O ‘naufrágio’ do São Paulo

A notícia da desativação do porta-aviões São Paulo não é uma surpresa.  É a conclusão de um projeto que nunca se provou viável e coloca mais uma vez em cheque a política de comprar armamento antigo, tendo como base principal de aprovação nas condições de preço oferecidas.

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O Brasil já possuiu uma das maiores Marinhas de Guerra do mundo. Ao que parece, nossos colonizadores, nossos Imperadores, tinham um descortino maior do que nossos atuais governantes. Eles viam o óbvio: que um país com uma fronteira marítima de 9.200 km se forem consideradas as saliências e reentrâncias dolitoral, tem que possuir uma Marinha proporcional a essa grandeza.

Há várias gerações, no entanto, essa constatação aritmética não é considerada no planejamento do Estado brasileiro. E a nossa Marinha hoje está muito aquém do que seria razoável.  Nossa armada está desaparelhada para a guerra naval moderna, e sem capacidade operacional para defender nossa costa e a nossa presença – que se quer preponderante – no Atlântico Sul.

Esperemos que os problemas que impediram o São Paulo de efetivamente servir ao Brasil, sirvam de ânimo para que o Prosub e o projeto de construção das novas Corvetas da classe Tamandaré sejam levado a cabo.

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O Brasil tem estaleiros com capacidade ociosa de operação e uma Marinha de Guerra necessitando modernizar a sua armada.  Será desastroso se, devido a problemas econômicos importantes, mas circunstanciais, nós dermos um passo atrás na decisão de construirmos aqui os navios que a nossa Marinha precisa e voltarmos ao mercado de compras de navios usados e obsoletos.

A construção naval de guerra irá obrigar nossos estaleiros a se modernizarem e se capacitarem para atenderem também as demandas da marinha mercante.  A transferência tecnológica desse processo irá possibilitar engenheiro, técnicos e operários brasileiros a produzirem nos padrões da melhor engenharia naval contemporânea.

O porta-aviões São Paulo não deixa saudades, mas quem sabe, a sua inoperância e o prejuízo decorrente do mau negócio seja um ponto de inflexão para o início da recuperação da armada.

José Carlos Mattos
Editor do site ID&S

 

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