O homem errado para o Desafio da Segurança Pública

Está claro para todos que a situação de segurança pública ultrapassou qualquer limite aceitável no Brasil. Todos que vivem no País sabem disso, não importa aonde, não importa o nível social, ou cultural, qualquer pessoa percebe que não é possível um país manter seus cidadãos em sobressalto diário, temendo a tudo e a todos.

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É importante sim levantar responsabilidades, saber as causas históricas, culturais que nos trouxeram a este ponto, mas é mais importante ainda agir para que medidas indiscutíveis sejam tomadas sem demora a fim de sairmos desse quadro. Por exemplo, revelou-se que 42% dos presos estão encarcerados em regime provisório. Ou seja, resolver os problemas desses presos pode diminuir a super população carcerária, fazer justiça a milhares de brasileiros que estão sofrendo na prisão sem terem sua culpa estabelecida pela justiça.  Esta é uma medida gerencial, não depende de análises históricas, antropológicas, como as que estamos lendo em todos os veículos.

É preciso restaurar a autoridade do Estado dentro dos presídios. O domínio da ordem dentro dos presídios não pode estar nas mãos dos presos.  Esse é um problema antigo, trazido ao conhecimento da sociedade em estudos de especialistas, revelações de autoridades e presos e até em livros como Carandiru, de Dráuzio Varella, que esmiúça para os leitores quem mandava de fato naquela prisão.  Mais uma vez estamos falando de correções  que prescindem de maiores estudos teóricos psicológicos, antropológicos, sociológicos ou o que mais se queira. Estamos falando em restaurar a regra simples de que quem manda no presídio é o Estado e não os prisioneiros.  Isto feito, com certeza o risco de um apenado ser degolado dentro de sua cela será praticamente eliminado.

Desafortunadamente, não se percebe nas autoridades brasileiras encarregadas por dever de ofício a tomarem essas e outras decisões, condições de enfrentar esse desafio.

???????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????O Ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, a quem caberia liderar o esforço para vencermos esse quadro dramático,  vem decepcionando os brasileiros desde a sua posse. Declarações estapafúrdias, bravatas, expõem uma autoridade fraca, sem condições de enfrentar o  desafio tão importante de garantir a segurança indispensável à qualidade de vida dos brasileiros e de quem vive no país.  Em sua primeira entrevista, o Ministro Alexandre disse que iria dotar a polícia de armas de maior calibre, já deixando ver o seu modo  bang-bang de como se impõe a lei na população.  Depois, houve a lamentável coletiva sobre terroristas que estariam se preparando para perturbar as olimpíadas. O risco era real, mas o Ministro visivelmente se sentia em uma coletiva holywoodiana  e bravatas tiveram mais espaço do que informação relevante para a população.

Chegando aos últimos acontecimentos, o Ministro simplesmente foi desmentido a respeito do pedido de ajuda do Governo de Roraima. Declarou que não havia recebido solicitação de apoio de Roraima.   Em poucas horas passou pelo desconforto de ler na imprensa o pedido feito e a sua própria carta negando a providência.

É normal os Presidentes da República resistirem mudar Ministros sob fogo da imprensa.  É compreensível o receio de passar a impressão de que a imprensa escala o Ministério. Esse não seria o caso. O governo já tem muitos problemas políticos e econômicos a cuidar. O dr. Alexandre  de Moraes não demonstra ser o homem certo para a hora. Insistir no engano pode levar a mais mortes bárbaras, mais descontentamento na polícia e no judiciário. Trocar o Ministro da Justiça não irá resolver a questão por si só, mas está claro que mantê-lo é arriscar levar a segurança pública ao caos.

 

José Carlos Mattos
Editor do site Indústria de Defesa & Segurança

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