POR QUE ALCÂNTARA não vai lançar satélite brasileiro?

Fonte: ID&S//

A escolha da Guiana Francesa para o lançamento do Satélite Geoestacionário brasileiro gerou curiosidade nos últimos dias. O Brasil possui um centro de lançamento, em Alcântara (MA), que teria condições para fazer esse tipo de operação. Com localização estratégica, Alcântara seria uma escolha mais adequada para o lançamento já que está situada a apenas 2º ao Sul do Equador, enquanto a base da Guiana Francesa está a 5º ao Norte. Essa maior aproximação da Linha do Equador permite uma economia de 30% de combustível no lançamento, o que consequentemente diminuiria os gastos da operação. A escolha, no entanto, foi feita diante do despreparo do Centro de Lançamento brasileiro. “O Brasil não dispõe em seu atual portfólio de um veículo lançador certificado para a categoria SGDC; portanto, não é possível lançá-lo no Centro de Alcântara”, divulgou a Aeronáutica em nota ao site ID&S.

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Veículo Lançador de Satélite (VLS)

Em 2015, o programa que previa a construção do Veículo Lançador de Satélite (VLS) entrou em colapso por falta de verba, recursos humanos qualificados e dificuldades tecnológicas. O VLS permitiria que Alcântara colocasse em órbita satélites geoestacionários, semelhante ao brasileiro. O planejamento inicial era que o Brasil tivesse finalizado a construção do VLS até o final daquele ano. No entanto, as dificuldades para dar continuidade ao programa fizeram as autoridades mudar de planos em relação aos esforços para o desenvolvimento de um lançador nacional. Em vez de mirar no mercado de satélites em órbita geoestacionária, a ordem agora é atacar o mercado de microssatélites, que também possui alto faturamento. “Atualmente o programa envolvendo os Veículos Lançadores de Satélites está em revisão no escopo dos projetos relacionados ao Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE)”, explicou a FAB.

“Além do futuro do VLS, especialistas da área espacial têm trabalhado com a possibilidade de avanço no desenvolvimento do Veículo Lançador de Microssatélites (VLM), que apresenta vantagens competitivas em um nicho de mercado ainda pouco explorado e que poderia aproveitar parte das tecnologias desenvolvidas para o VLS, além de utilizar como plataforma de lançamento a Torre Móvel de Integração (TMI), totalmente reconstruída após o acidente de 2003”. O primeiro teste do VLM está projetado para o final de 2018.

Ao todo, 475 veículos foram lançados pelo CLA (Centro de Lançamento de Alcântara), sendo 389 nacionais e 83 em parceria com outros países. “Por meio dos lançamentos realizados em Alcântara, tem-se possibilitado que a indústria nacional, institutos de pesquisa e instituições de ensino tenham acesso, por exemplo, ao ambiente de microgravidade, realizando estudos e pesquisas essenciais para o desenvolvimento de novos produtos e aperfeiçoamento de tecnologias, além de avanços nos sistemas de segurança, incorporadas a cada lançamento a partir de análises e testes nas operações realizadas no Centro de Lançamento”.

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CENTRO DE LANÇAMENTO DE ALCÂNTARA
Alcântara conta hoje com cerca de 900 militares e servidores civis, que atuam nas áreas de lançamento e no apoio às atividades, como administração, logística, pessoal, saúde, segurança, etc. Segundo a FAB, “atualmente o Centro não realiza operações envolvendo lançamento de satélites. Entretanto, tais profissionais trabalham diretamente em operações com veículos de menor porte, que realizam atividades similares a de veículos satelizadores, como rastreio, telemetria, meteorologia, preparação e lançamento de motores e carga-útil, segurança de área de superfície e de voo, telecomunicações, logística, planejamento, informática, qualidade, dentre outras”.  

 

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