MARINHA> Comandante da Força de Submarino analisa desafios da Marinha do Brasil

Fonte: Diálogo//

O comandante da Força de Submarinos da Marinha do Brasil, Contra Almirante Oscar Moreira da Silva Filho, defende que a Força Naval integre “os componentes submarinos, de superfície e aéreo” para a defesa nacional. Em entrevista ao site Diálogo, o comandante fez uma breve análise do desafio atual da Marinha. Veja um trecho da entrevista.

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Diálogo: Qual o contexto em que a Marinha do Brasil se encontra hoje em matéria de segurança e defesa?

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Da esq. para a dir.: CF Lars Johst, comandante do Primeiro Esquadrão de Submarinos da Marinha da Alemanha, C Alte Oscar, comandante da Força de Submarinos da Marinha do Brasil, C Alte Hugo Verán, comandante da Força de Submarinos da Marinha de Guerra do Peru, C Alte Andrew Lennon, segundo comandante da Força de Submarinos do Atlântico da Marinha dos Estados Unidos e Dr. William F. Bundy, professor da Escola de Guerra Naval dos Estados Unidos.

C Alte Oscar: A América do Sul encontra-se distante dos principais focos mundiais de tensão e livre de armas nucleares, sendo considerada uma região relativamente pacífica. Além disso, processos de consolidação democrática e de integração regional tendem a aumentar a confiança mútua e a favorecer soluções negociadas de eventuais conflitos. Entretanto, o Brasil se apresenta como um país de características peculiares. Entre elas, destaca-se a possibilidade de estender os limites da sua Plataforma Continental e exercer o direito de jurisdição sobre os recursos econômicos em uma área de cerca de 4,5 milhões de quilômetros quadrados, em uma região de vital importância para o país, também conhecida como Amazônia Azul. Nessa imensa área, inclui-se a camada do pré-sal, onde estão as maiores reservas de petróleo e gás do país, além da existência de grande potencial pesqueiro, mineral e de outros recursos naturais. A região amazônica brasileira é foco da atenção internacional em virtude de seu grande potencial de riquezas minerais e de biodiversidade. A garantia da presença do Estado e a vivificação da faixa de fronteira são dificultadas, entre outros fatores, pela baixa densidade demográfica e pelas longas distâncias. Finalmente, a globalização aumentou a interdependência econômica dos países e, em consequência, o fluxo de cargas. No Brasil, o transporte marítimo é responsável por movimentar cerca de 95% do comércio exterior.

Diálogo: Quais são os principais desafios a partir desse cenário?
C Alte Oscar: Dentro desse contexto e, de maneira a conceber a relação entre as tarefas estratégicas de negação do uso do mar, de controle de áreas marítimas e de projeção de poder, a Marinha do Brasil se pautará por um desenvolvimento desigual e conjunto, apresentando como principal desafio, em matéria de segurança e defesa, a necessidade de constituir uma força e uma estratégia navais que integrem os componentes submarinos, de superfície e aéreo. Isso permitirá realçar a flexibilidade com que se resguarda o objetivo prioritário da estratégia de segurança marítima: a dissuasão, priorizando a negação do uso do mar ao inimigo que se aproxime do Brasil, por meio do mar.

Para tal, o Brasil manterá e desenvolverá sua capacidade de projetar e de fabricar tanto submarinos de propulsão convencional como de propulsão nuclear; construirá meios para exercer o controle de áreas marítimas, tendo como foco as áreas estratégicas de acesso marítimo ao Brasil; dedicará especial atenção ao projeto e à fabricação de navios de propósitos múltiplos e navios-aeródromos; contará com navios de porte menor, dedicados a patrulhar o litoral e os principais rios navegáveis brasileiros; iniciará os estudos e preparativos para estabelecer, em lugar próprio, o mais próximo possível da foz do rio Amazonas, uma base naval de uso múltiplo; e acelerará o trabalho de instalação de suas bases de submarinos, convencionais e de propulsão nuclear.

 

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