodão foram embarcados em navios cargueiros, e os jatos começaram a chegar ao Rio de Janeiro em maio de 1953, desmontados dentro de caixotes.

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