NEGÓCIOS: Temer diz que vetará possível transferência de controle da Embraer para a Boeing

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O presidente Michel Temer afirmou na última segunda-feira (29) que vetará a transferência do controle da Embraer para a empresa norte-americana Boeing, caso ela ocorra, conforme foi cogitado por dirigentes da empresa. “Não vamos abrir mão do controle da Embraer”, garantiu, em entrevista à Rádio Bandeirantes. Temer disse que é legítimo que a Boeing queira aumentar sua participação, mas não a ponto de ter o controle total da empresa.

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Temer comparou a Embraer à Petrobras. “A Embraer tem uma simbologia muito grande para o país, mais ou menos como a Petrobras”, disse sem descartar que uma parceria entre a Embraer e a Boeing seja realizada no futuro. O presidente também defendeu o controle majoritário nacional da empresa em entrevista publicada nesta segunda-feira (29) no jornal Valor Econômico.

NEGOCIAÇÃO
Embraer e Boeing estudam uma forma de associação desde o fim do ano passado, porém ambas ressaltam que “não há garantias de que as discussões resultarão em uma transação”. Isso porque a União detém a golden share (ação especial, com direito a veto). Para especialistas da indústria aeroespacial, no entanto, a união das empresas garantiria vantagens para os dois lados.

O primeiro benefício para a Embraer seria se associar a uma gigante do setor. A Boeing fatura US$ 90 bilhões por ano e tem um valor de mercado de US$ 150 bilhões. Enquanto a receita da Embraer no ano passado foi US$ 6 bilhões e seu valor é de US$ 5 bilhões. O governo brasileiro tem restrições a uma fusão por conta da importância estratégica da Embraer para a soberania nacional. Tanto que o Ministério da Defesa está à frente do assunto.

Uma fonte presente à reunião entre o ministro da Defesa, Raul Jungmann e representantes da Boeing garantiu que o governo não tem intenção de interferir em transações empresariais, mas aguarda por uma proposta da Boeing que isole a área de Defesa da Embraer. “Do jeito que Boeing quer, a operação fará a parte comercial da Embraer decolar, mas vai enterrar a parte militar”, comentou. “Esperamos por uma proposta com menos intenção hegemônica”, disse.

O governo justificou seu posicionamento alegando que a Embraer é uma empresa muito demandada pelas Forças Armadas no desenvolvimento de produtos, desde submarino a satélites, e na estratégia militar, para monitorar fronteiras e o espaço aéreo. No entanto, o governo detém apenas a golden share porque o capital da Embraer é pulverizado. O BNDESPar tem 5% das ações, a Previ tem menos que isso, e o maior acionista individual é um fundo americano, com participação de 14,4%, e o governo pode não ter como impedir que esse fundo venda sua participação para Boeing.

O interesse da Boeing na Embraer despertou depois que a sua principal concorrente, a francesa Airbus, se uniu à canadense Bombardier, que produz aviões de até 120 assentos como os feitos pela Embraer. Até então, a Boeing estava sentada na confortável posição de líder mundial na fabricação de aviões, mas seu foco são aviões acima de 150 assentos e passou a concorrer com uma Airbus agora com capacidade para vender aeronaves de 50 até 400 lugares.

ANÁLISE
Para Adalberto Febeliano, professor de Economia do Transporte Aéreo, é fundamental o país negociar bem para a Embraer manter a capacidade de engenharia, linhas de produção, projetos estratégicos, integração de satélite, sem que essas informações caiam nas mãos dos Estados Unidos, mas também é importante qualificar a aérea brasileira para projetos maiores com a parceria com a Boeing. “Hoje, as empresas não têm mais dono, são corporações. Este tipo de modelo híbrido, de manter a parte de defesa, já existe. A própria Boeing declara que tem parcerias desse tipo na Austrália e na Inglaterra. Basta revelar como funcionam as salvaguardas”, destacou.

Febeliano destacou que todos os governos ajudam suas indústrias aeroespaciais, justamente, porque são estratégicas de ponto de vista militar. “A Embraer teve financiamento a taxas subsidiadas há mais de 20 anos. Mas hoje não tem subsídios como as outras. Discordo do governo quando diz que quer perder o controle da área militar. Como vai manter os projetos sem dinheiro?”, indagou.

Além disso, se o governo demorar demais, a Boeing pode, simplesmente, buscar associação com outras empresas. “A base de engenharia da Embraer é muito sólida, com atuação importante tanto no mercado civil como no militar”, garantiu o especialista em aviação Edmundo Ubiratan. Contudo, outros países vem desenvolvendo a indústria rapidamente. “A China representa um risco no longo prazo. Os chineses têm dinheiro e emergem como concorrentes importante no mercado de aviação. Estão comprando empresas para aprimorar seu know how tecnológico. Fizeram isso com a Cirrus e a Epic, e mais recentemente com a Diamond”, destacou.

O professor Febeliano lembrou que o Japão tem a Mitsubishi, que está desenvolvendo um jato regional, e a Honda. “A diferença é que enquanto Embraer sempre certifica no prazo, os demais concorrentes estão sempre atrasando. A própria Bombardier atrasou projetos em anos”, comparou. “A Embraer tem poder de barganha, não precisa entregar tudo se o acordo não for interessante”, defendeu.

Fonte: Agência Brasil e Correio Braziliense

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