O desafio do roubo de cargas

O roubo de cargas rodoviárias é hoje o crime mais vultoso no Rio de Janeiro. Ele financia as quadrilhas que utilizam os recursos apurados na venda de mercadorias roubadas para comprar drogas e armas.

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Essa constatação mostra como o crime está dentro de nossa sociedade. Afinal, não se está falando de uma carga que será vendido na banca de um camelô na Central do Brasil. São produtos eletrônicos, produtos da linha branca, insumos industriais, que serão repassadas a grandes consumidores que aceitam comprar mercadoria roubada.

MiraÉ claro que há uma patologia ética e social nesse comportamento, mas isso foge ao escopo de nosso site. Vamos nos ater ao aspecto da segurança e ele nos mostra que se esses fatos ocorrem é porque está fácil participar dessa cadeia criminosa. Grandes firmas só compram material roubado porque têm certeza de que permanecerão impunes, porque crêem que a polícia jamais chegará até suas sedes.

Prender os bandidos que efetivamente roubam as cargas, e muitas vezes assassinam motoristas e vigias, é importante, mas insuficiente para estancar esse crime. Esses bandidos são a linha de frente do roubo de cargas, mas é ilusório esperar que a sua prisão interrompa os assaltos cada vez mais freqüentes e fatais.

A hora é de se enfrentar os receptadores dessas cargas roubadas. O Brasil está aplicando sansões pesadas a algumas de suas maiores empresas devido a condutas corruptas de suas administrações. Companhias com dezenas de milhares de empregados, com atividades internacionais vultosas, estão sendo exemplarmente punidas, e seus controladores presos devido a esses crimes.

Tudo indica que enfrentar o roubo de cargas vai exigir de nossas autoridades a mesma coragem e dedicação. Ao se conhecer os números gerados por esse crime, vê-se que há muita gente atrás dos bandidos que rendem os motoristas nas estradas.  Há muitos outros dedos que apertam os gatilhos das armas criminosas.

Um esforço extra das nossas forças de segurança e do judiciário é necessário para mudar essa realidade. Esperemos que o novo Ministro da Justiça se sensibilize com essa realidade e dê os recursos necessários ao combate ao roubo de cargas.

José Carlos Mattos
Editor do site ID&S

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