Intervenção na segurança pública do Rio é medida política

A decisão do presidente Michel Temer, em conjunto com o governador Luiz Fernando Pezão, de decretar intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro não é uma medida técnica, mas política. Com o fracasso do Plano de Segurança Pública e da Ação de Garantia da Lei e da Ordem, em especial pela falta de entendimento entre o Ministério da Defesa e a Secretaria de Segurança Pública (um não querendo assumir a responsabilidade e outro não querendo entregar), ambos estavam expostos diante do crescimento da criminalidade.

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Chama a atenção que a intervenção, decretada no estado, teve entre suas razões a violência na cidade do Rio de Janeiro durante o Carnaval e palas ausências do prefeito Marcelo Crivella e do governador na cidade. O governador reconheceu que perdeu as condições de comandar a segurança, se é que um dia teve. Crivella foi inserido desnecessariamente no contexto, uma vez que o policiamento não é parte das responsabilidades do prefeito. Deveria estar na cidade nesse momento, pela importância econômica e pela crise que o Rio atravessa? Sim. Isso é motivo para ser colocado nesse contexto? Não

Sobre o alcance, tudo indica que a intervenção irá atingir, de fato, apenas a cidade e, no máximo, a Região Metropolitana. Quanto aos demais municípios, permanecerão na situação atual.

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Se essa medida tivesse sido tomada em julho de 2017, quando União e Estado anunciaram o famoso Plano de Segurança com estardalhaço, com foco no combate ao roubo de cargas (e que de resultado concreto nada gerou, apenas fiascos midiáticos), talvez, e apenas talvez, a situação não chegasse ao ponto atual. Mas todos se omitiram. Decisão errada à época e agora.

As Forças Armadas não são treinadas para atuar como polícia, o que significa que essa atividade permanecerá sendo realizada pelas Polícias Militar e Civil, sob o comando do interventor, General Walter Souza Braga Neto, do Comando Militar do Leste. Soldados são preparados para atuar em casos de guerra ou missões de paz, o que, apesar do Rio viver um clima de guerra, não é o caso, pois não há características de conflito belicista.

Como em intervenção não pode haver alterações na Constituição, a Reforma da Previdência não será votada (a desculpa que o governo queria, alegando motivo de interesse superior). A saída que o Pezão queria, para justificar sua incompetência administrativa e negligência com a segurança.

O problema do Rio é mais profundo e não será resolvido com a intervenção. Os homens fortes do estado nas últimas quatro décadas estão presos ou soltos por liminares estranhas (Cabral, Rosinha, Garotinho, Piciani, Paulo Melo, Albertasi, ex-secretários e empresários que roubaram o estado). A corrupção está na raiz dos problemas de segurança e de todos os outros. E essa intervenção não vai resolver, será apenas mais uma vidraça para as forças armadas e uma desculpa para Pezão.

Apenas grupos de interesses que não a segurança pública podem defender, nesse momento, que a intervenção é a saída. É só mais uma maquiagem que em curto tempo estará borrada.

Por Riley Rodrigues de Oliveira
CEO da MC2R INTELIGÊNCIA ESTRATÉGICA

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