PARTE II> Comandante da Marinha fala sobre Sea Gripen, Mansup e porta-aviões SP

Fonte: Indústria de Defesa & Segurança//

Em entrevista exclusiva ao ID&S, o comandante da Marinha, Almirante Eduardo Bacellar, explica a visão da Força Naval sobre o primeiro míssil antinavio (MAN-SUP), o controverso porta-aviões São Paulo e o Sea-Gripen, versão naval do caça da Saab. Confira a segunda parte da entrevista com o comandante.

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MAN-SUP
Programa MAN-SUP da Marinha tem o objetivo de garantir ao Brasil o domínio e a autonomia tecnológica em todo o ciclo de vida de armamentos desta classe. (Foto: Leonardo Jones Müller / Portal Defesa)

Programa MAN-SUP da Marinha tem o objetivo de garantir ao Brasil o domínio e a autonomia tecnológica em todo o ciclo de vida de armamentos desta classe. (Foto: Leonardo Jones Müller / Portal Defesa)

ID&S: A Marinha está desenvolvendo o seu primeiro míssil antinavio (MAN-SUP). No entanto, o cronograma anda atrasado devido às dificuldades de repasse de dinheiro para o projeto. Qual o cronograma para este  ano? Como esses atrasos afetam a capacidade da Marinha?
Almirante Eduardo Bacellar: Para o próximo ano, está previsto o encerramento dos ensaios com o Modelo de Teste de Voo (MTV) e o início da fabricação dos três protótipos (QM), de modo que seus lançamentos ocorram até outubro de 2018. ​Podemos mencionar algumas consequências ao projeto decorrentes desses atrasos, tais como:

  • a ocorrência de defasagem tecnológica entre o projeto concluído e a disponibilidade dos componentes empregados na produção do míssil, que fará necessário o retrabalho do desenvolvimento e implicará em custo e prazo elevados;
  • a perda da capacitação técnica das empresas envolvidas no projeto, tendo em vista a necessidade de demissão do pessoal especializado; e
  • a minimização da possibilidade de venda do MANSUP para os países que atualmente possuem o Exocet MM40 B1 ou B2. Caso o MANSUP não esteja disponível para venda, esses países optarão por outro armamento de características semelhantes, mesmo que mais caros ou menos eficientes.
PORTA-AVIÕES SÃO PAULO
Porta-Aviões não será desativado, garantiu comandante. (Foto: Arquivo)

Porta-Aviões não será desativado, garantiu comandante. (Foto: Arquivo)

ID&S: Como está a reforma do Porta-aviões São Paulo? Qual a previsão para ele entrar em operação? E qual a importância da Marinha do Brasil ter um porta-aviões?
Almirante Eduardo Bacellar: O porta-aviões é a principal arma de combate, projeção de poder e capacidade de dissuasão de qualquer Marinha, no mundo inteiro. Para o Brasil, em especial, cuja área marítima de responsabilidade e onde exerce sua soberania e direitos econômicos possui aproximadamente 4,5 milhões de quilômetros quadrados, com riquezas conhecidas e desconhecidas inestimáveis – nossa “Amazônia Azul” – a importância desse tipo de navio é ainda maior. O Brasil é um país extremamente dependente de sua área marítima, e a preocupação em assegurar a sua proteção e defesa, não é só uma necessidade, mas um dever da Marinha do Brasil. Cerca de 80% da nossa população reside a menos de 200 Km do litoral, 95% do comércio nacional é feito pelo mar e 90% da nossa produção de petróleo está no mar.

Recentemente, foi concluída a inspeção estrutural em todo o casco do navio, para se avaliar a possibilidade de realização das obras previstas e reavaliação do prognóstico de vida útil do NAe. Os elementos estruturais do navio encontram-se em ótimo estado de conservação, necessitando de pequenos reparos em poucos pontos. Atualmente, o navio vem passando por uma série de inspeções e avaliações para se avaliar a possibilidade de ter o seu sistema de propulsão modernizado.

SEA GRIPEN

ID&S: A Marinha está estudando comprar a versão marítima do GRIPEN (Sea Gripen)?
Almirante Eduardo Bacellar: Não há estudo em andamento na Marinha visando à aquisição do Gripen. Atualmente, a SAAB encontra-se finalizando o estudo de viabilidade de engenharia da versão naval do Gripen, chamada Gripen M. Este estudo é um dos projetos de compensação comercial (offset) vinculado ao contrato de aquisição dos Gripen E (Projeto FX-2) pela Força Aérea Brasileira (FAB).

Com o Projeto FX-2 da FAB, a capacitação da indústria aeroespacial brasileira passará a um novo patamar quanto ao desenvolvimento tecnológico, uma vez que, não só a EMBRAER, como principal beneficiária desse projeto, mas também todo o parque industrial aeronáutico será beneficiado. Ademais, estima-se que, segundo informações obtidas com a SAAB, o Gripen M possuirá mais de 90% de similaridade com o Gripen E da FAB. Assim, a padronização de procedimentos operacionais entre as Forças, no que couber, bem como, as facilidades de treinamento e o aproveitamento da cadeia de suprimento logístico estabelecida para atender a FAB poderá trazer uma grande redução de custos para a operação desta aeronave.

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