INTERNACIONAL> Cobre financia compra de tanques no Chile

Fonte: DW//

Com o preço do cobre alcançando cifras históricas, o negócio com o metal gera enormes benefícios que não somente repercutem na economia nacional do Chile, como também nas Forças Armadas. A lei chilena determina que 10% do dinheiro gerado com vendas de cobre seja repassado às Forças. Desta forma, os últimos anos foram de progressivo investimento. Somente em 2007 foram gerados US$ 1.400 milhões. O fundo tem caráter reservado e controlado.  Mas se sabe, por exemplo, que a Alemanha é um dos poucos países que possui uma fatia tão generosa de investimento como a do Chile.

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trabajador_controla_proceso_fundicion_cobre_planta_situada_chuquicamata_chileAs origens da Lei de Reserva do Cobre são anteriores a ditadura do general Augusto Pinochet e se remontam aos anos 1930. O governo militar deu forma e corpo legal a relação entre o metal e o financiamento do Exército, mas não a criou. O que se fixou durante a ditadura foi a cifra de 10% das vendas como a parte do negócio do cobre que corresponderia aos militares, desde que o montante não fique abaixo de US$ 180 milhões, caso em que o Tesouro deve fazer intervir.

O texto da Lei de Reserva decreta que o dinheiro, “depositados no Banco Central do Chile, em dólares dos Estados Unidos da América, na Tesouraria Geral da República”, deverá ser gasto exclusivamente na renovação de equipamentos militares e na compra de armamento. O que significa que, independentemente das necessidades reais das Forças Armadas, o Chile está obrigado a adquirir material militar.

Assim, o Chile se converteu em um dos países do mundo que mais gasta dinheiro com armas. O pressuposto do Exército chileno é muito superior ao dos seus vizinhos Bolívia e Peru. Vizinhos estes que, aliás, reina uma paz não isenta de conflitos. Chile e Bolívia não mantêm relações diplomáticas. Bolívia nunca renunciou a recuperar a saída ao mar perdida na Guerra do Pacífico em 1879 e que agora faz parte do Chile.

BLINDADOS LEOPARD ALEMÃES

Em março de 2006, a Alemanha vendeu ao Chile 100 tanques do modelo Leopard II. Chile não é membro da União Europeia nem possui assento na Otan, conforme determina a lei alemã para a venda dos equipamentos. E a zona se encontra livre de tensão. “A espiral armamentista se manterá dentro de uns limites pelo simples fato de que, salvo Chile e Venezuela, os demais países da região não têm dinheiro para gastar com armas. Mas o Peru se sente ameaçado e, se pudesse, preferiria se armar hoje a amanhã”, explica Michael Radseck, do Instituto de Estudos Globais e Regionais de Hamburgo.leo2

“O Chile é considerado um país exemplar na Europa. Eu não acho que muitos parlamentares alemães estão informados da existência dessa coisa chamada Lei de reserva do cobre”, diz o especialista. “Portanto, não é necessário fechar as portas para tão bom cliente. Deve-se também ter em mente que esses tanques não são mais necessários, e destruí-los custa dinheiro.”

COMPRA DE EQUIPAMENTOS

A compra de armas no Chile é decidida por um conselho formado por um representante de cada um dos quatro ramos das Forças Armadas: Marinha, Exército, Aeronáutica e Polícia, a polícia no Chile também é militarizada. Eles são os que administram os fundos que vêm de cobre. A última palavra sobre as aquisições é do presidente da República. E um número de ministros participa das deliberações. Mas o Parlamento não é consultado em qualquer momento.

“A situação continua a ser complexa”, diz Radseck. “Eu sempre coloco o seguinte exemplo: Chile não tem dinheiro nem mesmo para veículos de remoção de minas. Essa é a razão pela qual os militares sempre alegam que as cargas das minas no norte não podem ser retiradas rapidamente. Sempre que há um incêndio, o CONAF, organismo competente, tem que contratar aviões particulares porque a aviação chilena carece destes dispositivos “.

Na Alemanha, toda aquisição de armas deve contar com a aprovação prévia do Parlamento. No entanto, as vendas são decisão exclusiva do Executivo. No informe sobre a exportação de armamento de 2006, que o governo alemão elaborou ao longo de 2007, apareceu especificado o envio de 100 tanques Leopard ao Chile. Em março de 2008, quando o informe de 2006 foi apresentado aos parlamentares, estes tiveram a oportunidade de debater a decisão tomada. “Nestes debates, o Parlamento só gasta de 20 a 30 minutos”, conta Radseck.

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