PMde SP vai abrir licitação para compra de armas no exterior

Fonte: Folha de SP//

A Polícia Militar de São Paulo prepara uma licitação internacional inédita para comprar armamento. A previsão é adquirir 5 mil pistolas .40 para a tropa de choque, que inclui a Rota (grupo de elite da polícia). A corporação já obteve autorização do Exército Brasileiro (EB) para a compra internacional e aguarda parecer final da Procuradoria Geral do Estado. Por ser algo inédito em São Paulo, a corporação também realizou audiência pública em março para apresentar detalhes técnicos do armamento que pretende adquirir. Segundo a gestão Geraldo Alckmin (PSDB), nove empresas mostraram interesse na disputa. 

.: Leia também:  Secretário de Segurança de SP quer importar armas para a polícia

Com efetivo próximo de 90 mil agentes e orçamento de R$ 14,8 bilhões por ano, a PM paulista é a principal compradora de armas do país – desembolsou R$ 29 milhões nos últimos cinco anos. A autorização do Exército é considerada um entrave porque, pelo Estatuto do Desarmamento, de 2003, não é permitido adquirir armamento importado quando existe similar nacional, como ocorre com as pistolas. A PM obteve a liberação do Exército para lançar uma disputa internacional porque a Taurus foi impedida de realizar novos contratos com a corporação por dois anos. A sanção, imposta à empresa pelo governo paulista em outubro passado, deu-se após problemas na execução de um contrato para fornecimento de 6 mil submetralhadoras .40. A empresa não teria conseguido resolver os problemas técnicos das armas, por uma compra realizada em 2013. Procurada, a Taurus não quis comentar seu impedimento. Disse apenas, em nota, que acompanha a licitação da PM.

.: Leia também: ÁRABE CARACAL traz tecnologia e concorrência para o Brasil, afirmam especialistas

POLÍCIA FEDERAL
Nos últimos anos, outras instituições, como a PF (Polícia Federal), foram atrás de armamento importado. O governo federal montou em 2013 um grupo de estudos para analisar as armas nacionais diante de notícias pelo país de acidentes com armas. A partir do estudo, ao qual à Folha teve acesso, foram sugeridas, entre outras medidas, a realização de licitação internacional, já que a qualidade do produto nacional estaria em “patamares inadequados e inferiores às demandas operacionais” necessários.

OUTRO LADO
Procurada, a empresa Taurus não quis comentar os motivos que levaram a Polícia Militar de SP a impedi-la de participar de novas licitações no Estado. Em nota, disse apenas que acompanha o caso. “[A Taurus] procura sempre contribuir para o aparelhamento das forças policiais e, seguindo essa política, acompanha o processo de licitação da PM-SP.” Na resposta aos questionamentos, a empresa não admite nenhum tipo de problema em suas armas. Diz que as notícias a esse respeito fazem parte de uma campanha. “A empresa é alvo de uma campanha difamatória, movida por interesses comerciais e financeiros, que lança mão de informações incorretas para atingir sua reputação.” Ainda sobre a qualidade das armas, a nota da empresa diz que “o Exército Brasileiro fez avaliação completa do processo produtivo da Taurus e de suas armas e não encontrou falhas de projeto ou fabricação que sejam responsáveis por acidentes com armas de fogo.” “Laudos técnicos realizados de acordo com as normas em vigor também têm confirmado a ausência de responsabilidade da Taurus por tais incidentes.”

Procurada, a Secretaria da Segurança não deu os detalhes que levaram ao impedimento da Taurus. Mandou para a reportagem trecho de uma publicação do Portal da Transparência, que já havia sido enviada à Folha pelo Palácio dos Bandeirantes na última sexta (12), na qual diz que a sanção se deu “pela inexecução total ou parcial do contrato”. O secretário da Segurança, Mágino Alves Barbosa Filho, também não quis falar sobre o assunto.

VEJA TAMBÉM EM

53245_6

Leave A Reply