JUNGMANN: Presença do Exército americano na Amazônia é ‘fake news’

Fonte: Indústria de Defesa & Segurança com inf. Senado Federal//

Depois de ter sido criticado por falta de transparência em relação a aproximação com as Forças Armadas Americanas, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, negou a presença do Exército dos Estados Unidos em exercício militar na Amazônia (fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia). “Isso não existe. Não passa de ‘fake news’ (notícia falsa)”, disse o ministro em audiência no Senado Federal. Jungmann ressaltou ainda que a doutrina de defesa do Brasil não permite a presença de tropas estrangeiras no país, a não ser de países da América do Sul, e que o que existe é a presença de observadores americanos e de outros países em ações pontuais, da mesma forma que militares brasileiros fazem no exterior.

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O ministro também esclareceu outros pontos delicados da Defesa aos senadores. Veja os principais pontos abordados.

BASE DE ALCÂNTARA

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Jungmann disse que o governo já negocia com outros países o uso otimizado da plataforma de lançamento de foguetes da Base de Alcântara. Para ele, o país não pode repetir o equívoco de atrelar a base de lançamentos de Alcântara (MA) a um único parceiro. Segundo ele, a minuta definindo um novo modelo de uso para a base será em breve encaminhada ao Congresso Nacional, e pediu a compreensão dos parlamentares da oposição para que o veja como sendo de “interesse nacional”.

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“Nesta nova concepção nós vamos trabalhar com China, Rússia, EUA, Israel, França, com empresas nacionais, seja quem for. Já estamos negociando com qualquer país que tenha interesse, não haverá monopólio”, disse. Jungmann avalia que os acordos podem render ao Brasil cerca de U$ 1,5 bilhão por ano, o que já deveria ocorrer. Neste cenário ele entende ser “incompreensível” a base encontrar-se totalmente inutilizada, em razão de “concepções errôneas”, que temiam o controle de Alcântara pelos Estados Unidos.

CONSTITUIÇÃO E SEGURANÇA PÚBLICA
O ministro propõe que o Congresso Nacional reveja o capítulo da Constituição que definiu o modelo brasileiro de segurança pública, e que centralizou esta política nas mãos dos governos estaduais. Para Jungmann, o cenário hoje é de “colapso total” deste modelo, num quadro que devido à sua gravidade já se tornou uma questão de segurança nacional. “Como no regime anterior à Constituição de 1988 havia uma unidade entre defesa e segurança pública, tomou-se então a decisão pela descentralização. Oitenta por cento da responsabilidade foi repassada aos estados, e a União ficou com missões residuais. Mas já passou da hora de entendermos que este quadro não se aplica mais à monumental crise que vivenciamos hoje”, disse.

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Devido a este quadro Raul Jungmann propôs à CRE a realização de uma sessão secreta no âmbito da comissão, com a participação também do secretário nacional de Segurança Pública, general Carlos Alberto Cruz. Jungmann explicou que defendia uma reunião fechada devido ao teor delicado de informações já em mãos de órgãos investigadores do governo, ligados à ação dos grupos criminosos. Jungmann acrescentou que o Brasil faz fronteira com quatro países que têm hoje no tráfico de drogas um motor central de suas economias. Por isso avalia que o governo brasileiro precisa reagir a essa realidade, em vez de continuar com “políticas de remendos”. Dentro deste quadro ele exemplificou que o recente deslocamento de grupos para a fronteira do Acre está ligada aos processos de paz na Colômbia e no Peru, que tem desmobilizado milhares de fuzis e outros armamentos. “Nós temos um acordo com os colombianos de acompanharmos o processo, mas a verdade é que o recolhimento tem sido menor… É uma situação preocupante, especialmente quando levamos em conta que só no Rio de Janeiro apreendemos nos primeiros meses desse ano cerca de 300 fuzis”, disse o ministro, demonstrando o efeito do tráfico de armas para dentro das nossas fronteiras.

Para Jungmann, o caos na segurança pública hoje existente no Brasil pode por em risco as instituições estatais, como já ocorre em países como o México. Ele citou dados do Grupo de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público de São Paulo, atestando que entre 2014 e 2016 o PCC passou de três mil para mais de 13 mil membros, atuando inclusive em parceria com outros grupos sul-americanos. “O fato é que nossos presídios e penitenciárias se tornaram o home-office do crime. É desses lugares que hoje eles comandam a criminalidade, numa evidente conivência com aparatos de segurança e, infelizmente, contando com a participação de advogados e parentes”, concluiu.

FORÇAS ARMADAS E ELITE
Segundo Jungmann, as Forças Armadas têm um sentimento de “orfandade” em relação à elite brasileira, incluindo setores da elite política, por avaliarem que não são valorizadas como merecem. Para o ministro, não é possível que um país com a dimensão geopolítica que tem o Brasil tenha a ilusão de que lidará sempre com cenários de paz. Ele procurou durante sua explanação demonstrar aos senadores que o mundo já convive hoje com quadros de mudanças rápidas e um crescimento das capacidades de conflito.

Jungmann ainda avaliou que a governança global internacional já não corresponde ao cenário de instabilidade, razão por que seria necessária uma compreensão mais ampla por parte das elites nacionais no que tange a garantir a capacidade operacional de nossas Forças Armadas. “Nada a ver com nos transformarmos em uma potência guerreira, não é nada disso. O problema é que ainda se confunde em nosso país que uma nação pacífica seria necessariamente desarmada. Precisamos mudar essa cultura, a elite brasileira dá pouca atenção às Forças Armadas e à Defesa”, avaliou Jungmann.

DEFESA CONTRA AMEAÇAS EXTERNAS
Jungmann qualificou a percepção da elite brasileira de “esquizofrênica”, por almejar transformar o país em um ator global em termos geopolíticos, avaliando que tal processo pode se dar sem se confrontar com aspirações de outros atores. O ministro deixou claro que a situação atual, refletida inclusive num quadro de 147 anos sem guerra interestatal, é de ausência de qualquer ameaça concreta ou real. Mas o país não pode deixar de trabalhar com possibilidades de instabilidades ou problemas no futuro, exatamente como age agora a União Europeia.

“Sou um pouco mais velhinho, e no meu tempo isso que a UE está fazendo se chamava rearmamento, e não acabava bem. Um dos cenários com os quais eles trabalham é de problemas no Atlântico Sul. O fato real é que a paz nunca deixa de ser contingente, não é uma dádiva divina nem imutável. A paz passa pela capacidade operacional das Forças Armadas”, conclui.

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