PORTUGAL: ‘Queremos fazer a manutenção de todos os KC-390’, diz CEO da Ogma

Fonte: Jornal de Negócios//

A Ogma, empresa portuguesa responsável por alguns componentes estruturais do KC-390, quer ampliar sua participação no projeto do cargueiro da Embraer. O novo presidente da empresa, o brasileiro Marco Tulio Pellegrini, quer garantir que a Ogma seja responsável pela manutenção do KC-390 não só para os eventuais clientes europeus como também para a própria Força Aérea Brasileira (FAB). Ex-executivo da Embraer, Pellegrini disse que ficou “surpreendido” com a capacidade de engenharia aeronáutica portuguesa e considera a Ogma um caso raro no mundo de competência e de diversificação de serviços. A OGMA é uma joint-venture entre a Embraer – com 65% do capital – e governo de Portugal, que controla 35% das ações. Reproduzimos abaixo a entrevista dada pelo executivo ao periódico português Jornal de Negócios (JN) em que ele comenta, entre outras coisas, seus planos para o cargueiro brasileiro.

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JN: Como qualificaria as competências dos portugueses no sector da aeronáutica a nível internacional?
Marco Tulio Pellegrini: Eu estava na Embraer há quase 30 anos, tive oportunidade de participar em vários programas. Posso dizer que [com]a minha experiência, a engenharia em Portugal não deixa nada a desejar. Acho que a competência técnica da engenharia portuguesa surpreendeu em muitos aspectos. Com a instalação das unidades em Évora mais a Ogma, não há nenhuma razão para que as soluções de engenharia de Portugal, na indústria aerospacial, não floresçam. Pode ser um grande veículo de crescimento.

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JN: Recentemente, o Conselho de Ministro aprovou o início das negociações para a compra do KC-390. Que impacto terá esta compra para a Ogma?
Marco Tulio Pellegrini: Vai ser bastante positivo. Começando no fato de as soluções de engenharia em Portugal terem sido desenvolvidas aqui, até à operação pela Força Aérea portuguesa de um produto com segmentos desenvolvidos e produzidos em Portugal, e à própria manutenção da aeronave pela Ogma… são poucos os países no mundo que têm a capacidade de desenvolver, manufaturar e manter [aviões]. São muito poucos no mundo os que têm essa competência e ela existe em Portugal. E traz muita diferenciação. E comprando, a Força Aérea de Portugal (FAP) vai certamente ser um símbolo que vai ajudar a vender [o avião]em outros países da comunidade europeia, da OTAN ou da África.

JN: Tem alguma ideia de quando é que o processo será concluído com a entrega das aeronaves?
Marco Tulio Pellegrini: Se dependesse de nós, certamente o mais cedo possível. Mas é uma negociação importante e vai demorar o tempo necessário para que todas as partes envolvidas cheguem a um bom termo.

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JN: Que partes é que a Ogma vai produzir?
Marco Tulio Pellegrini: A Ogma tem a oportunidade de produzir a estrutura, elementos importantes: fuselagem central, sponsons [compartimentos do trem de aterragem]e leme de profundidade. Fazer parte da cadeia de fornecimento é importante. Segundo aspecto importante é você ter acesso ao avião e permitir a sua manutenção. É outro nível de competência. Depois de começar este processo, é uma competência que se mantém dentro de casa, dentro da Ogma, em Portugal. Espero que o programa tenha muito sucesso e que a Ogma possa vir não só a manter o KC para a FAP mas para outros países da comunidade [europeia], da África, e eventualmente Brasil. Em geral [é trabalho para] muitos anos, e vai-nos garantir a perpetuidade da competência de manter aviões.

?????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????JN: A Ogma quer assumir-se como a principal empresa de manutenção deste avião a nível mundial?
Marco Tulio Pellegrini: Portugal tem uma mão-de-obra bastante qualificada. O objetivo da Ogma não é só a Embraer; é prestar serviço a várias forças aéreas e produzir estrutura para vários fornecedores. Esperamos que sim. Entre os países que forem comprando, alguns fazem a sua manutenção própria. Outros utilizam empresas como a Ogma. Esperamos prestar um bom serviço para as forças aéreas que o desejarem. A Ogma participa hoje em vários segmentos de negócio: produz estrutura, faz manutenção de motores, faz manutenção de componentes, manutenção de aviões de defesa (defesa leve, pesada), aviação comercial e executi- va. São muito poucas as empresas no mundo que têm essa competência instalada.

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JN: Com quantas forças aéreas é que a Ogma trabalha atualmente?
Marco Tulio Pellegrini: São 25 forças aéreas em todo o mundo [incluindo a portuguesa], o que é muito expressivo. E a Ogma tem cerca de 30 certificações.

JN: Como se processa a fabricação do KC-390? A montagem final não será feita em Portugal?
Marco Tulio Pellegrini: Correto. Nós compramos a matéria-prima – alumínio, placas de alumínio, chapas de alumínio, chapas e placas de titânio, rebites. Manufaturamos as peças primárias. E aí fazemos o primeiro grau de montagens, montamos os grandes subconjuntos, que são enviados para o Brasil, para a linha de montagem de Gavião Peixoto. Começa uma grande montagem estrutural, a asa, a fuselagem. A partir daí, inicia-se a equipagem da aeronave, com instalação de cablagem, tubos, equipamentos, motor, aviônica. Concluindo essa etapa, faz-se um voo de produção, o primeiro voo onde se testam os componentes.

JN: Quanto tempo demora a produção dos componentes portugueses?
Marco Tulio Pellegrini: Aqui? Diria que de quatro a seis meses, do início de manufatura até às grandes montagens, e depois o envio para o Brasil. Desde a pecinha menor até ao maior componente.

JN: Para a Ogma fazer a manutenção dos KC-390 portugueses e de outros países vai ter de reforçar as contratações?
Marco Tulio Pellegrini: Sem dúvida. Esse é um aspecto importante, e um dos objctivos é continuar a desenvolver a Ogma nos vários segmentos.

JN: Tem alguma meta de reforço de pessoal para este ano?
Marco Tulio Pellegrini: Neste ano preferia não falar, mas no ano passado incorporamos na ordem de 150 pessoas na equipa de trabalho, que é bastante significativo de 2015 para 2016.

JN: A área da aviação comercial ocupa a maior fatia da atividade da Ogma?
Marco Tulio Pellegrini: A Ogma está bem distribuída. Obviamente em cada segmento pode ter mais um que outro, a aviação comercial tem um peso considerável. A Ogma permite ter um conceito de ‘one stop shop’. Se traz o avião para fazer manutenção pesada pode fazer manutenção do trem, de motores, pode fazer algumas atualizações de componentes, aviônica, mudar a configuração do avião. É uma das poucas empresas do mundo que tem essa competência.

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