PORTUGAL: Fuzileiros voltam a usar fardas criadas no século XIX em cerimônias oficiais

Uniformes exibidos nas celebrações dos 700 anos da Marinha de Portugal, em dezembro de 2017, serão mantidas depois de incluídos no respectivo regulamento para uso nas principais cerimônias militares do ramo. Recriar os uniformes aprovados em 1807 para os fuzileiros da Brigada Real da Marinha representou um dos últimos atos para comemorar os 700 anos do ramo naval das Forças Armadas. As 30 fardas, envolvendo um investimento de 30 mil euros, visam promover “a visibilidade, o desenvolvimento e a sedimentação de uma cultura naval e marítima”, disse ao DN o seu porta-voz, comandante Coelho Dias.

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O despacho do chefe do Estado-Maior da Marinha, almirante Silva Ribeiro, foi publicado no dia 10 de janeiro, um mês após o encerramento oficial daquelas comemorações com uma cerimónia, no Terreiro do Paço, presidida pelo Chefe do Estado e Comandante Supremo das Forças Armadas, Marcelo Rebelo de Sousa.

“A ligação que a Marinha tem ao seu passado histórico, como elemento identitário atual” e a “relevância que os fuzileiros têm tido na gesta marinheira e nos feitos históricos” do ramo militar, formalmente criado a 1 de fevereiro de 1317 por carta régia de D. Dinis, foram as principais razões que levaram Silva Ribeiro – sucessor do general Pina Monteiro como chefe do Estado–Maior General das Forças Armadas (CEMGFA), dado que o governo anunciou há meses que iria propor para nomeação, ao Presidente da República, um oficial general da Marinha para aquele cargo – a avançar com essa proposta, realçou Coelho Dias.

Curiosamente, o primeiro grande evento em que se viram desfilar aqueles uniformes do início do século XIX por parte de oficiais, sargentos e praças fuzileiros da Unidade de Polícia Naval foi precisamente o do encerramento dos 700 anos de existência do ramo, a 12 de dezembro passado. O fato de ainda não existir qualquer suporte legal para esse efeito, tanto do ramo como do governo (a quem cabe aprovar a portaria que altera o Regulamento dos Uniformes dos Militares da Marinha), levou a que aqueles militares desfilassem “antes do bloco de estandartes nacionais” – nos mesmos moldes que as associações de antigos combatentes, de praças e de fuzileiros – por se tratar de “uma recriação e reconstituição histórica”, explicou o porta-voz.

Mas neste ano, concluído esse processo legislativo, passarão a estar integrados nas formaturas das forças em parada que participarem nas principais cerimônias militares da Marinha, como as alusivas ao seu aniversário, juramentos de bandeira e imposição de boinas dos fuzileiros, adiantou o porta-voz do ramo. Na base da recriação dos uniformes dos fuzileiros da Brigada Real, validada pela Comissão Cultural da Marinha após estudos realizados por diferentes setores do ramo, esteve precisamente o referido plano aprovado em 1807.

Os 30 uniformes para as três categorias de fuzileiros, que podem aumentar “até mais 60″ (em 2019 e em 2020) “caso se justifique”, estão repartidos entre os que se destinam ao “tempo frio” e ao “tempo quente”. Dentro desta divisão há uma outra, entre a farda A – em que os militares estão armados – e a B.

EVOCAR VIAGEM REAL PARA O BRASIL
Em rigor, foi há uma década que o uniforme da Brigada Real da Marinha para os fuzileiros ressurgiu numa cerimônia pública e presidida pelo então ministro da Defesa, Nuno Severiano Teixeira. Nesse dia 24 de novembro de 2007, junto à Torre de Belém (Lisboa), evocava-se o bicentenário da partida da família real portuguesa para o Brasil a bordo de uma esquadra com dezena e meia de navios (naus, fragatas, brigues e escunas), sob o comando do vice-almirante Manuel da Cunha Souto Maior.

A bordo, recordou ainda o comandante Coelho Dias, iam igualmente membros da Companhia Real de Guardas-Marinhas e da Brigada Real da Marinha – a qual tinha sido criada precisamente dez anos antes. Contudo, o Plano para os Uniformes da Armada Real assinado pelo visconde de Anadia fora aprovado apenas em maio de 1807, seis meses antes daquele embarque – ficando por saber se em novembro desse ano já estavam a uso os novos fardamentos e em que quantidade.

À data, cabia aos fuzileiros garantir a defesa dos navios de guerra, assumir as operações de desembarque e combate em terra, assegurar a guarda das instalações do Arsenal da Marinha e a defesa das fortalezas de costa a cargo do ramo.

Fonte: DN

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