PARTE III> Comandante fala sobre estratégia para reaparelhamento da Marinha

Fonte: Indústria de Defesa & Segurança//

Em entrevista exclusiva ao site ID&S, o comandante da Marinha, Almirante Eduardo Bacellar, fala sobre as estratégias para o reaparelhamento da Força Naval. Confira a terceira parte da entrevista.

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ID&S: Qual a avaliação do senhor para a Marinha do Brasil em 2016? O que o senhor apontaria como principais avanços da Força? E qual a expectativa para o próximo ano?
Almirante Eduardo Bacellar: Em 2016, a Marinha realizou o esforço principal para o preparo e o emprego dos meios (navais, aeronavais e de fuzileiros navais) que conduziram as diversas Operações Navais. Neste cenário, foram empreendidas ações de patrulhas em nossas fronteiras marítimas e nas Bacias do Amazônia e do Pantanal, com o objetivo de coibir crimes transfronteiriços, como narcotráfico; tráfico de armas e munições; crimes ambientais; contrabando de veículos; imigração e garimpo ilegais e contribuir para o cumprimento das leis, dos regulamentos, dos tratados, das convenções e dos atos internacionais ratificados por nosso País.

Cabe destacar a presença da MB na área marítima de superlativa dimensão que guarda inúmeras riquezas nacionais, onde se inclui a Zona Econômica Exclusiva brasileira com área oceânica aproximada de 3,6 milhões de km², que somados aos cerca de 900mil km² de extensão que o Brasil reivindica junto à Organização das Nações Unidas, perfazem um total aproximado de 4,5 milhões de km², a chamada “Amazônia Azul”.

Para 2017, caso ocorra maior disponibilidade orçamentária, a Marinha planeja aumentar as suas ações na Amazônia Azul em 20% em relação ao ano corrente, concentrando-se na salvaguarda dos interesses brasileiros na Amazônia Azul e da vida humana no mar e em águas interiores, e coibindo crimes ambientais. Em relação à realização de patrulhas navais na área de fronteira, a Marinha buscará intensificar as operações de forma conjunta com as demais Forças Singulares, integrado com os Órgãos de Segurança Pública, federais e estaduais, bem como de forma combinada com as Marinhas amigas de países fronteiriços. Entretanto, tal intensificação estará diretamente condicionada ao montante de recursos orçamentários previstos para esta Força.

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ID&S: Grande número de navios  de guerra brasileiros estão já no final de sua vida útil.  Como a Marinha planeja a sua substituição?
Almirante Eduardo Bacellar: Os programas prioritários da Marinha são o PROSUB, em plena execução, e o Projeto de construção das Corvetas Classe “Tamandaré”, em fase de elaboração da especificação de Aquisição, pela Diretoria de Engenharia Naval, que é o documento técnico básico do processo administrativo para a contratação da construção dos navios. Além desses dois, a Marinha possui os seguintes Programas de aparelhamento, para substituição dos meios navais da Esquadra Brasileira:

  • Programa de Obtenção de Meios de Superfície – PROSUPER, que contempla a construção no Brasil de cinco Navios Escolta, cinco Navios Patrulha Oceânicos e um Navio de Apoio Logístico;
  • Programa de Obtenção de Navios Anfíbios – PRONANF, que contempla a obtenção de meios anfíbios para a substituição dos ex-NDD “Ceará”, no âmbito da qual a MB adquiriu, em 2015, o NDM “Bahia”; e
  • Programa de Obtenção de Navios Aeródromos – PRONAE, que contempla o desenvolvimento de um projeto para a construção de dois Navios Aeródromos.

ID&S: O Sr. vê a indústria naval brasileira com capacidade para construir os navios que a Marinha irá necessitar para se modernizar?
Almirante Eduardo Bacellar: A Marinha do Brasil possui diversas experiências exitosas com estaleiros nacionais, haja vista a construção dos dois primeiros Navios-Patrulha classe “Macaé”, do Navio Hidroceanográfico Fluvial “Rio Branco”, das Embarcações de Transporte de Pessoal (ETP-M) e, em passado mais distante, as Corvetas “Júlio de Noronha” e “Frontin”, o Navio-Tanque “Gastão Motta” e algumas unidades de Navios-Patrulha Classe “Grajaú”. A Marinha entende como de grande relevância a participação de estaleiros nacionais na construção dos futuros meios de superfície da Força, preferencialmente, com o emprego das facilidades industriais da própria instituição, com destaque para o Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro.

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ID&S: Já há um plano para a construção desses navios?
Almirante Eduardo Bacellar: O PROSUB encontra-se em execução. O Projeto de Construção das Corvetas Classe “Tamandaré” será o próximo Programa relevante a ser iniciado, tão logo se defina o modelo de negócios que ampare a construção dos navios no Brasil, possivelmente a partir de 2019. Os demais Programas estão temporariamente interrompidos por indisponibilidade orçamentária.

 

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