NEGÓCIOS: Opções estratégicas da Embraer são complicadas

Agora que o avião comercial Embraer 190-E2 foi certificado pela Anac e está prestes a entrar em serviço com a norueguesa Wideroe, a fabricante brasileira de aeronaves, sem dúvida, está avaliando seus movimentos futuros. O possível negócio com a Boeing no lado comercial abrirá algumas oportunidades. No entanto, a Embraer não deve cair na armadilha de confiar muito em seu novo parceiro, mas deve manter uma visão independente do mercado e suas próprias iniciativas nele, avalia a publicação americana Aviation Week.

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Dada a atividade em seus outros segmentos de negócios, é provável que o próximo grande passo da Embraer seja novamente um projeto comercial, internamente e provisoriamente denominado E3. Sua divisão de defesa está focada em obter o KC-390 através da fase final de desenvolvimento e enviar o primeiro avião para a Força Aérea Brasileira (FAB). A Embraer também desenvolveu muitos novos aviões de negócios nos últimos anos para um mercado que se mostrou difícil em muitas regiões, oferecendo oportunidades de crescimento muito menores do que a arena de aeronaves comerciais.

A fabricante vem insinuando há algum tempo que o mercado do turboélice está novamente em suas vistas, um mercado que já havia trabalhado no Bandeirante e Brasília. A indústria ignorou mais ou menos essas insinuações porque outros assuntos foram mais proeminentes, o E2 entre eles. É claro que não há planos de projeto ou lançamento no horizonte imediato, mas a Embraer olha com bastante seriedade a ideia de reinvestir no segmento de aeronaves regionais com um avião moderno.

Este mercado atualmente é dominado pela ATR, que vem modernizando sua família de aeronaves e contemplando um novo design. Mas, além do interesse manifestado por alguns de seus clientes, não está realmente pressionado a fazer nada no momento, se seu objetivo é manter sua posição no mercado. Os acionistas também teriam que ser conquistados para permitir que a ATR faça investimentos substanciais em um novo programa de aeronave. A empresa só tentou um novo programa sua história – quando seus turbopropulsores originais foram desenvolvidos.

Obviamente, há um grande ponto de interrogação sobre o futuro da série Q400 da Bombardier (e também para a família CRJ), agora que a Série C está prestes a ser ativada sob o controle da Airbus. Uma vez concluído o acordo, a Bombardier terá que tomar algumas decisões muito fundamentais sobre o tipo de empresa que quer ser. Deve se concentrar em aeronaves de negócios? Ou talvez reter uma pequena presença de subescala em um nicho do mercado comercial sem perspectivas reais de recuperação, em particular se a competição decidir subir o jogo com novos investimentos?

Dado o cenário competitivo, pode ser tentador para a Embraer voltar a comprometer a aviação regional. A empresa agora tem o conhecimento tecnológico e as habilidades executivas para enfrentar outro programa de aeronave. Depois de décadas de modelos modernizados alimentados por motores que já não fornecem a mais recente tecnologia e eficiência, os clientes certamente também escutarão propostas avançadas.

No entanto, o tempo é complicado. A próxima grande revolução na indústria de aviões comerciais poderia muito bem ser híbrida e elétrica. A questão para quem quer voltar a entrar no mercado de 50-90 lugares é se a aeronave deve permanecer convencional ou ser pelo menos parcialmente elétrica. Qualquer aeronave que permaneça dentro do domínio atual da tecnologia poderia ser desenvolvida com relativa rapidez e entrar em serviço em meados de 2020, conforme o novo avião de mercado intermediário (NMA) proposto pela Boeing. No entanto, se a Embraer decidir dar um grande salto em termos de tecnologia de propulsão, a espera provavelmente terá que ser muito maior.

As futuras escolhas do programa dependerão do resultado das negociações da Boeing. Se a Boeing atribuir a Embraer um papel importante na NMA, pode ser difícil adotar um programa adicional de desenvolvimento grande ao mesmo tempo. Finalmente, a Embraer também falou sobre a perspectiva de entrar no mercado de mobilidade aérea urbana em algum momento. Embora isso não substitua seus compromissos em curso, é um fator a ter em mente no que diz respeito aos recursos de engenharia.

Fonte: Aviation Week

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