PROJETOS ESTRATÉGICOS sofrem atrasos, mas não serão descontinuados, diz Jungmann

Em visita a Santa Maria (RS), o ministro da Defesa, Raul Jungmann, afirmou que, apesar dos atrasos nos projetos estratégicos das três Forças, não há risco de cancelamento de nenhum deles. O ministro reconheceu que os programas não seguem da forma adequada e citou ajustes que precisaram ser feitos, como a redução do Sisfron. Em entrevista ao jornal local Diário de Santa Maria, Jungmann falou sobre a indústria de defesa e o orçamento das Forças Armadas. Replicamos abaixo a entrevista.

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Diário: Como a queda da arrecadação e os cortes orçamentários estão afetando os projetos das Forças Armadas, principalmente de entrega de novos blindados como o Guarani (de transporte de tropas), fabricado no Brasil pela Iveco? A entrega dos caças suecos Gripen da Saab também pode ser afetada por esses cortes ou ter a entrega atrasada?
Jungmann:
Inequivocamente, problemas econômicos terminam se refletindo sobre impostos, que bancam os projetos estratégicos. Mas no caso específico dos blindados que estão sendo repostos, como o Guarani, nós vamos ter de empurrar mais para a frente, digamos assim, a obtenção da totalidade das encomendas, mas elas continuam acontecendo. No caso do caça, estamos já em fase de modelagem de ter um projeto piloto, que eu assisti voando lá em Estocolmo, na Suécia, mas caminha. E no caso do projeto estratégico de fronteira, o Sisfron, o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteira, nós temos recursos não como nós gostaríamos, não o que eu considero que seria o ideal, mas ele continua sendo desenvolvido. Recentemente foi customizado, ou seja, você reduziu o seu custo de 20 para 12 bilhões (de reais), e é decisivo para a fronteira. Assim como também o projeto de submarino de propulsão nuclear da Marinha, e em 2018 nós ainda estaremos entregando o primeiro submarino totalmente produzido no Brasil, que é diesel e elétrico, de um total de quatro submarinos. Em que pese não ser o ideal, que o ritmo não seja aquele que nós gostaríamos, mas nenhum desses projetos foi descontinuado e eles seguem operantes.

Diário: O senhor acha que vai ser possível manter o mesmo ritmo de investimentos no Centro de Simulação CAA-Sul? E qual a importância desse projeto em termos de economia futura de recursos a partir desses treinamentos em simulação?
Jungmann:
Aqui não tem como descontinuar, não tem como alongar o cronograma, porque como eu disse, aqui é o coração da capacidade dissuasória do Exército Brasileiro. Aqui está a nossa mais potente e poderosa unidade de blindados, inclusive da América do Sul, e nós não podemos perder capacidade operacional. Então, não vai haver nenhuma descontinuidade, e o atendimento e o abastecimento desse polo vão continuar.

Diário de Santa Maria: A alemã KMW, que fabrica os blindados Leopard comprados pelo Exército, instalou uma unidade em Santa Maria – RS. Como a vinda da KMW pode ser um atrativo para novas indústrias para Santa Maria, dentro dessa visão do Exército?
Raul Jungmann:
Santa Maria já tem um polo importante em termos de Base Industrial de Defesa, de metalúrgica de precisão, de tecnologia e uma forte relação com a academia, com as universidades. A vinda de empresas tanto nacionais quanto estrangeiras para cá adensa a capacidade produtiva da região, lembrando sempre que a Base Industrial de Defesa no Brasil é responsável, sozinha, por 3,7% do nosso PIB, ou seja, de toda a riqueza que nosso país produz ao longo de um ano. Essa vinda é importante para adensar essa capacidade produtiva, tecnológica e de informação, e a nossa disposição é continuar motivando a nossa Base Industrial de Defesa, porque ela gera empregos, impostos e também tem aplicações para toda a parte civil. É bom lembrar, a indústria de defesa tem um papel dual. A internet que todos nós usamos foi concebida originalmente com a finalidade militar, e hoje ela eleva e multiplica a produtividade e gera a comunicação de praticamente todos os que vivem no planeta.

Diário: Qual a importância em termos de redução de custos para treinamentos?
Jungmann:
É decisivo. Hoje, em dia, mesmo tanques mais antigos têm um alto teor tecnológico, tudo isso é levado adiante com computadores, laser, GPS, em suma, com tecnologia de ponta. Então, ter aqui um centro de preparação de todo o Sul, que aqui está instalado, é decisivo para reduzir custos e simular condições de emprego de tropa e de blindados. Por isso mesmo a gente não pode descontinuar.

Diário: Na sociedade, existe um questionamento sobre os gastos que se tem para manter as Forças Armadas e a utilidade desses gastos. O que a presença das Forças Armadas acaba evitando?
Jungmann:
É muito simples entender isso. Nós não temos nenhuma guerra entre Brasil e outro país há 147 anos. Agora, reduz a capacidade operacional das Forças Armadas, reduz a nossa capacidade de dissuasão, que quer dizer inibir qualquer tipo de ataque, reduza ela e as ameaças e os inimigos vão acontecer e vão ameaçar a nossa soberania e o nosso território. Por isso, defesa é dar condições de vida e de sobrevivência do Brasil.

Fonte: Diário de Santa Maria

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