PESQUISA> Academia Nacional de Engenharia propõe criação de uma quarta carreira militar

Fonte: Indústria de Defesa & Segurança//

O desenvolvimento da indústria nacional de defesa depende de uma reestruturação das Forças Armadas e do Ministério da Defesa (MD). Esta é a tese do professor Eduardo Siqueira Brick, da Universidade Federal Fluminense e do Centro de Estudos Estratégicos da Escola Superior de Guerra, em estudo para a Academia Nacional de Engenharia.  Para ele, o País precisa criar um novo órgão dentro do MD voltado para o desenvolvimento de novas tecnologias e produtos de defesa. Este órgão seria composto por militares de uma quarta carreira militar e por civis com formação em engenharia e teria como função ser o braço executivo da Logística de Defesa na estrutura do MD. Desta forma, a atual Secretaria de Produtos de Defesa (Seprod) do MD assumiria o papel de ser o braço político e de planejamento estratégico da Logística de Defesa na estrutura do Ministério.

.: Leia o estudo aqui: Engenharia e Defesa: uma visão de acadêmicos de engenharia

“O desenvolvimento e sustentação da indústria de defesa depende diretamente da logística de aparelhamento (desenvolvimento e aquisição de produtos de defesa) e da logística da Base Logística de Defesa (capacidade industrial e de inovação)”, defende.

O professor denuncia que a atual gestão brasileira divide o desenvolvimento da indústria de defesa entre cinco ministérios: Defesa; Desenvolvimento Industrial e Comércio Exterior; Ciência, Tecnologia e Inovação; Relações Exteriores; e Educação. Isto prejudica o desenvolvimento da indústria nacional.

Pesquisa recente da ABIMDE revelou que 73,66% dos empresários consultados acreditam que a governança da BLD é o fator que mais prejudica o desenvolvimento do mercado interno de defesa e segurança. Entre os motivos estavam exigências exageradas, burocracia e políticas inadequadas.

.: Leia também: ENTREVISTA> Engenheiro detalha estudo sobre indústria de defesa

Aliado a isso, o percentual de novos investimentos em defesa não chegou a nem 15% do orçamento do Ministério da Defesa entre 2000 e 2012. De acordo com Brick, países industrializados investem pelo menos 20% do orçamento de defesa em aquisição de novos sistemas e inovação. No Brasil, de 2000 a 2012, o percentual do PIB para a Defesa não chegou a nem 2%. E a tendência para os próximos anos é de uma inequívoca redução.

“O benchmark internacional de países democráticos com defesa relevante é que de 10 a 70 % do investimento federal em CT&I é de responsabilidade do MD. No Brasil é apenas 1,6% (dados de 2013). Se esse percentual for aumentado para apenas 15 % (um percentual modesto em termos internacionais) significaria cerca de 9 bilhões a mais para o MD. Mesmo essa sugestão, que não mexe em gastos sociais, pois se restringe ao setor de Indústria e CT&I, encontrará forte e acirrada oposição dos interesse existentes que vivem desses recursos. Mas não existe outra alternativa factível que não essa”, explica.

No estudo, o professor defende a alocação de pelo menos 30% do orçamento de defesa para desenvolvimentos, pesquisa e aquisição/modernização de produtos de defesa na BLD brasileira e para criação e sustentação de capacidade de inovação e industrial de defesa.

 

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